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    Cansaço de quem está na linha de frente da pandemia

    Cansaço de quem está na linha de frente da pandemia
    Foto por Arquivo pessoal
    Escrito por Da Redação
    Publicado em 25.03.2021, 11:50:10 Editado em 25.03.2021, 15:58:37
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    Kelly Hummel é enfermeira coordenadora do Pronto Atendimento Covid em Apucarana. Ela conta que está a frente da equipe de atendimentos desde o dia 20 de março de 2020, quando o serviço foi disponibilizado para a população. “No início, o sentimento foi de apreensão e desafio, tínhamos medo porque não sabíamos ao certo com que estávamos lidando. Só consegui até agora porque tive apoio de toda a equipe para organizar fluxos, rotinas, procedimentos e técnicas. Quando iniciou o primeiro mês foi bem tranquilo, depois com a transmissão comunitária, não tivemos mais controle sobre a doença”, lembra.

    Hoje, a rotina de trabalho é mais árdua. Um ano depois do início da pandemia, a população deixou de tomar cuidados básicos como uso da máscara, higiene das mãos e distanciamento social, o que tem agravado o quadro da doença em toda a região. 

    “Estamos colhendo os frutos do comportamento da população. Observamos que 70% dos casos de pessoas que chegam doentes aqui se contaminaram no ambiente familiar, nos momentos em que se abraçam e confraternizam com familiares que estão indo para a rua, não tomando os devidos cuidados. Hoje podemos ter um milhão de leitos de UTI, se a população continuar assim, mas não teremos capacidade de atender a todos os doentes”, argumentou a enfermeira.

    Um ano depois do primeiro caso, região vive pior momento

    Há exatamente um ano a região registrava o primeiro caso de coronavírus na cidade de Faxinal. No dia 25 de março de 2020, Luzia Mariano de 34 anos, testava positivo para a Covid-19. Recém-chegada dos EUA, ela estava na cidade para visitar familiares. Apenas 19 dias após o primeiro caso, no dia 13 de abril de 2020, o primeiro óbito pela doença foi confirmado. Um idoso de 79 anos, morador de Arapongas. Hoje, um ano após o início da pandemia, a região soma 35.136 infectados pela doença e 743 óbitos.

    O Chefe da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana Altimar Carletto, avalia que após um ano de pandemia, houve avanço em relação ao conhecimento da doença, porém, vivemos atualmente o pior momento dessa crise. “Durante este tempo, tivemos um trabalho de preparação muito extenso em relação as normativas para combate da doença. Apesar disso tudo, o que se aprendeu lá atrás já se transformou muito com a chegada das novas variantes. A evolução e transmissibilidade é muita mais rápida, o doente hoje também mudou, são mais jovens. É uma doença muito dinâmica e a evolução é muito individualizada para cada pessoa. Estamos realmente no pior momento, ainda numa espiral crescente, com números maiores a cada dia de óbitos e contaminação, mesmo com significativo investimento do governo para aumentar o número de leitos nos hospitais”, avaliou Carletto.

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