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    ACIDENTES NA SERRA DO CADEADO

    Polícia investiga grupo especializado em saques de cargas

    Novo caso de pilhagem de carga de caminhão acidentado na Serra do Cadeado põe em alerta autoridades, que investigam grupos organizados para esse tipo de crime

    Polícia investiga grupo especializado em saques de cargas
    Foto por Silvia Vilarinho
    Escrito por Da Redação
    Publicado em 10.05.2022, 12:42:51 Editado em 18.05.2022, 17:36:33
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    A prisão de pessoas que estiveram envolvidas com a carga de cigarros saqueada durante acidente na Serra do Cadeado, entre Mauá da Serra e Ortigueira, na manhã desta segunda-feira (09), colocou a Polícia Civil no encalço de um grupo criminoso que se especializou na pilhagem de cargas de caminhões acidentados na região.

    Três prisões em flagrante foram registradas ainda na segunda-feira (09), sendo duas pela Polícia Militar de Mauá da Serra e outra pela Polícia Civil de Ortigueira, pelas equipes comandadas pelo sargento Francis Lourenço Gomes e pelo delegado André Luis Garcia, respectivamente.

    Os grupos especializados no roubo de cargas em veículos acidentados na serra se comunicam muito rapidamente para realizar as pilhagens. É comum chegarem aos locais de acidentes antes mesmo que as equipes de socorro e não raramente esses grupos fazem ameaças aos caminhoneiros e ajudantes.

    Na região da Serra do Cadeado, envolvendo verdadeiras células criminosas, os saqueadores têm um grupo de aplicativo, onde conseguem trocar informações sobre acidentes e a ação das polícias. Os grupos foram identificados através de aparelhos celular apreendidos com os criminosos presos.

    O delegado da Polícia Civil de Ortigueira, André Luis Garcia informou que duas pessoas foram encaminhas na noite desta segunda-feira (09) para a delegacia local, uma delas sendo presa em flagrante pelo roubo de parte da carga do caminhão de cigarros acidentado na serra. O delegado informou que a pilhagem ensejou uma operação policial, ainda em andamento nesta terça-feira (10), que permitiu, ainda, a identificação de pelo menos mais cinco integrantes do grupo.

    Segundo ele, os saqueadores, embora bastante organizados, não são de um único grupo criminoso. Segundo o delegado, são dezenas de pessoas, que residem na zona rural e em bairros de Mauá da Serra e, principalmente, de Ortigueira.  “Esses grupos agem sistematicamente. São organizados e agem de forma muito rápida. Eles têm veículos leves e até caminhões para fazer os saques”, diz o delegado Garcia.

    Além dos grupos de mensagens pelo celular, os criminosos também usam rádios comunicadores, que ficam permanentemente em sintonia com as frequências usadas pelos bombeiros, Samu, Siate e polícia, para saber sobre os acidentes na região, especialmente na área da serra. “Por incrível que pareça, eles fazem só isso. São pessoas que vivem disso. Ficam à espreita aguardando os acidentes, que são frequentes na serra”, comenta.

    O delegado, que investiga os grupos e pretende chegar a outras células desse tipo de crime na região, diz ainda que o grupo estruturado na região, com homens e mulheres, tem capacidade e técnica para saquear qualquer tipo de carga, inclusive as de grãos, como soja e milho. “Eles sabem o que fazer e tem um método muito rápido de agir”.

    O sargento PM de Mauá da Serra, Francis Lourenço Gomes esteve à frente da equipe que ainda nesta segunda-feira (09) fez a prisão de um casal que estava com 10 caixas de cigarros roubadas do caminhão acidentado na serra. Uma mulher de 32 anos e um homem, de 24 anos, foram presos num Fiat Undo, que ia em direção a Mauá da Serra. A mulher presa já tinha antecedentes policiais, justamente por pilhagem de cargas de caminhões acidentados na serra.  Os dois foram encaminhados à delegacia da Polícia Civil de Marilândia do Sul. As 10 caixas de cigarros, cada uma com 500 maços de cigarros, foram avaliadas em R$ 25 mil reais, conforme valor de notas da mercadoria transportada. A carga total do caminhão de cigarros estava avaliada em R$ 2,4 milhões.

    No destacamento da PM de Mauá da Serra desde 2018,  o sargento Francis já viveu dezenas de casos similares, envolvendo o saque de cargas de veículos acidentados na região. “No meu primeiro mês aqui no destacamento, em 2018, teve o caso de um outro casal preso com parte da carga de porcelana roubada de um caminhão que se acidentou na região. A carga valia mais de R$ 350mil”, recorda.

    Também se lembra de outras prisões, envolvendo roubo e receptação de cargas pilhadas em locais de acidentes na região, desde carne congelada até ração de cachorros, leite e mesmo cargas a granel, como milho, soja e até farelo. O sargento PM de Mauá da Serra se lembra, ainda, de uma pessoa presa que relatou aos policiais que ficavam sabendo dos acidentes por um grupo de whatsapp existente na região. O grupo é identificado como “Tombadas da Serra”.

    Em março desse ano, por exemplo, uma carreta de soja, a granel, tombou no quilômetro 304. O motorista e seu ajudante ficaram feridos e uma empresa de segurança relatou à polícia que aproximadamente 50 pessoas estavam saqueando a carga de soja. As pessoas apareciam já com sacos e vasilhas para juntar a soja e levar para o mato. A Polícia ainda conseguiu conter o saque e mais de 50 sacos de soja foram localizados numa mata, ao lado da rodovia, no local do acidente.

     IMAGENS MOSTRAM PILHAGEM ORGANIZADA DA CARGA DE CIGARROS

    Imagens gravadas no local do acidente do caminhão de cigarros que tombou na manhã de segunda-feira (09), na Serra do Cadeado, mostra como rapidamente várias pessoas passaram a saquear a carga, contando com apoio de veículos leves e caminhonetes. A polícia de Ortigueira já identificou várias dessas pessoas e também de alguns veículos utilizados no crime. VEJA:   

      





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