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    PREÇO DO LEITE

    Produção leiteira recua, contribuindo com alta nos preços na região

    A queda na produção de leite na região pressiona preços do produto no mercado para os consumidores

    Apucarana, que era o maior produtor da região, teve o maior peso na produção do núcleo regional do Deral, com uma redução de mais de 50%
    Foto por Pixabay- ilustração
    Apucarana, que era o maior produtor da região, teve o maior peso na produção do núcleo regional do Deral, com uma redução de mais de 50%
    Escrito por Da Redação
    Publicado em 20.06.2022, 23:00:00 Editado em 20.06.2022, 11:06:09
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    A produção leiteira vem caindo gradativamente a cada ano, em toda a região. Os custos de produção elevados e os baixos valores pagos ao produtor desestimulam os pecuaristas de leite, que abandonaram ou reduziram a atividade. A queda na produção está entre os fatores que ajudam a explicar a alta do leite no mercado para os consumidores.

    O efeito da queda na produção aparece nos números do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). De acordo com o núcleo regional do órgão, em Apucarana, a produção leiteira nos 13 municípios da base, que era de 22,1 milhões de litros em 2017, caiu para apenas 20,1 milhões de litros em 2021, uma queda na casa de 10%, que deve se acentuar para 2022, segundo estima o economista rural Paulo Franzini.

    Apucarana, que era o maior produtor da região, teve o maior peso na produção do núcleo regional do Deral, com uma redução de mais de 50%. A cidade produziu 5,1 milhões de litros de leite em 2017 e apenas 2,2 milhões de litros em 2021. Em Califórnia, onde a produção foi de 3,6 milhões de litros em 2017, a queda também é acentuada. Foi para 2,8 milhões em 2021, também registrando a saída de produtores considerados de grande porte. Rio Bom, que produziu 2,7 milhões de litros em 2017, produziu apenas 1,9 milhão em 2021.

    Franzini explica que nesses casos, os números foram provocados pelo encerramento de atividades por parte de produtores considerados grandes. “Eles trabalhavam com escala de produção. Ou seja, com investimentos maiores em tecnologia, equipamentos e genética. Mas com os preços médios baixos do leite e o aumento nos custos de produção, alguns migraram para outras atividades”, comenta o economista.

    Em algumas cidades, no entanto, percebe-se um pequeno aumento na produção leiteira e, nesses casos, o movimento é justamente pela entrada de alguns produtores ou de empreendimentos de pequeno porte. Em Arapongas, por exemplo, a produção que era de 2 milhões de litros em 2017, subiu para 2,6 milhões em 2021, onde se destaca a atividade da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa, que comercializa o leite e derivados da marca Campo Vivo, presente em 38 cidades do Estado, principalmente do norte e no Vale do Ivaí.

    Ao longo desses 5 anos, embora os preços médios ao produtor de leite tenham subido, em todo o Estado, ainda permanecem em faixas pouco atraentes para os produtores mais tecnificados, com maior volume de investimentos. O preço médio do leite pago ao produtor no estado era de R$ 1,28 em 2018, foi a R$ 1,34 em 2019, a R$ 1,64 em 2020 e só em 2021 conseguiu chegar a marca de R$ 2 por litro, atingindo o preço médio de R$ 2,08.

    Conforme acompanhamentos do Deral, o preço do leite nesse ano melhorou um pouco mais para os produtores, mas ainda remunera mal quando se considera a alta dos custos de produção, com mão de obra, insumos e equipamentos. Atualmente, o preço pago ao produtor está entre R$ 2,40 e R$ 2,50, por litro. Em maio, o preço médio no estado fechou em R$ 2,41.

    “Esses preços refletem no preço do leite no varejo, para os consumidores. Porém, o maior peso para justificar a alta no preço do leite no supermercado está nos custos de produção da indústria, com alta nas embalagens e da própria logística de transporte, que sofre o impacto da alta dos combustíveis”, analisa Franzini.

    Especificamente nesse período do ano, o leite está na chamada entressafra, pela sazonalidade da produção. O clima impacta na atividade, principalmente no Paraná, que é o segundo maior produtor nacional de leite, atrás apenas de Minas Gerais. Desde 2020 o estado vem sofrendo nesse período de inverno com geadas e períodos longos de estiagem, prejudicando pastagens e a produção de grãos, o que impacta na elevação dos custos da ração para os rebanhos leiteiros.

    Franzini destaca que outro fator que acabou concorrendo para a queda na produção com a saída de produtores de leite foi a mudança no mercado, ao longo dos últimos anos, com a chegada em escala dos leites em caixinhas, tipo longa vida. Essa linha de produto trouxe aos mercados locais e regionais a concorrência das grandes marcas nacionais e internacionais, reduzindo a competitividade regional, que basicamente operava com o leite em saquinhos, tipo “barriga mole”. “Isso afetou a dinâmica do mercado de leite nas regiões e impactou na cultura de produção”, explica.

    Na pesquisa da cesta básica, cujos preços são acompanhamentos mensalmente em Apucarana e Arapongas pelos cursos de Economia da Unespar, o leite teve aumento de 7,16%, em maio, considerando os preços pagos pelos consumidores. A estimativa é de nova alta, na casa de 8%, para a pesquisa relativa a junho, segundo dados do Conseleite/PR, entidade que reúne produtores e indústria de derivados de leite no Estado e que define o chamado leite padrão e acompanha os preços praticados no estado.

     Texto, Claudemir Hauptmann 

     

     

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