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Série Antiga Civilização do Vale do Ivaí: As lendas e o extermínio dos povos

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 O álbum Paebiru, de Zé Ramalho e Lula Cortês foi inspirado nas lendas de Pai Zumé e no Caminho do Peabiru
O álbum Paebiru, de Zé Ramalho e Lula Cortês foi inspirado nas lendas de Pai Zumé e no Caminho do Peabiru

 

O TN Online exibe uma série de reportagens especiais sobre os povos antigos que habitaram o Vale do Ivaí. Na primeira reportagem, você conheceu o povoado jesuíta de Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix. Na segunda reportagem, falamos sobre o Caminho do Peabiru, uma estrada construída pelos índios há mais de mil anos, que ligava o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico e que passa pelo Vale do Ivaí.
 
Hoje, na última reportagem da série, você vai conhecer algumas lendas que cercavam os índios e jesuítas que viviam à margem do Rio Ivaí nos idos do século XVI e também como os índios foram exterminados e os jesuítas espanhóis expulsos dessas terras.
 
No século XVI repercurtiu pela Europa a descoberta de uma estrada de uma trilha pavimentada construída há centenas de anos, que cortava a América do Sul. O Caminho do Peabiru passou a ser um ponto de referência. As pessoas que falavam sobre o Peabiru declaravam bastante misticismo sobre a famosa trilha.
 
O Caminho do Peabiru chegou a ser comparado com o Caminho de Santiago de Compostela. Alguns historiadores afirmam inclusive que ambas as trilhas teriam alguma ligação direta.
 
Os índios que habitavam os arredores do Caminho do Peabiru praticavam uma religião em comunhão com a natureza. Várias lendas alimentavam as tradições e crendices dos indígenas.
 
Uma das principais histórias que os indígenas contavam era a de Pai Zumé; um homem que teria aparecido há mais de mil anos portando uma cruz e que cruzou o território sulamericano pregando e profetizando. Pai Zumé era uma figura de culto imenso dos indígenas.
 
A lenda de Pai Zumé era contada principalmente pelos povos que habitavam as áreas do atual Estado do Paraná e o Paraguai.
 
No ano de 1639, o jesuíta Antonio Ruiz de Montoya disse “a doutrina que eu agora vos prego, perdê-la-ei com o tempo. Mas, quando depois de muitos tempos, vierem uns sacerdotes sucessores meus, que trouxerem cruzes como eu trago, ouvirão os vossos descedentes essa doutrina". O padre Antonio Ruiz percorreu todo o sertão paraguaio e interior do Paraná.
 
Munido de sua cruz, o jesuíta seguia os passos orientado pela história centenária de Pai Zumé. O padre Antonio Ruiz acreditava que Pai Zumé era na verdade o apóstolo Tomé, aquele que pediu para Jesus Cristo mostrar suas marcas diante da crucificação.
 
A lenda de Pai Zumé foi também um dos fatores primordiais na catequização e domesticação dos índios pelos jesuítas. Segundo a lenda, Pai Zumé dizia que algum dia, chegariam sacerdotes, portando uma cruz e que estes os conduziria à terra sem mal.
 
Diante de uma profecia assim, os jesuítas foram bem aceitos nas aldeias em que prevalecia a lenda de Pai Zumé. Isso explica o fato de várias etnias não terem sido domesticadas naquela época.
 
Os índios acreditavam também que o Caminho do Peabiru, se seguido até o fim, conduziria a um nirvana; uma terra sem mal, onde a vida é eterna. Há historiadores que afirmam que o Estado do Paraná era tido como uma espécie de paraíso, uma terra digna.
 
A procura pela terra sem mal foi outro fator que levou ao êxito a missão dos jesuítas. Já que, segundo a religião católica, aqueles que seguem os passos de Cristo aqui na Terra são conduzidos para o reino dos céus na posterioridade.
 
Os jesuítas fizeram uma verdadeira revolução nas aldeias. Implantaram a religião católica, ensinaram técnicas agrícolas, artes plásticas, e implantaram uma nova política de organização. Os padres nunca procuraram dar ordens diretas aos índios, procurando sempre persuadí-los para manter o controle social.
 
Ainda no século XVI, os jesuítas já haviam construído reduções por toda a região Sul. A esta altura, as reduções não eram apenas povoados de espanhóis e indígenas. Eram verdadeiros centros econômicos e culturais.
 
As reduções foram um sistema que deu tão certo, que logo os jesuítas passaram a se organizar e a planejar um novo Estado. A República Guarani, como era chamada, articulava sua independência da Espanha e de Portugal, já que os padres jesuítas tinham que se curvar diante de ambas as coroas.
 
Percebendo a movimentação política na região, Portugal e Espanha decidem declarar guerra aos separatistas  da República Guarani; por determinação do rei, passaram a se formar as bandeiras. Grupos armados que desbravavam o mato, escravizavam indígenas e exterminavam os espanhóis.
 
Logo no início das bandeiras, a povoação do Vale do Ivaí foi atacada por Manoel Raposo Tavares e seus bandeirantes. No ano de 1632.
 
Ao serem expulsos, os índios marcharam pela margem do rio Ivaí, atravessaram o Oeste e foram se instalar na outra margem do rio Iguaçu, no território do Paraguai. Os indígenas não tinham forças para resistir ao homem branco, já que além de ter modificado sua cultura, os jesuítas não possuíam nenhum projeto de defesa militar.
 
A povoação de Vila Rica do Espírito Santo reconstruiu-se por mais 5 vezes e foi atacada pelos bandeirantes, vindo depois a se instalar no Paraguai e formar o que hoje é o município de Villa Rica Del Espiritu Santu, na província de Assunção.

O Caminho do Peabiru ainda permanece em alguns pontos do Vale do Ivaí; contando uma história milenar, escondida diante dos pés vermelhos que hoje habitam a região.

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