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    A reclusão acadêmica e o absurdo “whatzapiano”

    A reclusão acadêmica e o absurdo “whatzapiano”
    Foto por Pixabay\ ilustração
    Escrito por Da Redação
    Publicado em 19.04.2021, 17:19:27 Editado em 19.04.2021, 17:26:09
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    Estamos vivendo o mundo da expansão das informações. Com um clique e a digitação de uma palavra-chave podemos obter a informação que quisermos. Ao necessitarmos comprar um tênis, basta procurarmos na internet que conseguimos uma ampla variedade de preços pelo mesmo produto. Diversos aplicativos permitem que nossas relações interpessoais se intensifiquem e solidifiquem. As redes sociais juntaram muitos casais e famílias. Hoje é possível vender o seu notebook usado em um curto período de tempo, auxiliando na movimentação financeira.

    Por outro lado, a internet e os aplicativos nos trouxeram uma enxurrada de malefícios que, além de atrapalhar muitas relações, também atrasam o desenvolvimento intelectual do próprio ser humano. É inegável que os grupos de família no WhatsApp já foram campo de muitas discussões/debates... muito por conta deste Fla-Flu (ou Londrina versus Maringá) que se criou por intermédio da polarização política que assola o Brasil nos últimos tempos.

    Em termos do assunto “COVID-19” a desinformação é preocupante. Mensagens proferidas aos quatro cantos afirmam que o limão tem característica básica e que, por isso, abateria o Corona Vírus e suas variantes com facilidade. O que é fato: o limão, assim como as frutas cítricas, apresenta ácido cítrico em sua composição. Uma limonada, por exemplo, apresenta potencial hidrogeniônico (pH) de 2,0. Além de ser altamente ácido, não há comprovações científicas da eficiência do limão, dente de alho e nem nada disso no combate ao COVID.

     Aparecem também links de “artigos científicos” sem a assinatura de nenhum cientista e publicados em revistas que simplesmente não existem. Nestes artigos se discute a excelente eficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina (nebulizada e em comprimido) no combate ao vírus. Os “estudos” relatados contêm uma miríade de blábláblás e falácias cientificamente sem sentido.

    Nas redes sociais, como nos comentários das notícias na página do TN Online no Facebook, leitores comentam que fulano e ciclano faleceram em decorrência de não terem adotado o “tratamento precoce da COVID-19”. É como se a pessoa tivesse desistido de viver, uma vez que o tal tratamento precoce realmente impediria a infecção e sintomas mais graves da doença. Na minha humilde opinião, isso é um grande desrespeito com o falecido, com os familiares que estão lendo a postagem e à ciência médica. O que é fato: Infelizmente não se tem comprovação nenhuma da eficácia de qualquer tratamento precoce contra a COVID, infelizmente.

    Mas por que estas correntes crescem no Brasil? Simplesmente porque nós, cientistas, falhamos muito em conversar com o povo (Obs: eu me incluo nesse bolo!). Nosso linguajar literato, rebuscado e cheio de firulas não atinge (e não tem como atingir) cerca de 80% (ou mais) da população brasileira. Além disso, nos enclausuramos em nossos laboratórios para que o concorrente não visualize a pesquisa que estamos desenvolvendo. Nossas bancadas são trancadas para evitar que o VIZINHO DE BANCADA (Você leu isso mesmo....) pegue as suas coisas ou descubra o que fazes. O estado paga nossas custas, em termos de despesas de pessoal, equipamentos, reagentes, bolsas de iniciação científica e pós-graduação, e nos furtamos de revelar à grande massa que aquele dinheiro gasto teve um retorno espetacular. Inclusive, é amplamente conhecido que nós fazemos muito pela pesquisa com o tão pouco que é investido pela comunidade política.  Não escancararei outros problemas aqui pois não tenho mais tempo..., mas eles existem!

    Finalmente, nós precisamos correr atrás do tempo perdido. Os cientistas brasileiros precisam se reinventar, sair do anonimato e correr atrás do apoio popular. Isso não ocorrerá do dia para a noite... agora que o monstro está formado, não conseguiremos derrubá-lo assim tão facilmente.  Somente com a popularização da ciência que conseguiremos vencer os absurdos proferidos no Whatzapp.

    Por hoje é isso.

     

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    Bruno Henrique Vilsinski (33 anos) é natural de Apucarana e residente em Maringá desde 2010. Possui graduação em Química-Licenciatura pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), instituição pela qual também cursou seu Mestrado e Doutorado em Química. Fez parte de seu Doutorado na Universidade de Coimbra- Portugal, onde tem seu título de doutor reconhecido pela Direção Geral de Ensino Superior daquele país. É especialista no desenvolvimento de sistemas carreadores/solubilizadores de fármacos para aplicação na área de remoção de poluentes e na área biomédica. Atualmente é docente do departamento de Química da UEM, onde ministra aulas na área de Química Inorgânica. Nas horas vagas costuma ler sobre História do Brasil e do Mundo, bem como se inteirar das atualidades centradas no Brasil e em algumas partes do globo. No que tange à política, se considera como sendo do espectro da centro-esquerda. Na música é Raulseixista e no futebol é coxa-branca, além de torcedor do Maringá Futebol Clube. Crescendo no ambiente que convive há anos, Bruno respeita a opinião de todos e preconiza sempre o debate de ideias. Sejam bem-vindos ao blog... comentem, reclamem, “corneteiem”... debatam!

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