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    NO BRASIL 36% DAS MULHERES JÁ SOFRERAM VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

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    Escrito por Camilla Bolonhezi
    Publicado em 17.04.2021, 18:58:58 Editado em 17.04.2021, 19:12:15
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     Nova pesquisa aponta que o percentual de mulheres agredidas por ex-companheiros subiu de 13% para 37% entre 2011 e 2019, incluindo situações em que os agressores eram ex-maridos e também ex-namorados no momento do ataque. Tais números representam um aumento de 284% desses casos.

    A amostra foi realizada com 2.400 mulheres de todas as unidades da federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com margem de erro de dois pontos percentuais e com nível de confiança de 95%. Os dados são da 8ª edição da Pesquisa Nacional sobre Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência.

     

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    Na trajetória da mulher contemporânea é possível vislumbrar um universo de insegurança e medo constantes. O receio de ser violada, violentada ou agredida são corriqueiros no quotidiano feminino. É possível verificar que a violência de gênero é uma das formas na qual a criminalidade se manifesta. Seja com mulheres, crianças ou adolescentes os riscos são uma constante.

    A historiadora Claudia Priori, na obra Retratos da Violência de Gênero, afirma que há uma desigualdade de poder nas relações de gênero que permitem a ambos se confrontarem, se agredirem e criarem um campo de forças na luta de alcançar uma posição mais privilegiada de poder. No entanto, às mulheres vem demonstrando um fortalecimento e articulação que possibilitou a elas ocuparem espaços e direitos mesmo em face a dominação masculina. É a configuração de uma resistência à imposição das práticas de violência.

    Segundo a pesquisadora, a inserção e a atuação operante das mulheres na sociedade, engajamento em movimentos feministas, ações sociais, movimentos feministas, ações sociais, movimentos de mulheres, associações de bairros, creches, inserção no mercado de trabalho, na academia e vários outros espaços preenchidos com sua capacidade intelectual e profissional, são formas elaboradas de resistência ao poder e supremacia masculinos.

    A reelaboração e reformulação dos papeis sociais trouxeram novas configurações de comportamento que inferiram diretamente nas relações entre homens e mulheres na atualidade. Porém, essas mudanças não possibilitaram a eliminação da violência de gênero.

    Os fatores emocionais acabam por se transformar em barreiras que impedem que as vítimas denunciem seus agressores, potencializado pelo medo de represálias e em vistas de proteger a própria vida e família. Muitas mulheres que chegam a denunciar seus agressores desistem da denúncia efetiva impedindo que inquéritos sejam instaurados.

    Na atualidade as mulheres estão mais dispostas a procurarem seus direitos e a independência financeira permite que muitas não fiquem quietas diante de abusos por parte dos seus parceiros. A dependência da renda masculina foi um grande empecilho histórico para mulheres do passado denunciarem agressões. Tal ocorrência, sem dúvida, é um grande avanço a defesa da mulher frente a violência sofrida, mas ainda não define o fim dos abusos.

    Apesar dos direitos adquiridos e de uma legislação que vem fortalecendo a emancipação feminina, no universo das relações privadas as mesmas ainda são expostas a violências e abusos. Pensar que o patriarcalismo em seus agravantes de violência e dominação da mulher foi superado é um equívoco o que expressa uma relação de rupturas e permanências que alternam comportamentos de submissão e de enfrentamento tornando a vida de muitas mulheres brasileiras uma trajetória de luta e resistência. 

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    Camilla Bolonhezi

    Camilla Bolonhezi

    Camilla Samira de Simoni Bolonhezi. Graduada em História pela UEM, é doutoranda em História Política pela mesma universidade. Possui especialização em gestão, organização e orientação escolar, bem como em psicopedagogia clínica e institucional. Trabalha com pesquisas na área de Relações Étnico-raciais, Direitos Humanos e Políticas Públicas. É professora da Faculdade de Apucarana (FAP) desde 2015 e também atua como docente na SEED PR lecionando no Ensino Médio e Fundamental.

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