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Felipe Ruiz explica como montar uma Carteira Previdenciária

Da Redação ·
Imagem ilustrativa da notícia Felipe Ruiz explica como montar uma Carteira Previdenciária
fonte: Reprodução/Google Images
Felipe Ruiz explica como montar uma Carteira Previdenciária

Muito se fala sobre as inúmeras vantagens que o investimento em ações apresenta sobre outras alternativas de investimentos disponíveis. Mas não basta apenas estar convencido de que o investimento nesta classe de ativos é o caminho mais adequado. Acima de tudo é preciso também definir a postura de atuação mais adequada no mercado. É justamente isso que faz toda diferença nos retornos de longo prazo de um investidor. Existem diferentes escolas que defendem modelos específicos de análise e abordagem para o investimento em bolsa de valores. Podemos segmentar essas modalidades em duas principais: fundamentalista e técnica. A análise fundamentalista, essencialmente, leva em consideração os fundamentos de uma empresa para definir seu valor intrínseco e, a partir daí, compará-lo com a cotação atual da ação. Empresas subavaliadas apresentam cotações abaixo de seu valor intrínseco, enquanto que as superavaliadas são cotadas acima desse valor. Já a análise técnica ignora os fundamentos de uma empresa e busca identificar padrões gráficos de preços para tentar prever o comportamento futuro da ação. A estratégia que nós do Ações Garantem o Futuro (AGF) defendemos e buscamos disseminar é a da Carteira Previdenciária. Essa metodologia foi idealizada pelo megainves4dor e nosso parceiro Luiz Barsi e vem sendo por ele ao longo dos últimos 50 anos. Foi justamente através desse formato de investimento em ações que Barsi conseguiu transformar sua vida profundamente, se tornando o maior investidor pessoa fisica da bolsa brasileira da atualidade. Nem mesmo sua origem humilde foi obstáculo para que Barsi pudesse deixar para trás a condição de engraxate na infância e se tornar bilionário. O conceito da Carteira Previdenciária é extremamente simples e se baseia nos princípios da análise fundamentalista. A ideia é que o investidor aplique sistema4camente seus recursos em ações de boas empresas, que sejam boas pagadoras de dividendos, pagando bons preços para adquirir essas ações. Conforme os dividendos são recebidos, esses passam a ser reinvestidos em novas ações, que por sua vez produzem mais dividendos. E assim sucessivamente. Para a Carteira Previdenciária são consideradas boas empresas principalmente aquelas que atuam em bons setores da economia, com atividades de característica perene, que possuem controladores e gestores competentes, e que já demonstraram um histórico de resultados e distribuição de proventos bastante consolidado nos últimos anos. Além disso, nessa modalidade de investimento o preço que se paga por uma ação importa e muito. Isso porque em ações existem duas formas essenciais de se obter retorno: através da valorização da cotação ou do recebimento de dividendos. Ambas são uma função direta do preço pago pela ação no momento do inves4mento. Ou seja, quanto menor o preço pago por uma ação em relação ao que ela vale intrinsicamente, maior seu potencial de valorização. E quanto menor o preço pago em função do dividendo distribuído, maior o retorno em dividendos, ou dividend yield.. Quando investimos em ações seguindo a metodologia previdenciária buscamos obter retorno através dessas duas formas já descritas. O retorno através de dividendos, entretanto, acaba sendo a forma prioritária. A mesma lógica se aplica a um investidor imobiliário tradicional. Com toda sua experiência acumulada ao longo dos anos, esse investidor espera momentos de baixa no ciclo imobiliário para adquirir bons imóveis a preços depreciados. Com um por]ólio de imóveis em mãos ele busca alugar esses imóveis para assim obter uma renda mensal de aluguéis. Ele não fica consultando corretores diariamente para saber quanto seus imóveis estão valendo no mercado. Somente se preocupa em garantir sua renda através dos aluguéis, pois sabe que, naturalmente, imóveis de qualidade e bem localizados tendem a se valorizar com o tempo. O pensamento com as ações deveria ser o mesmo. Dessa forma fica evidente um importante componente da estratégia previdenciária em bolsa: o foco do investidor deve estar primeiro no recebimento e multiplicação da renda (através dos dividendos), e somente depois no crescimento do patrimônio. E não o contrário. Como o recebimento de dividendos é algo praticamente gerando em ações dessa natureza, podemos ter um retorno assegurado tanto em períodos de alta quanto de baixa da bolsa, uma vez que a distribuição de dividendos depende única e exclusivamente dos lucros gerados pelas empresas. Ao mesmo tempo, a valorização dessas ações acabará sendo uma consequência natural do bom desempenho operacional das empresas no médio e longo prazo. Mas isso é somente uma consequência, e não o objetivo central. Incrivelmente, o investidor que exercita tal postura passa a aguardar ansiosamente os momentos de baixa no mercado, afinal é nessas horas que ele tem a oportunidade de “comprar um dividendo barato”. Acaba, inclusive, sendo algo contraintutivo, pois passa a torcer para o mercado cair no curto prazo, e não para subir. Não que torça para a economia se deteriorar, mas sim para que distorções temporárias apareçam nos preços, favorecendo a aplicação dos recursos que tem disponíveis em caixa.

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Felipe Ruiz explica como montar uma Carteira Previdenciária fonte: Reprodução/Google Images


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²Engenheiro com MBA pelo MIT e sócio-fundador do Ações Garantem o Futuro

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