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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Políticas de Inovação Para o Desenvolvimento

Como um complemento às principais ações indutoras ao crescimento e desenvolvimento, ocorre o fortalecimento de políticas de inovação, não apenas de estágios sequenciais a partir de instituições científicas - políticas de inovações lineares - que progressivamente são transferidas ao setor produtivo, mas também aquela gerada fruto de relações entre empresas - políticas de inovações interativas - e instituições por meio de contratos que disciplinam relações de atores locais e regionais. Isto se dá através da integração dos diferentes agentes locais, valorizando a aproximação territorial com vista a estimular e fomentar o aprendizado e a difusão da tecnologia, amparado pelo conhecimento codificado e tácito de toda a rede de empresas locais.


As políticas lineares têm forte amparo em parcerias público privadas, por meio de financiamentos públicos ou através de incentivos e isenções fiscais direcionados a projetos de P&D. As políticas interativas estão amparadas em instituições de apoio empresarial, organizações coletivas e na interação de atores locais. Estas organizações se constituem em promotores de serviços tecnológicos, treinamento de recursos humanos, informação e design, entre outras. Esses avanços balizam o alicerce competitivo dos diversos setores econômicos, assim como os setores calçadistas, de bonés, confecções em geral e móveis.

Nas formas de atuação das Políticas Lineares: i) Busca-se a difusão hierárquica do conhecimento; ii) Busca-se a difusão de novas máquinas e equipamentos; e iii) Articula-se por meio de financiamento público pontual, ou por meio de subvenções e incentivos. Aqui a gestão é centralizada em um gestor público ou privado com regras bem definidas. Nas formas de atuação das Políticas Interativas: i) Articulam-se políticas direcionadas a interação indo de baixo para cima, ouvindo a necessidade das empresas; ii) Fomenta-se e se difunde o aprendizado de novas tecnologias nas redes de empresas locais; e iii) Fomenta-se financiamentos e incentivos direcionados à rede local, buscando o aprendizado e a dinamização do coletivo. Aqui a gestão é descentralizada e realizada por organizações locais intermediárias com regras bem definidas.

A partir dessa visão de instrumentalização de políticas direcionadas aos setores, valoriza-se principalmente o caráter interativo sem se esquecer da importância de se construir um ambiente macroeconômico favorável, de expectativas positivas a novos investimentos com sólida estrutura institucional aliada à política industrial e tecnológica. Pode-se definir objetivos com vistas à promoção da transformação e a passagem segura dessas aglomerações empresariais incipientes a condição de polos industriais inovativos consolidados numa cadeia de fluxo contínuo a montante e a jusante ampliando cada vez mais sua especialização e competências flexíveis.

Os objetivos podem passar por diversos caminhos como: i) revolucionar e estimular o ambiente, levando-o a aprender e a reaprender, incentivando, levando os recursos humanos a maximizarem cada vez mais suas capacidades com políticas que também priorizem a inclusão social; ii) Suprimir gargalos e ampliar economias de escalas. Um papel das políticas é organizar grupos de empresas e/ou toda a aglomeração empresarial local e regional, reduzindo ou eliminando seus obstáculos ao crescimento; iii) Viabilizar medidas para inclusão das novas tecnologias e melhorias de qualidade com vistas a busca de certificação; iv) Promover a infraestrutura da aglomeração empresarial visando a construção e ampliação de economias externas, principalmente no que se refere a energia, transporte e telecomunicações. Aqui o maior problema está em reorientar investimentos e cobrir falhas advindas tanto da parte do mercado quanto de ações de políticas públicas; v) Promover o fortalecimento contínuo de sinergias entre os atores da aglomeração empresarial local e regional. Este deve ser o objetivo fundamental das políticas de desenvolvimento local, levando as empresas a ganharem consciência de que suas conquistas são frutos de interação coletiva.

O desenho dessas ações visa ampliar a competência e desenvolver a inovação nas aglomerações empresariais locais e regionais como um todo e, para isso, deve-se percorrer critérios como: de neutralidade de iniciativas, a tal ponto que todas as empresas das aglomerações produtivas empresariais sejam beneficiadas, isto é, nenhuma empresa da aglomeração empresarial deve obter maiores vantagens que outras, respeitando sua capacidade específica; de reciprocidade, onde o projeto procura agrupar empresas de formas complementares, que mutuamente se beneficiem com a proximidade de suas atividades ao longo da cadeia produtiva; por fim, as empresas devem conhecer e se inspirar em projetos de demonstração que apresentem sucessos que já deram positivos resultados e podem ser imitados.

Vale ressaltar que esses objetivos passam fortemente, por políticas de inclusão social, apoiadas por instituições direcionadas à cooperação, amparadas no exemplo de projetos-pilotos com vista a intensificar a promoção de novas tecnologias e da cooperação no interior das aglomerações empresariais. Note-se que uma política pública de retomada do desenvolvimento industrial deve percorrer diversos caminhos para integrar os atores e promover o crescimento e desenvolvimento local/regional de forma integrada e planejada. Considerando que somente estabilidade da moeda não é suficiente para a promoção de desenvolvimento, precisa-se investir forte em políticas setoriais de indução ao crescimento e desenvolvimento.

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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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