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Equador aprova na urna limite à reeleição

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - "Este é o primeiro dia do governo Lenín Moreno", disse à reportagem o analista político Simón Pachano, a respeito da vitória obtida pelo governo no referendo de domingo (5), que em boa medida encerra a era Rafael Correa (2007-17).

"Agora o presidente terá que definir a linha de seu governo, embora tenha ficado claro que quer conservar uma bandeira de esquerda, mais moderada e pró-diálogo."

O resultado anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral, com 99% dos votos apurados, apontava que o "sim" prevalecera em todas as sete perguntas levadas à consulta popular, cujos temas iam de ambiente a crimes contra menores e mineração.

Mas a vitória mais comemorada foi a dos itens políticos. Por 64,3% contra 35,6%, os eleitores equatorianos puseram fim à reeleição sem limites. Com isso, Correa, ex-presidente, ficará impedido de concorrer nas eleições de 2021, como era sua intenção.

O referendo também liquida as aspirações ao poder de outros membros do governo correísta, uma vez que o item sobre o afastamento definitivo da vida pública de políticos condenados por corrupção teve aprovação de 73,9%.

Após conhecer os resultados, Moreno, que de afilhado político passou a desafeto do antecessor, declarou: "Os velhos políticos não voltarão, eles têm a obrigação de se renovar. Aqueles que ansiavam eternizar-se no poder não voltarão nunca mais".

"Nós sabíamos que Moreno ia fazer o possível para ser independente de Correa, só não imaginávamos que o faria tão rápido", disse o articulista do "Expreso", Roberto Aguilar. "A alta popularidade dele alavancou a vitória [do sim no referendo]."

De fato, ao incentivar a luta contra a corrupção (que já contabiliza alguns ex-assessores correístas investigados e seu próprio ex-vice na cadeia) e ao se mostrar mais aberto ao diálogo com a oposição e com a imprensa, Moreno vê sua aprovação popular em alta, a 70%.

"Ele se mostrou um de Frank Underwood 'criollo' [europeu nascido na América]", disse o analista Manuel Gómez Lecaro, aludindo ao modo como o presidente se desvinculou do padrinho e comparando-o ao protagonista da série "House of Cards".

Os analistas apontam, porém, para as dificuldades que Moreno passará a ter.

A primeira é política, pois seu partido, o Aliança País, que tinha o maior número de postos na Assembleia Nacional, rachou. Os parlamentares fieis a Correa formaram um novo bloco, o Movimento Revolução Cidadã, que não por acaso leva as iniciais do ex-presidente na sigla.

A segunda será lidar com o alto endividamento do país e com a economia que cresce (2,7% em 2017), mas não no ritmo da década passada.

Economistas recomendam ajustes e, sobretudo, corte do gasto social. O presidente ainda não respondeu como fará isso e, ao contrário, anunciou o aumento de benefícios à população mais pobre, com ampliação de um programa de construção de casas populares e de planos de saúde.

CORREA

Rafael Correa não se considera morto politicamente.

Ao receber o resultado final, disse que os 35,6% de apoio que recebeu poderia ser considerado uma vitória. "Nenhum movimento por si só pode alcançar essa cifra em tão curto período e em uma luta tão desigual", publicou em suas redes sociais.

Os problemas do ex-presidente, porém, não se resumem ao fato de ele não poder mais se reeleger. Na manhã desta segunda (5), ele se apresentou na sede da Procuradoria, em Guayaquil, para uma audiência sobre um caso em que é acusado de desviar dinheiro público numa venda de petróleo à China. .

Houve certa confusão na chegada de Correa ao local, com manifestantes de opositores e partidários contidas pela polícia. Correa cumprimentou as cerca de 200 pessoas que gritavam seu nome e avisou: "A luta continua".




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