Crises Econômicas e a Influência de Coronavírus - TNOnline
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Escrito por Paulo Cruz
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Quando a economia tende a caminhar para a recessão, a política de governo precisa fazer movimentos para compensar quedas de investimentos e, no período de aumento dos investimentos o governo reduz os gastos para ficar próximo do pleno emprego. Políticas redistributivas, melhoram a desigualdade, asseguram estabilidade em momentos de crise e ajudam a assegurar volumes duradouros de emprego. Se o governo libera 100 ao rico, vai para a poupança, mas o pobre recebe e gasta toda esta renda e o consumo agregado aumenta. Consumo é um fator propagador do nível de renda e de estabilidade da atividade econômica empresarial, quando incentivado por meio de geração e distribuição de renda.


Diante da crise, pode-se reter moeda ou ativos financeiros. O empresário olha para os dois lados, nada garante que vá alcançar suas expectativas, dadas as flutuações, incertezas que podem ser crescentes diante de um mercado de consumo restrito. Quando retém moeda tem-se segurança, apesar de não haver rentabilidade. Desde que o futuro seja incerto, o investimento é volátil, sem trajetória regular. No futuro, ninguém sabe o que vai acontecer e, no futuro os empresários não estão dispostos a correr altos riscos. O futuro vai depender de expectativas de coordenação da crise, e que não são as mesmas ao longo do tempo.

Diante da Covid-19, todo cuidado é pouco para evitar que se propague, afetando, então, turismo importações, exportações e o mercado de produção e consumo em geral: o mundo se retrai e tende a parar economicamente. Passada a crise sanitária, as cadeias de suprimentos podem ser fortemente afetadas. Desenvolver novas cadeias de suprimentos leva tempo, algumas economias podem sofrer choques de ofertas e demandas para mais, ou para menos que podem gerar soluços de inflação com recessão. Isso tende a rebater – em cadeia – em todas as empresas do país. O processo inflacionário pode ter um pico e retornar ao normal posteriormente, porque famílias e empresas estão descapitalizadas.

O Banco Central pode assegurar uma taxa de juros reduzida – para diversos segmentos de crédito – para que a recuperação seja contínua e sustentável e, assim, as cadeias de suprimentos, interrompidas, possam se recompor com a possibilidade de melhorias para novos patamares. É hora de as empresas aplicarem as inovações pretendidas e que, no momento da crise, foram para a gaveta. Em média, 30% dos componentes utilizados na indústria, vêm do exterior, e é por isso que o impacto pode atingir em âmbito global todas as economias de todos os países e derrubar o crescimento mundial. Economias com forte poder de nacionalização – com reduzida dependência do exterior – podem sair na frente na recuperação. Nesse momento, uma campanha para que a população consuma produtos nacionais, pode ser importantíssima para a recuperação econômica empresarial e do mercado interno.

Na crise, empresas internacionais como as automobilísticas, poderão ter de ficar longo tempo parado, em virtude da carência de componentes, ou trabalhar com metade de sua capacidade. Passado o momento de crise, a reconfiguração de mercado para alguns segmentos pode ter fortes alterações competitivas. O mercado internacional tende a iniciar uma nova corrida competitiva, impondo novo padrão competitivo entre empresas e grandes grupos empresariais. Produtos como: eletro e eletrônicos, autopeças e de tecnologia da informação e comunicação tendem a ter alta de preços.

Embora a sociedade brasileira seja criativa em encontrar caminhos para driblar a crise, é preciso tomar cuidado. Se as medidas econômicas forem duras demais, pode-se incorrer num PIB negativo de -3, -5, gerando o aprofundamento geral da pobreza – que floresce como um castigo. – Nesses termos, a garantia de uma renda mínima seria importante para que se evite a pobreza extrema. A recuperação pode ser lenta e gradual exigindo-se reforço de investimentos públicos por longos ciclos. O aprofundamento da crise nos próximos trimestres pode exigir uma ação rápida, cooperativa e coordenada de organismos internacionais com governos nacionais, estaduais e locais. Investimentos em ciência e saúde – a partir de agora – passam a ser itens de primeira necessidade para todos os governos.

É preciso sermos criativos para preservar a vida, os empregos e a economia, pois saúde e empregos precisam caminhar juntos. À medida que a crise passa, é pensar em atividades e setores que possam, pouco a pouco, ir voltando à sua atividade normal, estimulando-se que os setores prestem serviços uns para os outros. É preciso manter os padrões de cuidados para preservar a vida, mas é preciso assegurar que a economia não saia demasiadamente esfacelada ao final da crise e, na saída dela, é preciso ter estímulos claros e bem definidos para a retomada do processo de crescimento entre setores, buscando primeiro a integração regional, estimulando-se gerar novas atividades econômicas que vão dar sustentação às atividades anteriores. Órgãos de saúde precisam ganhar reforço contínuo para atendimento aos acometidos pela Covid-19 e o planejamento econômico precisa estar ao lado, do início ao final da crise.

A gestão da crise precisa ter um olhar de conjunto em todas as suas fases, visando a vitória final, com preservação de vidas e a retomada do processo de crescimento no pós-crise. É preciso minimizar a redução de empregos e tentar gerar empregos novos de forma criativa. Serviços de delivery estarão cada vez mais em evidência pelas empresas. Não é hora, no entanto, de se aproveitar da crise para precarizar ainda mais as já combalidas garantias trabalhistas e salariais de qualquer categoria, ou a inanição do mercado de consumo interno se aprofundará com consequências irreversíveis, podendo gerar uma convulsão social potencial, comprometendo a retomada pós-crise.

Diante do aprofundamento da crise americana, a China passa a exportar sua experiência e a controlar a disseminação do vírus e a amenizar sua influência no contexto econômico. Aqui ciência e tecnologia podem ser definidoras para o controle de crises e a retomada do processo de crescimento econômico. É a atuação rápida de coordenação, cooperação e controle que permite preservar mais vidas e o estancamento, ou arrefecimento da crise. Como o centro da crise pode durar por 6 meses, tem-se de encontrar formas de atuação com proteção a todos os setores e segmentos que estão em situação semelhante. Conforme a crise sanitária vai sendo debelada, é possível, lentamente, acelerar os passos das atividades econômicas. Para isso, cidadãos e autoridades devem trabalhar unidos a fim de se derrotar a pandemia.

O momento em que a economia mundial mais cresceu foi no período 1946-1966, com o seguimento das orientações de políticas econômicas keynesianas, de indução ao crescimento e desenvolvimento. O melhor dos mundos parece não ser a radicalização para nenhum dos lados, não apenas do modelo de regulação e ação estatal, como também não só a total liberação. A liberação total é boa para alguns setores em momentos especiais da economia, mas tende a gerar concentração, instabilidade e aumento da pobreza, como ocorreu na década perdida dos anos 1980. Ao que parece, um equilíbrio entre as duas forças é o melhor caminho. Crescer e distribuir – fortalecendo o mercado interno – com regulação calibrada mediante o fortalecimento institucional parece ser o melhor para a sociedade em geral.

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