Mais lidas

    Economia

    Economia

    Dólar cai a R$ 5,27, menor valor desde 14 de janeiro, com Selic em alta

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 06.05.2021, 17:59:00 Editado em 06.05.2021, 18:02:35
    Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

    O dólar operou todo o dia em forte queda ante o real, chegando na mínima a recuar a R$ 5,25, no menor nível diário desde 18 de janeiro. As projeções de mais altas de juros no Brasil e a perspectiva de ingresso de capital externo no País ajudaram o real a ter o melhor desempenho no mercado internacional nesta quinta-feira, 6, considerando as 34 divisas mais líquidas. O movimento foi ajudado pelo dia de baixa do dólar nos emergentes. Além disso, grandes investidores têm feito grande desmonte de posições contra a moeda brasileira no mercado futuro da B3, que só na quarta-feira, 5, somou US$ 2 bilhões.

    No fechamento, o dólar à vista terminou em queda de 1,62%, a R$ 5,2779, no menor valor deste o dia 14 de janeiro. No mercado futuro, o dólar para junho cedia 1,50% às 17h35, a R$ 5,2875.

    Apesar de divergências quanto ao tom do comunicado do Banco Central sobre a alta de juros, a visão consensual é que mais altas virão pela frente e o real tende a ganhar força nesse ambiente, recuperando o espaço perdido a outros emergentes.

    O Bank of America prevê mais duas elevações de 0,75 ponto porcentual, uma em junho e outra em agosto. Já a consultoria inglesa TS Lombard vê o risco de o BC ter de elevar a Selic a 6,5% até o fim do ano, caso haja piora do risco fiscal e uma desancoragem das expectativas de inflação para 2022. O banco suíço Julius Baer elevou a previsão de Selic ao final de 2021 de 4,5% para 5%.

    Caso não haja piora dos riscos fiscais, os economistas do Citi avaliam que o juro mais alto tende a igualar as taxas do Brasil a de outros emergentes, trazendo de volta as operações de 'carry trade', quando um investidor toma recurso em um país de juro zero e aplica em outro de taxa mais alta. Atualmente, o México, com juro de 4%, era o mercado na América Latina que vinha sendo alvo desse tipo de operação, enquanto no Brasil o câmbio passou a ser usado como um instrumento de proteção (hedge) para outras estratégias, por causa do custo baixo. Esse movimento pressionava adicionalmente o real.

    Neste contexto, o Citi espera que o real tenha desempenho levemente melhor em comparação a outras moedas emergentes do que nos últimos anos, quando acumulou o posto de pior divisa internacional.

    "Tende agora a ter atratividade maior para o investidor estrangeiro alocar seus recursos aqui", afirma o economista da Amplla Assessoria em Câmbio, Alessandro Faganello, destacando que o BC não só elevou os juros em 0,75 ponto ontem como sinalizou outro aumento da mesma magnitude em junho.

    Para o analista de pesquisa de estratégia de mercados emergentes do Julius Baer, Mathieu Racheter, a mensagem do BC é de juros mais altos e deve ajudar o real no curto prazo. Mas mesmo com a Selic em alta, o grupo financeiro suíço está mais cauteloso com o Brasil e recomenda a seus clientes que sejam "seletivos" com ativos brasileiros, em meio a um cenário incerto, com a antecipação da campanha presidencial de 2022, com a volta do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jogo, além de uma retomada econômica ainda lenta por causa da pandemia.

    Gostou desta matéria? Compartilhe!

    Mais matérias de Economia

    Deixe seu comentário sobre: "Dólar cai a R$ 5,27, menor valor desde 14 de janeiro, com Selic em alta"

    O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.