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Paulo Cruz
Paulo Cruz

Fusões e Aquisições Empresariais

O que ocorre quando o país está em recessão? As vendas diminuem, os salários ficam travados, os negócios em quase todos os segmentos dão um passo à frente e outro para trás, é a crise que chegou. Empresários veem suas vendas caindo e, para não fecharem as portas, muitas empresas tomam a decisão de se juntarem. Pode ser um caminho para reduzirem custos fixos, minimizarem custos operacionais, ganharem novos mercados, saírem de um ponto de fraqueza e alcançarem um ponto de forte concorrência. O mercado fica em ebulição e, então, veem-se privatizações, fusões e aquisições ocorrendo. Pode ser, no entanto, que as empresas dispostas a se juntarem não tenham o mesmo valor de mercado e, portanto, após o negócio fechado, a nova empresa passa a existir - guardadas as proporções de valorização que cada uma tinha antes da junção - com cada uma mantendo o devido percentual da união total das empresas. Tudo ocorre, em se mirando o longo prazo.

O mercado é sempre o senhor dos anéis e é ele que vai definir a união em última instância. Certamente os empresários relutam em juntar as empresas, porque cada uma tem a sua cultura, seus hábitos e costumes, seu padrão de gestão, rotina e código de conduta e eles não mais se poderão considerar o dono do todo. Vão ser o dono, guardadas as proporções de responsabilidades e lucros que couberem a cada uma das partes. No momento seguinte, os empresários podem ter que conviver com um sócio e precisam se adequar a novas formas de gestão compartilhadas o que, muitas vezes, não é de sua vontade, mas é uma necessidade de sobrevivência imposta pelo mercado.

Nos anos 90, com a abertura econômica, vimos muitos exemplos de privatizações, fusões e aquisições empresariais. Foram cerca de mil e cem empresas públicas privatizadas. Considerando esse exemplo, inicialmente, nos dois primeiros anos, em geral as empresas tendem a passar por dificuldades e podem até reduzir seu lucro líquido e entrar no prejuízo. No terceiro ano, com todos os ajustes realizados e, a adequação da nova gestão, a nova empresa tende a obter lucro e a ganhar novas áreas de mercado. São os frutos do recomeço e da evolução das novas estratégias propostas pós fusão, ou aquisição.

Pode acontecer o contrário também, quando um empresário compra parte do outro empresário e divide a empresa, é a cisão. A empresa divide-se em duas e cada uma segue a sua vida. Há casos em que, feita a divisão, dividem-se as cotas de ações em operações da Bolsa. A Bolsa recebe as cotas com valores determinados, mediante avaliação especializada, mas é o mercado e o volume da procura que determinarão se as cotas ganham novos valores em operação. E, há casos de cisão, onde os antigos donos são de idades avançadas ou já faleceram, mas sempre têm uma motivação para o processo. Pode ocorrer ainda que a empresa - com seu departamento de pesquisa e desenvolvimento - venha a descobrir um produto importante, mas que destoa da atuação principal da empresa. Neste caso, para se explorar o novo produto, opta-se por criar uma nova empresa ligada ou não à antiga.

Em geral, as empresas efetuam um balanço de final de ano, quando seguem a escrituração contábil, verificando tudo o que há de ativo, do qual se subtrai os passivos, chegando-se ao balanço patrimonial. Verifica-se qual é o saldo e onde é possível observar a valoração da empresa, constatando se aumentou ou diminuiu, ou se se manteve estável. Há empresas especializadas em executar esse tipo de trabalho avaliativo, e o departamento de contabilidade, ou de controle da empresa avaliada dará acompanhamento ao processo.

As empresas passam por um período de transição tanto de preparação e maturação para privatizações, fusões e aquisições, quanto para as cisões, gerando divisão delas. Embora o momento econômico seja de dificuldade, os negócios continuam a ocorrer, considerando aquela velha máxima de que quem tem dinheiro ganha mais dinheiro.

Empresas de alta tecnologia é o setor que tem saído na frente em que mais tem ocorrido as  junções. Nesse processo de fusão e aquisições, Google, Microsoft, Facebook e Apple têm realizado grandes compras. Algumas menores e até startups têm ganho fortes injeções de investimentos por empresas nacionais e internacionais. Um recente exemplo é o do Uber. Os setores de bancos, principalmente buscando novas formas de aberturas de contas; empresas de energia e, outras, de varejo, como supermercados, farmácias e no segmento de cervejas, também têm dado forte impulso nesse processo.

Muitas empresas adquirem outras, assumindo significativos volumes de dívidas, ocorrendo que se paga um pequeno valor e se assume as dívidas pendentes da antiga empresa. Nesses casos, não se envolvem grandes volumes de capitais no momento da transação, porque a dívida assumida já representa parte do pagamento. As micro e pequenas empresas de variados segmentos, contudo, seguem a mesma lógica. O mercado de privatizações, fusões e aquisições está onde as oportunidades aparecem. Resta ao empresário avaliar quais pontos positivos e negativos e dar o passo com segurança na direção de parcerias de sucesso.


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Paulo Cruz
Paulo Cruz
Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor do Departamento. de Economia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana.
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