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O impacto da duplicação da Rodovia do Café

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A tão esperada obra de duplicação da BR-376, entre Apucarana e Ponta Grossa, cortando o Paraná de norte a sul, deve reduzir acidentes, ‘encurtar’ as distâncias entre norte e sul do estado, além de trazer mais conforto a motoristas e passageiros. A obra, que começou em janeiro de 2014, está sendo realizada pela iniciativa privada, através da concessionária CCR RodoNorte, que adquiriu os direitos de administração do trecho há pouco mais de 20 anos.

Para entendermos o papel que a BR-376 desempenha, é preciso abordar a situação da produção agrícola do Paraná e também dos estados vizinhos. Transporte e agronegócio podem parecer áreas distantes, mas na realidade são indissociáveis, sendo que um depende do outro. E o que faz da BR-376 um corredor estratégico do ponto de vista logístico chama-se Porto de Paranaguá.

Boa parte da produção paranaense passa pela BR-376 | Foto: Delair Garcia

Localizado no litoral paranaense, o Porto de Paranaguá é o segundo maior exportador de produtos agrícolas do país. E o envio de commodities para o exterior através do porto bate recorde atrás de recorde. Neste primeiro semestre foram 8,6 milhões de toneladas, marca nunca antes alcançada, sendo a soja o principal grão, com 5,6 milhões de toneladas.

O Porto de Paranaguá fica atrás apenas para o Porto de Santos (SP). Porém, o que diferencia os dois é que o porto paulista recebe 68% de suas cargas através de ferrovias. Já no porto paranaense, este volume é de apernas 20%. Ou seja, 80% de toda a produção agrícola que chega em Paranaguá para ser despachada a outros 170 países, com destaque para a China, vem através de caminhões.

Logística

Ao todo, 61% de tudo o que é comercializado no país passa pelas rodovias, aponta levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Esse volume de produtos é destinado tanto para suprir a demanda local quanto para a exportação. A localização geográfica estratégica do Paraná faz com que muitos desses produtos sejam escoados pelas rodovias locais, sobretudo pela BR-376, a Rodovia do Café.

Fluxo de caminhões é grande na Rodovia do Café | Foto: Delair Garcia

Por isso, a duplicação desta via é fundamental. O trecho em obras compreende os 231 quilômetros que separam Apucarana e Ponta Grossa. Hoje, sete frentes trabalham para finalizar a obra até 2021, data em que acaba o contrato de concessão da rodovia. Vários trechos já foram entregues, como a ligação entre Apucarana e Califórnia, o entroncamento na entrada de Apucarana e também trechos no município pontagrossense.

Danilo Lemos Freire, coordenador do curso de Logística da Faculdade do Norte Novo de Apucarana (Facnopar), afirma que a duplicação da Rodovia do Café é extremamente importante para o mercado. “O custo final de uma mercadoria é calculado através de uma série de fatores. Um dos que mais pesa no custo final é o transporte. Com a duplicação da rodovia BR-376, a tendência é de que os valores empregados no transporte caiam, o que pode impactar positivamente no valor final dos produtos”.

Ele ressalta que uma rodovia duplicada faz com que o fluxo de veículos aumente. “Isto reduz o tempo de viagem significativamente. Uma rodovia de qualidade também diminui os gastos mecânicos. Tudo isso faz com que empresas de logística e transporte se tornem mais competitivas, já que elas têm a eficiência aumentada”.

Às margens da rodovia

Vivendo às margens da BR-376, a família Gerber foi testemunha do crescimento e desenvolvimento da Rodovia do Café ao longo de quase 60 anos. Os membros da família viram de perto o barro ser coberto pelo asfalto, no início dos anos 1960, o fluxo de pessoas e cargas, acidentes graves e agora, já na terceira geração, aguardam ansiosamente aquilo que julgam ser a maior revolução da história da pista: a duplicação do trecho entre Apucarana e Ponta Grossa. As obras já estão em andamento, com nove frentes de trabalho.

A família se estabeleceu no quilômetro 297 da rodovia no ano de 1960. Frederico Gerber, 77 anos, conhecido como ‘seu Fritz’, se lembra bem da época. “Meu pai veio da Alemanha e conheceu minha mãe em Porto Alegre. Após a morte dele, minha mãe se casou de novo. Nós nos mudamos muitas vezes, até nos estabelecermos aqui no Paraná. Meu padrasto foi contratado para cuidar de uma propriedade e então viemos todos para cá”, diz.

