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Centros especializados tratam 250 vítimas de abuso na região

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A violência contra a criança e ao adolescente, independente da forma como é praticada, gera um grande trauma, que sem o acompanhamento necessário, dificilmente será superado. Dados dos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas), de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, revelam que atualmente, 250 vítimas dos mais variados abusos, sobretudo violência sexual, estão em tratamento nos três maiores municípios da região (veja no gráfico). O índice, que compreende crianças, adolescentes e familiares, denuncia a extensão da violência contra menores e mostra a importância da manutenção das redes de acolhimento.

A cobertura maior foi constatada em Arapongas, com atendimento de 144 pessoas, entre crianças e adolescentes, recebendo acompanhamento psicológico. A gerente da proteção social especial, Márcia Bispo Barca, considera o número muito elevado, mas por outro lado, destaca que o acréscimo foi influenciado pelo aumento das denúncias da população, possibilitando a identificação das vítimas e encaminhamento para o centro de apoio. “Tenho certeza que o número de vítimas é bem maior do que o divulgado. Muitas ainda têm medo de denunciar”, afirma.

O trabalho de identificação das vítimas envolve uma parceria importante entre entidades de apoio e instituições de ensino, gerando uma forte corrente de denúncia. “As escolas fortalecem as queixas porque, geralmente, as crianças têm medo de contar para os pais, e acabam se abrindo com seus professores”, complementa. 

ACOMPANHAMENTO

O serviço de acolhimento consiste em várias etapas cruciais para a recuperação das vítimas. O primeiro passo é identificar o tipo de violência que pode abranger a negligência, abuso psicológico, físico e sexual.

A psicóloga do serviço de proteção à criança e ao adolescente de Apucarana, Nayara Rodrigues Palogan, explica que o primeiro contato é realizado na casa da vítima.  “Uma equipe faz a visita para conhecer a família e identificar o perfil social e depois iniciamos o acompanhamento no Creas”, explica.

A duração do tratamento depende da gravidade do abuso e da resposta que a vítima dá no decorrer da terapia, explica a psicóloga. “Existem casos que estão sendo acompanhados há mais de 4 anos”, conta.

Contudo, a psicóloga afirma que as situações mais delicadas e que exigem mais tempo de acompanhamento são as que envolvem violência sexual. “Quando a vítima é criança, existe um certo receio em falar sobre o assunto. Neste caso, trabalho com materiais lúdicos e pedagógicos para evitar que o tratamento traga o sofrimento novamente. E mesmo os adolescentes que já tem uma maior compreensão sobre a situação existe uma dificuldade em falar sobre a violência e vão contando devagar”, conta a psicóloga.

Os profissionais responsáveis pelo tratamento também atendem os familiares das vítimas, que também são afetados pelo trauma.

Na tarde de ontem a Secretaria da Assistência Social entregou cinco brinquedotecas destinadas a crianças e adolescentes, como parte da programação da Semana Nacional de Combate à Exploração e Violência Sexual contra Criança de Apucarana.

“A atividade desenvolvida com esse material facilitará o desenvolvimento cognitivo, intelectual e afetivo das crianças e adolescentes, além de trabalhar o lúdico de forma concreta. O material ainda é um atrativo para que as crianças se sintam protegidas e seguras nos atendimentos direcionados ao fortalecimento de vínculos afetivos e familiares”, explica a secretária da Assistência Social, Márcia Regina de Sousa.

INQUÉRITOS POR ESTUPRO

Dados da Delegacia da Mulher de Apucarana, apontam que, só este ano, 18 inquéritos foram instaurados, pelo crime de estupro de vulnerável. O índice representa 81,8% dos 22 procedimentos de todo o ano passado. Também neste ano, foram abertos dois inquéritos para investigar casos de aliciamento de menores e armazenamento de pornografia infantil em computadores.

Ao acompanhar casos de violência sexual, a delegada Iane Cardoso Nascimento, pode definir o perfil dos criminosos. De acordo com ela, geralmente são pessoas da família ou que fazem parte do convívio da vítima.

“São crimes que tão logo o responsável tomar conhecimento deve comunicar a autoridade policial. É imprescindível evitar fazer perguntas para a criança, para não comprometer a investigação e evitar de entrar em contato e atrito com o suspeito para evitar fuga”, orienta a delegada.

Conforme a delegada, a pena varia de 8 a 15 anos de prisão.




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