Apucarana

​Efetivo feminino na PM aumenta 68% no Vale do Ivaí

Da Redação ·

O número do efetivo feminino no 10º Batalhão da Polícia Militar, de Apucarana (norte do Paraná) deu um verdadeiro salto neste ano. São 17 mulheres no Curso de Formação de Soldados. Quadro bem diferente dos anos anteriores. Só para ter uma noção, nas últimas três escolas, de 2010, 2012 e 2014, foram 13 mulheres inscritas. Na área do 10º BPM, 25 mulheres compõem o efeito feminino, com as novas alunas, o quadro vai aumentar em 68%. Já se comparado somente com as escolas, a presença feminina aumentou 130%.

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Foto: Sérgio Rodrigo


A tenente Kelly Wistuba de França, 32 anos, responsável pela Comunicação do 10º BPM, avalia que a inclusão feminina está associada ao exemplo. “As policiais começaram a ir para a rua executar atividades de policiamento e as mulheres começaram a ter esta imagem como exemplo e também a exteriorizar esse sonho, essa vontade de entrar na corporação”, acredita. Formada há 10 anos, ela avalia que neste período a presença feminina tem aumentado ano a ano. “De quando eu comecei a fazer escola para hoje, houve um aumento significativo”, afirma. Como exemplo, ela observa sua própria trajetória na polícia, em 2006, quando fez a Escola de Soldados, em Curitiba, de 120 alunos, 19 mulheres. “Hoje, de 49 alunos em formação no 10º BPM, 17 são mulheres”, compara. Quanto a formação, Kelly, que sempre sonhou em ser policial, garante que o Curso de Formação de Soldados tem currículo único, tanto para homens quanto para mulheres.

“A única diferença é com relação aos testes físicos. Nós temos duas tabelas específicas, a feminina e a masculina. Para as mulheres os índices são menores, porque comprovadamente as mulheres têm menos força física e resistência”, explica. A oficial observa que com relação às outras disciplinas, teóricas e práticas, as cobranças são as mesmas, para ambos os sexos. “A formação tem que ser a mesma, porque a missão também será a mesma. A mulher vai trabalhar na rua com policiamento preventivo, ostensivo e abordagens, assim como os homens”, argumenta.

Diferente, segundo Kelly, do entendimento de parte da sociedade, que associa a presença da mulher ao setor administrativo. “É um equívoco, porque a formação é a mesma, tanto nos Cursos de Formação de Soldados, quanto no Curso de Formação dos Oficiais, que desde o início não tem distinção de gênero”, ressalta. Na opinião da tenente, esta é a melhor forma de tratamento e formação. “Não queremos tratamento diferente, porque queremos conquistar o nosso espaço com os nossos méritos. Nós não queremos ter nenhum tipo de benefício”, sublinha. Sobre o Curso de Formação de Soldados, ela garante que homens e mulheres são tratados da mesma forma. “Têm mulheres que se destacam positivamente por ser, justamente, dedicada e por querer ocupar seu lugar e mostrar que é capaz, competente e excelente profissional”, pontua.

Corporação abriu as portas para elas em 1977 A tenente Kelly Wistuba de França observa que os principais desafios enfrentados pelas mulheres estão relacionados a própria educação familiar, como se impor diante do sexo oposto e administrar a dependência familiar. Ela revela que por experiência própria enfrentou dificuldades. “O meu primeiro efetivo era 100% de homens, mas eu procurei colocar em prática o profissionalismo aprendido em sala de aula e mostrar que o profissional tem sua competência independente de gênero”, comenta.

Kelly recorda que alguns homens não se sentiam à vontade por ser comandado por mulheres. Este cenário não mudou ainda, mas ela entende que está associado a presença recente da mulher na corporação. “Trabalhei para que me vissem não como mulher, mas como tenente da Polícia Militar”, afirma. O ingresso de mulheres na Polícia Militar começou em 1977. Na época, foi criada uma companhia específica para mulheres. “É um processo gradativo, mas neste período conquistamos um espaço relevante”, avalia. (V.B.)

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Admiração incentiva ingresso na carreira Um velho ditado diz que a palavra move, o exemplo arrasta. Talvez essa máxima popular tenha razão. Entre as entrevistadas pela Tribuna, todas foram categóricas ao afirmar que entraram na Polícia Militar por admiração. Caso da soldado Cidimara dos Santos, 34, que entrou na corporação em 2010, não foi diferente. Ela já havia trabalhado em supermercado, salão de beleza e em restaurante, mas se rendeu à PM por admiração. Para ela, foi um processo de adaptação tanto para as soldados quanto para a tropa, que não estava acostumada com a presença de mulheres. Sem grandes barreiras no dia a dia, Cidimara buscou na academia e em aulas de defesa pessoal melhorar o condicionamento físico.

Com a maior presença feminina na rua, ela recorda que não só homens tiveram que aceitar, mas as mulheres passaram também a ser mais abordadas durante as ocorrências. Além disso, era comum mulheres perguntarem como fazia para ingressar na PM. “A procura para saber informações era grande. E com a nossa presença viram a possibilidade de ingressar na corporação”, avalia. Já Andressa Monaco Hoffmann, 31, formada em Análise de Sistemas, após ser oficial temporária do Exército, resolveu apostar na carreira de policial militar. Durante um mês de aula, ela avalia que a formação é produtiva e gratificante e quer seguir carreira na PM.