Cotidiano

Cidade se transforma em reduto de ginseng, planta usada contra o câncer

Da Redação ·
O município de Querência do Norte, no Noroeste do Paraná, é o reduto do ginseng brasileiro - Foto: Divulgação
O município de Querência do Norte, no Noroeste do Paraná, é o reduto do ginseng brasileiro - Foto: Divulgação

Querência do Norte, município situado no noroeste do Paraná, já quase na divisa com o Mato Grosso do Sul  se transformou em reduto da planta medicinal  Pfaffia glomerata, conhecida popularmente como ginseng brasileiro. As raízes dela são usadas principalmente como tônicas e estimulantes sexuais e, principalmente, para evitar doenças como diabetes, câncer e tumores em geral.

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No município de solo úmido e arenoso, a planta medicinal impera principalmente nas ilhas e várzeas do Rio Paraná, o segundo maior rio da América do Sul, situado bem próximo à cidade com pouco mais de 12 mil habitantes. A planta, no entanto, só começou a gerar negócios na região no final da década de 1990, quando os agricultores locais se associaram a pesquisadores e técnicos do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR), liderados por Cirino Corrêa Júnior, coordenador estadual de plantas potenciais, medicinais e aromáticas da entidade.

“Ao chegarmos ao município, identificamos a planta e incentivamos o cultivo e a retirada de forma correta, sempre respeitando o meio ambiente e a preservação da espécie”, relata Corrêa Junior, que escreveu uma tese sobre o tema, enquanto fazia doutorado na Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade de São Paulo (Unesp).

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Até então, os coletores utilizavam fogo para queimar a vegetação que escondia o ginseng, uma vez que a mata precisa estar limpa para que a planta possa ser retirada. A prática da queimada, além de crime ambiental, estava colocando o ginseng em risco de extinção.

Cidade se transforma em reduto de ginseng, planta usada contra o câncer fonte: Reprodução

O município de Querência do Norte, no Noroeste do Paraná, é o reduto do ginseng brasileiro - Foto: Divulgação

Associação
Em 2005, os agricultores da região fundaram a Associação de Pequenos Produtores de Ginseng de Querência do Norte (Aspag), com o objetivo de produzir ginseng orgânico e sustentável. “Começamos a profissionalizar a cultura aqui na região”, diz o sócio-diretor da entidade, Misael Jefferson Nobre.

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Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), feito em 2015, a produção da raiz foi de 225 mil quilos – montante 89% superior ao registrado no ano anterior. Em 2015, a movimentação gerou R$ 675 mil em negócios para os produtores rurais.

Japão e França estão entre os compradores
O ginseng brasileiro atraiu inclusive compradores de países europeus e asiáticos. A França é um exemplo. O país europeu adquire três toneladas por ano do produto, enquanto o Japão cerca de uma tonelada. Em setembro deste ano, uma comitiva chinesa fará uma visita em Querência de Norte.“É mais uma chance de mostrarmos a qualidade do nosso produto para compradores de outro país”, conta Nobre.

Cidade se transforma em reduto de ginseng, planta usada contra o câncer fonte: Reprodução

Foto: Divulgação

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Qualidade do produto
O produtor relata, todo orgulhoso, que o ginseng produzido em Querência do Norte, também conhecido pelos nomes de batata-do-mato, corango, corrente, sempre-viva e paratudo, é o melhor do Brasil. “É puro e feito apenas com a raiz da planta, local onde está concentrado o seu poder”, diz.

Para saber se é realmente puro, explica Nobre, a planta tem que ser bem amarela. “Quando tem baixa qualidade, por causa da presença do caule e das folhas da planta, ela fica esbranquiçada e amarronzada”, acrescenta.

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Imbróglio
A comercialização poderia melhorar se o ginseng brasileiro fosse reconhecido como planta medicinal, afirma o técnico agrícola da Emater-PR, Wesley Santa Passo. “Para tanto seria necessário uma pesquisa de uma instituição científica, mas como o mercado é pequeno e ainda não gera tanto lucro, nenhuma universidade fez ainda”, afirma.

Atualmente, os produtores dependem de atravessadores para venderem seus produtos em território nacional ou internacional.

Cidade se transforma em reduto de ginseng, planta usada contra o câncer fonte: Reprodução

O ginseng brasileiro atraiu inclusive compradores de países europeus e asiáticos
Foto: Divulgação

Benefícios cientificamente comprovados
O ginseng brasileiro, que tem nome científico de Pfaffia glomerata, é utilizado há séculos pelos índios brasileiros. A erva só teve seus benefícios cientificamente comprovados, conforme o coordenador da Emater-PR, após estudos feitos por pesquisadores asiáticos nas décadas de 80 e 90.

“Constatou-se que a raiz da planta tem componentes que atuam na regeneração das células, na purificação do sangue e na regularização das funções hormonais e sexuais, por exemplo”, relata Corrêa Júnior, da Emater-PR. Segundo ele, das 31 espécies encontradas na América Central e do Sul, 21 estão no Brasil. “Nosso país é o mais importante centro de coleta de espécies deste gênero”, completa.

Com informações da AEN