Região

Menino passa a noite preso em ginásio

Da Redação ·
Thiago e o pai Rodiney
fonte: Sérgio Rodrigo
Thiago e o pai Rodiney

Um menino de oito anos passou momentos de terror ao ficar preso por 15 horas no banheiro do ginásio de esportes de sua escola, no município de Mauá da Serra.
Thiago dos Santos Gonçalves, que se trancou no banheiro por volta das 14 horas de segunda-feira, só foi encontrado às 5 horas da manhã de ontem pela diretora e professores da escola.

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Além da Polícia Militar, pais, professores, familiares e parte da comunidade ajudaram nas buscas iniciadas no final da tarde de anteontem. Até mesmo em matas nas cercanias da cidade foram vistoriadas. O garoto foi visto pela última vez na escola Mauro Wicthoff.


Thiago foi ao banheiro do vestiário do ginásio de esportes após a aula de Educação Física. As demais crianças e professor saíram e foram à biblioteca.
A porta emperrou e a criança não conseguiu abri-la. “A porta não tem trinco, só a chave. Uma criança, não consegue puxar, porque ela trava no chão”, contou o pai, Rodiney Aparecido Gonçalves, 29 anos, higienizador.

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A falta do menino só foi percebida pelos professores por volta das 17 horas depois que o material escolar dele ficou na sala de aula.


De acordo com o menino, além do vaso sanitário, no banheiro havia o cesto de lixo e uma cadeira. Foi sentado nela que ele passou a noite esperando por ajuda.
“Passei frio e fome. Tive medo de morrer. Mas pensava que meus pais estavam me procurando”, conta o menino, que afirma que uma borboleta que ficou presa com ele o ajudou a passar as horas.


O local estava úmido, mas iluminado. “Ainda bem, porque apesar dele ser bastante calmo, poderia entrar em desespero sozinho no escuro”, observa o pai.

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O ginásio é utilizado pela comunidade no período da noite. Teve jogo na quadra. Mas os atletas não ouviram os gritos do menino. “Eu gritava: socorro, estou preso aqui!”, relata Thiago Gonçalves.


A família acredita que houve falha da escola. “A turma saiu do ginásio, foi à biblioteca e depois voltou para a sala de aulas. E ninguém viu que ele não estava lá?”, questiona o pai. “Graças à Deus está tudo bem, mas poderia ser pior”, diz Gonçalves.

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Direção admite falhas


A escola Mauro Wicthoff é um centro de atividades de contraturno do período integral. O menino Thiago Gonçalves e seus colegas da 4ª série frequentam a escola todas as tardes.


De acordo com a direção da escola, eram 18 crianças que tinham atividades com professores diferentes, o que pode ter contribuído para que sua ausência não fosse notada.


A biblioteca municipal, para onde o restante da turma foi depois do ginásio, é distante da escola. As crianças foram à pé acompanhadas de três professoras. Ninguém percebeu a falta do menino até que voltassem para a escola. A diretora, Lindamir Cordeiro de Almeida, conta que as buscas iniciaram do suposto sumiço a partir da biblioteca. Colegas do menino disseram ter visto ele no local. “O vigia, antes de fechar o ginásio olhou no vestiário não viu ninguém e trancou a porta. À noite os jogadores usam outro banheiro”, contou a diretora, que admite as falhas. “Sabemos que erramos. É óbvio que serve de lição para todas as escolas tomarem medidas para não ocorrer casos semelhantes”, afirma Lindamir (E.S.)