Apucarana

Diretor do Colégio Canale fala pela 1ª vez após protestos

Roberto Carlos de Oliveira, o Canela, se diz injustiçado e revela que ainda não decidiu se retorna ao cargo

Da Redação ·
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Canela se defendeu das acusações de ter sido omisso e revelou que ainda avalia seu retorno ao colégio
fonte: Reprodução / Redes sociais
Canela se defendeu das acusações de ter sido omisso e revelou que ainda avalia seu retorno ao colégio

Alvo de protestos por parte da comunidade escolar após a morte de um adolescente que se envolveu em uma briga, o diretor do Colégio Cívico-Militar Padre José Canale, Roberto Carlos de Oliveira, conhecido como Canela, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o assunto nesta quinta-feira, 21, em entrevista ao TNOnline. Canela se defendeu das acusações de ter sido omisso e revelou que ainda avalia seu retorno ao colégio.

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Nesta quarta-feira, 20, o Núcleo Regional de Educação (NRE) Apucarana informou que o diretor permanece afastado das atividades, após um período de férias, agora por conta de uma licença médica. A secretária do colégio Sandra Aparecida Marchini, continua à frente do cargo, interinamente.

Canela se afastou temporariamente após uma manifestação de pais e alunos ocorrida no dia27 de junho, em razão da morte do adolescente Alekson, aluno da instituição, que se envolveu em uma briga próximo ao colégio, ocasião em que o diretor foi alvo de protestos de pais de alunos.

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O diretor, com 31 anos de carreira, sendo 10 deles a frente do colégio Canale, diz que se sente injustiçado por parte da comunidade escolar que defende a saída dele do cargo e que tem recebido muito apoio de pais, alunos e funcionários da instituição de ensino.   

“Esperei para me manifestar no momento oportuno. Quero dizer que foi uma injustiça o que fizeram comigo, pedindo a minha saída do cargo de diretor. Não existe nenhum motivo que leve ao meu afastamento, porque não fiz nada de errado. Quero dizer que no julgamento das pessoas que pediram meu afastamento existem muitas inverdades e aproveito também para agradecer as inúmeras mensagens de carinho e apoio que tenho recebido de pais, alunos e funcionários do colégio, pedindo a minha volta”, declarou.

- Roberto Carlos de Oliveira, Diretor do Colégio Cívico-Militar Padre José Canale

O diretor se defende dizendo que, no dia da morte de Alekson, ele saiu do colégio no final do horário do expediente, as 17h, e foi para a casa. Somente quando a briga aconteceu ele foi avisado por funcionários e retornou ao local, mas disse que só chegou lá depois que toda a confusão havia ocorrido.

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Eu estava na minha casa no momento da briga, que ocorreu fora das dependências da escola. Funcionários me avisaram do que estava acontecendo e eu retornei até lá. Chegando ao local, fui atender os policiais que já haviam sido acionados e precisavam de mais informações a respeito. Neste momento, não atendi as chamadas do telefone porque estava dando atenção às equipes policiais. Algumas pessoas relataram que tentaram falar comigo no telefone e eu não atendi, mas o motivo foi esse. Também me acusaram de ter fechado o portão, impedindo a entrada do adolescente que se envolveu na briga. Isso não é verdade, porque eu não estava lá”, revelou.

O diretor também comentou a acusação de que teria sido avisado com antecedência da tensão entre os adolescentes, e que teria sido omisso ao não tentar impedir a briga.

Eu não sabia de nada, até porque, haviam alunos do Canale e também de outros colégios envolvidos, era uma tensão fora da escola. Não tinha como eu saber o que estava acontecendo. Eu sempre mantive um protocolo para os casos de tensão entre alunos dentro do colégio, quando a informação chega para mim. Como diretor, tenho que estar atento a isso. Então, quando sei da possibilidade de alguma briga, eu chamo o pai e libero o aluno minutos antes da saída, sob a supervisão de um responsável, para que não aconteça confusão. Mas neste caso eu não tive conhecimento”, afirmou.

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Sobre seu afastamento, o diretor garante que nem as férias e nem a licença médica tem qualquer relação com as manifestações ocorridas no mês passado. Mesmo assim, ele afirma que avalia a possibilidade de se aposentar e diz que ainda não decidiu se vai retornar ao cargo.

Minhas férias já estavam planejadas para esta data e eu já faço tratamento médico para diabetes há muito tempo, portanto, não há relação entre o meu afastamento para férias e licença médica com a situação que ocorreu no colégio. Meu médico pediu exames para detalhar meu estado de saúde e só então vou poder saber quanto tempo de atestado para o tratamento vou precisar. Paralelo a isto, solicitei ao NRE uma documentação para saber se já tenho direito a aposentadoria, e se eu tiver direito, penso em dar entrada sim. Sobre meu retorno ao colégio, ainda estou conversando com a minha família e com a comunidade escolar para decidir com calma, principalmente neste momento em que tenho recebido tantas mensagens me apoiando e pedindo minha volta. Mas neste momento, ainda não tomei nenhuma decisão”, disse.

Caso de Assédio

O diretor também falou a respeito de um caso de assédio sexual contra alunas do colégio Canale que está sendo investigado pela Seed. De acordo com ele, não houve omissão por parte da direção, que cumpriu com todos os protocolos administrativos no caso.   

"Todos os procedimento administrativos foram tomados por mim quando chegaram as denúncias a respeito deste caso. A situação está sendo investigada pela Seed e segue sob sigilo. O processo está andando, ou seja, se eu tivesse sido omisso, o caso não teria sido levado adiante. Agora quem diz se o professor é culpado ou não, não sou eu, o que cabe a mim foi feito. Agora os meios competentes seguem com a investigação", finalizou.

- Roberto Carlos de Oliveira, Diretor do Colégio Cívico-Militar Padre José Canale
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