O despovoamento rural e a ruralidade em risco

Da Redação ·
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fonte: Pixabay

Em recente palestra ministrada pelo professor Eugenio Cejudo García, da Universidade de Granada, Espanha, os desafios enfrentados pelas áreas rurais na Europa, mais especificamente na Espanha, foram destacados. O foco de sua análise recai sobre o fenômeno preocupante do despovoamento rural, uma tendência que não é exclusiva da Europa, mas que ressoa em diversos cantos do mundo, incluindo a China e o Brasil.

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O despovoamento rural, acompanhado do envelhecimento e da masculinização da população que permanece, é uma realidade alarmante. Na China, esse fenômeno é agravado pelo baixo nível de desenvolvimento rural e uma pobreza acentuada, estimulando uma migração massiva para as cidades. Esta migração gera, por sua vez, grandes concentrações urbanas nas periferias, exacerbando os impactos sociais e econômicos negativos nas áreas urbanas e aumentando a demanda por políticas públicas de assistência.

No Brasil, padrões similares foram observados nas décadas de 1950 a 1980, e esses movimentos migratórios não cessaram. Espera-se que o Censo Demográfico de 2022 capture esses eventos, o que deve instigar o setor público a conceber políticas que mitiguem os efeitos adversos tanto no campo quanto nas cidades. Contudo, há uma aparente resignação por parte de nossos políticos, que parecem aceitar esses eventos como inevitáveis, ao invés de buscar soluções inovadoras.

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O desalento dos pequenos produtores rurais e a falta de sucessão nas propriedades levam à ocupação das terras por cultivos extensivos, como soja, trigo e milho. Este fenômeno levanta uma questão crítica: quem produzirá alimentos diversificados como hortaliças e frutas? Se tais produtos precisarem ser importados de outras regiões, isso refletirá em custos elevados e preços inflados, impactando no custo de vida da população.

O despovoamento rural não é uma situação que deve ser normalizada. Os pequenos municípios sofrem dramaticamente com a migração dos jovens para centros urbanos maiores, uma realidade que pode até mesmo ameaçar a viabilidade desses municípios. É necessário, portanto, reavaliar as condições de vida tanto nas áreas rurais que são abandonadas quanto nas áreas urbanas que recebem essas novas ondas migratórias.

A pesquisa e a conscientização sobre estes temas são críticas, mas a realidade mostra que o impacto desses estudos nas políticas públicas ainda é limitado. As universidades brasileiras estudam estes fenômenos, porém há uma lacuna evidente entre o conhecimento produzido e a sua aplicação prática no desenvolvimento de políticas públicas eficazes.

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A filosofia de Jean-Jacques Rousseau enfatiza que quando o governo falha em proteger os direitos do povo ou é ineficaz, é dever do povo opor-se à inércia política para garantir sua liberdade e melhorar sua qualidade de vida. Assim, torna-se essencial reconhecer e agir decisivamente contra os desafios do mundo rural, evitando a aceitação passiva da deterioração dessas comunidades e seus impactos devastadores na sociedade.

O despovoamento rural e a urbanização descontrolada não são meros eventos estatísticos, são fenômenos palpáveis que impactam milhões de vidas. Assim, é imperativo que os agentes políticos levem em consideração as pesquisas universitárias que investigam essas questões. Dessa forma, garantimos que as políticas públicas sejam fundamentadas em uma análise aprofundada e compreensiva destes desafios, visando não somente soluções temporárias, mas também estratégias sustentáveis e eficazes para enfrentar estas questões críticas de forma contínua.

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