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Lodo de esgoto beneficia produtores rurais no Vale do Ivaí

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Resíduo das estações de tratamento da Sanepar é transformado em adubo, traz ganhos econômicos, sociais e ambientais. (Foto: Sanepar)
Resíduo das estações de tratamento da Sanepar é transformado em adubo, traz ganhos econômicos, sociais e ambientais. (Foto: Sanepar)

Pequenas propriedades de café, laranja, soja, amora e trigo das regiões do Vale do Ivaí, Paranapanema e Norte Pioneiro, já começam a receber lodo gerado no processo de tratamento de esgoto da Sanepar. A previsão é que a Companhia de Saneamento do Paraná distribua cerca de 2 mil toneladas de lodo na Região Nordeste do Estado em 2020.
 
Um dos beneficiados, o agricultor Rogério Edson Tambarucci, de Lunardelli (a 25 km de Ivaiporã), comemorou a chegada do lodo de esgoto em sua propriedade nesta semana. Ele afirma que os resultados econômicos da aplicação do lodo foram visíveis logo na primeira vez em que usou o produto, em 2019, na plantação de laranja do Sítio São Benedito. Na área que recebeu o lodo, o ganho de eficiência da produção foi de 18%.
 
Empolgado com este resultado e com a possibilidade de ganhos progressivos ao longo dos anos, além da redução de custos com o preparo do solo, Tambarucci recomenda a adesão de outros agricultores. “Agrega valor. Diminui o custo de produção e a fruta fica com uma qualidade melhor, pelos nutrientes que têm neste produto”, afirma.
 
Segundo Rogério, o lodo da Sanepar foi recomendado por agrônomo especialista na produção de cítricos e é aplicado também em outra propriedade da família. O sítio dele tem 6 alqueires dedicados à produção de laranja, comercializada na região do Vale do Ivaí e Metropolitana de Curitiba.
 
QUALIDADE E PRODUTIVIDADE - Resíduo sólido resultante do processo de tratamento de esgoto doméstico, o lodo pode substituir, em parte, adubos químicos. O material é rico em cálcio, magnésio, nitrogênio e fósforo por causa da cal aplicada para higienizar e estabilizá-lo, isto é, torná-lo seguro para manuseio e produção agrícola.
 
A engenheira agrônoma Sandra Silveira, responsável técnica pelo Programa do Uso Agrícola do Lodo de Esgoto da Sanepar na Região Nordeste, atua no cadastro e orientação do agricultor, analisa os laudos técnicos e faz monitoramento das áreas, observando o correto uso do lodo e do solo.
 
“Fazemos visitas no campo, analisamos os laudos do solo fornecidos pelo agricultor e também do nosso lodo. O cruzamento destes dados, somando-se às características da propriedade e da cultura, nos permite calcular exatamente como deve ser aplicado o produto”, explica Sandra.
 
Ela destaca que, além do projeto agronômico, é essencial a capacitação do produtor para o manuseio e a aplicação do lodo. “Seguimos rigorosamente os critérios legais para explicar o que pode e o que não pode ser feito. Desde o primeiro contado, nosso foco é garantir a segurança que envolve todo o processo do campo à mesa. Temos certeza que, dentro disto, os resultados serão múltiplos”, salienta.
 
O gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Rafael Malaguido, destaca também o aspecto social do programa, já que o lodo é distribuído sem custo para o agricultor, com prioridade para os pequenos produtores. “Além disso, o programa traz ganhos ambientais porque dá destino mais nobre para o resíduo das nossas estações de tratamento de esgoto”, afirma.
 
EXPECTATIVAS – Descendente de poloneses, Cassemiro Naiewski cria bicho da seda no Sítio São José, em Arapongas, há 22 anos. Ele tem boas expectativas com a aplicação do lodo de esgoto na produção de amoreira, alimento da lagarta tecedeira.
 
O lodo entregue pela Sanepar no último dia 3 de março foi pedido por Cassemiro há cerca de dois anos, após observar os resultados registrados pelo vizinho que também cria bicho da seda. “A expectativa é grande. Porque o custo da produção fica muito alto se for comprar os insumos para amora. Com o lodo, já vem o calcário junto”, afirma.
 
A família Navarro iniciou a aplicação do lodo de esgoto da Sanepar nesta semana, respeitando o prazo de 15 dias desde o recebimento do lote. O pai Adilson e os filhos Renato e Rodrigo produzem café no Sítio Bom Jesus, no Distrito Pirapó, em Apucarana. “Tivemos indicação da Emater, e os técnicos da Sanepar nos trataram muito bem. Além disto, a gente analisou, pesquisou e constatou que seria ótimo. Estamos na expectativa de que exista melhora na fertilidade do solo e qualidade das plantas”, destaca Adilson.
 
100% SEGURO – Antes de ir para a agricultura, o lodo de esgoto distribuído pela Sanepar recebe tratamento para eliminar patógenos e torná-lo 100% seguro para o manuseio em campo. Ainda assim, a legislação brasileira restringe o uso para culturas que tenham contato direto com o lodo. É proibido o uso em hortas, tubérculos, raízes, culturas inundadas, bem como áreas de integração de lavoura, pecuária e floresta, por exemplo.
 
O técnico agrícola da Emater em Apucarana Marcos Antonio Sanchez tem acompanhado a aplicação do lodo de esgoto na Sanepar na região. “Temos notado um resultado positivo, principalmente na lavoura de café que a gente atende. Estamos junto com a Sanepar, fazendo divulgação do programa porque é um produto seguro, fácil de manusear. É um produto a mais para auxiliar o agricultor”, destaca.
 
Marcos e a engenheira Sandra Silveira lembram que também há restrições de uso do lodo em áreas próximas a poços, minas e residências.
 
A segurança do lodo é garantida pelo cumprimento de normas federais como o Decreto n. 4.954, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e a Resolução do Conama 375/06, do Conselho Nacional do Meio Ambiente. No Paraná, a Resolução da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) n. 021/09 estabelece os critérios para uso seguro do lodo de esgoto na agricultura.
 
Legendas:
 
1 – Agricultores da região Nordeste do Paraná adubam solo com lodo de esgoto da Sanepar (na foto, a engenheira Sandra Silveira com Rodrigo e Alcides Navarro de Apucarana)
 
2 – Resultados comprovados: Rogério Tambarucci, de Lunardelli, teve um aumento de 18% na produção de laranja com o lodo aplicado em 2019
 
3 – Lodo de esgoto higienizado e estabilizado é distribuído de graça para agricultores
 
4 – Orientação técnica garante uso correto do lodo e do solo (na foto, a engenheira agrônoma Sandra Silveira e o engenheiro civil Vinicius Vasilio, da Sanepar, com Cassemiro Naiewski, de Arapongas)
 
5 - Orientação técnica garante uso correto do lodo e do solo (na foto, a engenheira agrônoma Sandra Silveira e o produtor Rodrigo Navarro, de Apucarana)
 
6 – Parceria com Emater auxilia na divulgação do Programa do Uso Agrícola do Lodo de Esgoto (na foto, a engenheira agrônoma Sandra Silveira, da Sanepar, o técnico agrícola da Emater em Apucarana Marcos Antonio Sanchez e os produtores Rodrigo e Renato Navarro, de Apucarana)
 
7 – Resíduo das estações de tratamento de esgoto da Sanepar é tratado para beneficiar agricultura paranaense (na foto, a Unidade de Gestão de Lodo (UGL) da Estação de Tratamento de Esgoto [ETE] Barra Nova em Apucarana)
 
 

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