'Seu Fritz' e o filho, Edson: família se estabeleceu na Rodovia do Café há 60 anos | Foto: Delair Garcia

Logo que chegou, Frederico, então com 20 anos, resolveu montar um negócio próprio. Nascia o Restaurante Holandeza, encravado no topo da Serra do Cadeado. “Era uma época difícil. Não existia energia elétrica nem asfalto. A eletricidade vinha de um motor a diesel. Já o transporte era bem complicado, porque não havia asfalto e a gente precisava buscar os produtos em Apucarana. Dependendo do estado da pista, essa viagem podia durar até dois dias”, explica ele.

O restaurante foi um dos primeiros a se instalarem às margens da rodovia, em uma época onde a região carecia de pontos de apoio para os viajantes. Para se ter uma ideia, o município de Mauá da Serra ainda não existia.

Asfalto

Dois anos depois, a pista finalmente começou a ser asfaltada. Com mais conforto, a rodovia começou a apresentar um maior fluxo de veículos. Eram milhares de carros, caminhões, carretas e ônibus, que todos os dias enchiam a pista e paravam no restaurante.

No entanto, o aumento do tráfego acabou trazendo um problema: o aumento nos acidentes. A Serra do Cadeado, onde fica o restaurante, era o trecho com maior número de acidentes em todo o Paraná, sendo chamada de ‘Estrada da Morte’ entre os anos 70 e 90. Por conta da imprudência e do abuso de velocidade, não eram raros o tombamento de caminhões e a colisão de veículos naquela época, a maioria apresentando vítimas fatais.

“Nós éramos o ponto mais próximo na serra. Por isso, cansamos de levantar de madrugada para dar os primeiros atendimentos a vítimas de acidentes. Perdi as contas de quantas pessoas já socorremos e levamos para o hospital em Apucarana. Sem estrutura, a polícia rodoviária ligava para nós no meio da noite para que pudéssemos ajudar. Era muito complicado”, afirma Frederico.

Situação da Serra do Cadeado antes da duplicação era precária | Foto: Divulgação

Esta situação acabou após a concessão da rodovia para a CCR RodoNorte, em novembro de 1997. “Quando falamos de concessão, a maioria das pessoas fala muito sobre os investimentos na pista, como a duplicação da Serra do Cadeado e agora com as obras entre Apucarana e Ponta Grossa. Mas nós vimos como o serviço de atendimento mudou. Antes, éramos nós, proprietários de um restaurante, que dávamos assistência, porque muitas vezes não tinha mais ninguém. Hoje existem ambulâncias com médicos, equipes preparadas, que atendem não apenas quem trafega pela rodovia, mas também o pessoal que mora próximo à pista”.

Revolução

Há cerca de 10 anos, quem comanda o restaurante é Edson Gerber, filho de Frederico. Ele já trabalhava com o pai antes disso e se lembra de quando a Serra do Cadeado foi duplicada, em 2001. “O tráfego de caminhões na época foi interrompido por cerca de um ano, até que a pista fosse liberada por completo. Me lembro a revolução que foi. O número de acidentes no trecho reduziu significativamente”, destaca.

De acordo com a CCR RodoNorte, antes da duplicação, em 1996, foram registrados 299 acidentes, uma média de até seis acidentes por semana, no trecho de 11 quilômetros da Serra do Cadeado. Estes acidentes causaram 31 mortes e 291 feridos. Em 2003, com a serra já duplicada, foram registrados 176 acidentes, queda de 41,1%. Foram 58 feridos (-79,7%) e oito mortes (-74,2%).

De acordo com Frederico Gerber, a duplicação total do trecho de 231 quilômetros da Rodovia do Café vai ser uma revolução ainda maior do que a própria chegada do asfalto ao trecho. “Não tem como não achar positivo a duplicação, que só é possível através da concessão. Por conta da importância desta rodovia e do intenso fluxo de veículos, não duvido que o impacto vai ser ainda maior do que há 55 anos, quando a pista foi asfaltada. Vai ser uma revolução maior ainda, com mais segurança e conforto para os motoristas”, ressalta.

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