Mundo Empresarial

Globalização financeira: EUA X CHINA

Da Redação ·
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Seguindo-se a proposta sobre financeirização, desenvolvimento econômico e a trajetória da globalização financeira, porque globalização financeira e financeirização caminham juntas. O processo de globalização é implementado principalmente a partir da metade dos anos 80 e passou a ser fundamentalmente importante para os Estados Unidos que possuíam a moeda mundialmente conversível. Note-se que, nesta pandemia, recentemente, nos últimos 12 meses, foram emitidos 3 bilhões de dólares. 

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O fato de determinado país dispor da moeda mundialmente conversível e que vai balizar os contratos pelo mundo, pode favorecer preponderantemente o país dono dessa moeda. Com isso, os Estados Unidos trabalharam nos anos 80 e 90 principalmente a questão sobre a valorização do dólar. Diante disso, era possível trazer produtos mais baratos para o mercado americano, com baixo impacto no processo inflacionário local, permitindo também a redução da taxa de juros americana com amplas possibilidades de indução de crescimento econômico.

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Note-se que esse processo de globalização financeira, acompanhou todo o processo de globalização produtiva ao redor do mundo. A China, que nos anos 70 e início dos anos 80, tinha uma economia equiparável à economia brasileira, soube muito bem jogar esse jogo de inserção no processo de globalização, principalmente em relação à sua regulação, na prevenção de crises monetárias, que assolaram muitas economias ao redor do mundo, como a crise russa, grega, mexicana argentina e brasileira em 1998. Com isso, a China soube blindar a sua economia, segurando a valorização de sua moeda, impondo forte regulação sobre a entrada e saída de capitais, para impedir especulações que levassem a crises financeiras internas.

Se de um lado, tinha-se a regulação que prevenia crises, de outro, tinha-se a modernização do parque produtivo, a melhoria da qualificação de capital humano em mão de obra e a busca por inovação contínua. Ocorreu a tal ponto que aqueles seus produtos, iniciados nos anos 80, considerados rudimentares e demasiadamente baratos - em virtude de mão de obra barata - nos anos 2000, chegaram em condições de representar fortes melhorias inovativas, a ponto de passarem a participar de todos os mercados mundiais. Esse modelo de combinação de moeda desvalorizada, com inovações contínuas em tecnologia, com melhoria do padrão produtivo, melhoria contínua da qualificação de mão de obra, buscando a contínua melhoria de capital humano, proporcionou à China a sua entrada em todos os mercados mundiais, permitindo avançada e contínua expansão anual do PIB, levando a melhorias da valorização do trabalho e a adesão de empresas internacionais – dada a melhoria de renda de seu grande mercado consumidor – cada vez mais fazendo parte do processo da economia chinesa.

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Esse modelo chinês mostra - muito semelhante à expansão da economia inglesa do século 19 - que se desenvolveu partindo do mercantilismo inglês, coordenado e incentivado pelo Estado inglês; observe-se que primeiro veio o processo mercantilista e depois o processo industrial. Era preciso aprimorar o processo mercantilista, para, em seguida, ajustar o processo Industrial, como um próximo passo e depois a primeira, a segunda e a terceira revolução industrial e, agora mais recentemente, a indústria 4.0 quando a Inteligência Artificial está presente no processo. Por outro lado, verifica-se que a outra forma de disseminar o crescimento econômico foi realizar aportes de recursos, que pudessem sustentar o processo de crescimento econômico chinês, por meio de um tripé muito bem articulado: as empresas estatais, os bancos públicos de fomento e as parcerias público-privadas. Observe-se que 80% dos créditos de incentivos a investimentos empresariais na China são disponibilizados por bancos públicos que asseguram o processo de fomento de crédito na economia chinesa.

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Relembrando, esse mesmo modelo foi utilizado como articulador do processo de crescimento brasileiro no período de 1968 a 1973. Note-se que em 1968, o Brasil alcançou um crescimento de 7% de seu PIB e esse modelo foi preponderante para que o processo de crescimento se desse, que as bases da indústria brasileira se fortalecessem e permitissem a sustentação das exportações nos anos que se seguiram, de tal forma que, entre os países emergentes, o Brasil pudesse ter construído naquele período, uma forte inserção industrial.

Verifica-se, entretanto, que a Teoria Econômica Empresarial tradicional, em suas vertentes, coloca estado e mercado em oposição, verificando-se que não se privilegia a expansão do crescimento econômico em todos os setores, mas apenas em setores selecionados, como no do mercado financeiro, ou na expansão da financeirização. Observando-se, no entanto, o exemplo chinês, sugere-se que diante da não existência de exemplos que levem ao processo de desenvolvimento por meio de políticas reducionista, para implementar crescimento e desenvolvimento econômico, é necessário, antes de tudo, um planejamento que envolva todos os setores e que não se coloque Estado e Mercado em oposição. Ambos, estado e mercado, nasceram juntos e possuem condições de potencializar crescimento e desenvolvimento, muito maior quando integrados e articulados de forma inteligente e planejada em todos os setores.