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Economia

Crise causa impacto de até 30% nas receitas de importadores de máquinas

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CLAUDIA ROLLI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A exemplo da indústria nacional, as empresas importadoras de máquinas informaram que também estão sofrendo o impacto da queda de investimentos, dos juros altos e da retração nas vendas.
Com o atual cenário econômico, parte dos importadores registra queda de até 30% em suas receitas, reduz o quadro de funcionários e alguns consideram até 2016 como um "ano perdido".
"O que mais tem afetado o emprego é a falta de confiança e a completa falta de sinais de quanto mais a situação vai piorar antes de melhorar", diz João Carlos Visetti, diretor-presidente da Trumpf do Brasil.
"A primeira coisa que a indústria corta em tempos de dificuldades são os investimentos. Dentro da atual conjuntura, o setor sofre muito e tem de fazer os ajustes necessários para se adaptar à realidade do mercado", afirma Visetti.
A empresa atua em três áreas de negócios: máquinas/ferramenta, tecnologia laser e eletrônica e fechou o ano fiscal, em 30 de junho, pela primeira vez desde 2010, com queda de 30% em sua receita.
Ricardo Lerner, diretor técnico da Bener, importadora de máquinas de bens de capital, afirma que a empresa trabalha com 30% da capacidade e teve de reduzir custos e enxugar sua estrutura para poder passar pela crise.
"Mesmo assim não se sabe quanto tempo a crise pode durar e se quem ainda está saudável vai continuar saudável. Não há perspectivas de quando o mercado vai retornar", declara Lerner.
Se a alta carga de impostos e o sistema tributário complexo são reclamações da indústria nacional, também emperram os negócios e constam na pauta de reivindicação dos importadores.
"Os empresários estão inseguros por causa do imposto e da variação cambial. O mercado de importados de alta tecnologia não quer fazer dívida em dólar. Nunca vi um mercado tão parado quanto em 2014 e neste ano. Trabalho com máquinas há 25 anos e nunca vi algo tão inseguro assim. Os empresários estão com medo de investir. Preferem correr o risco de perder o serviço e continuar na morosidade por conta da insegurança econômica", diz Carlos Eduardo Ibrahim, diretor da Makino no Brasil.
Segundo o executivo, os empresários que buscam produtos mais avançados tecnologicamente para fabricar suas peças, itens que são vendidos fora do país, tem de enfrentar aumento de impostos e outras taxas que somadas chegam a 55%.
"O governo, há um ano, por exemplo, aumentou os impostos de importação em 20% para uma família de máquinas de usinagem, que não existe no Brasil. Esse aumento somado a outras taxas chega a 55%. Isso restringe os empresários brasileiros e desmotiva qualquer um que queira ir atrás de tecnologia", afirma Ibrahim. "O desafio é manter o quadro de funcionários e estar vivo para 2017. Já estamos considerando 2016 um ano perdido."
Para Dirk Hüber, diretor-geral da Junker do Brasil, "a paralisia é tão grande, que já chegou ao consumo das famílias".
"Essa crise começou há oito meses e ninguém vê perspectivas de mudança no curto prazo. Algo tem de ser feito rapidamente porque o ciclo de retomada da indústria não é imediato", diz.




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