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Depressão atinge cerca de 40% da população de idosos

Da Redação ·
Nos bailes, os idosos fazem exercícios físicos e amizades
fonte: Google Imagens
Nos bailes, os idosos fazem exercícios físicos e amizades

Envelhecer é algo que acontece gradativamente com todos, deste o momento do nascimento. Entretanto, o envelhecimento não é uma tarefa fácil, principalmente quando chega à Terceira Idade. Muita coisa muda. Muitas perdas acontecem. Às vezes, não há outra alternativa senão morar em abrigos.
 

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Em Apucarana, o Lar São Vicente de Paula acolhe 91 pessoas com mais de 60 anos. São 46 homens e 45 mulheres. A vinda é motivada por diversas razões. Em alguns casos, é a própria equipe da unidade que identifica o idoso e o apresenta ao lar.


Aposentada Joana Xavier, 74 anos, conheceu o Lar São Vicente desta forma. “Eu vim porque estava doente e meu esposo também. Não tinha ninguém para cuidar da gente. Então, a assistente social foi lá e falou que não podíamos ficar daquele jeito”, recorda.



A aposentada mora há 4 anos no abrigo. O esposo de dona Joana faleceu e ela continuou no Lar São Vicente. Segundo ela, o filho adotivo, que atualmente mora em São Paulo, veio buscá-la para morar com ele e sua família. “Não me adaptei. Tem que ficar o tempo trancado em casa. É muito perigoso”, diz Joana.


Depressão
 

No Lar, sempre tem alguma atividade para os idosos, como a palestra com o geriatra Leonardo Marchini, que aconteceu nesta quinta-feira (30), dentro da Semana Nacional do Idoso. Se manter ativo é fundamental para deixar de lado um inimigo silencioso: a depressão. A doença atinge até 40% dos idosos. Por isso, a unidade mantém uma equipe médica sempre atenta.
 

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Quando o idoso mora em casa, são os familiares que devem ficar atentos aos quadros acentuados de tristeza, sentimento de inutilidade, euforia excessiva e pensamento suicida. Entretanto, não confunda tristeza com depressão.


De acordo com o psicólogo Gleyson Reis, o diagnóstico na Terceira Idadeé um pouco mais complicado porque os familiares confundem com outras doenças típicas da idade. Quando comprovado o caso, o tratamento recomendado é tanto o medicamentoso como a psicoterapia. “A medicação vai ter uma ação mais imediata. Só que ela vai ter um impacto mais focal. Mas o paciente pode ter uma reincidência porque a causa não é tratada com o medicamento”, afirma.
 

Reis Explica que é a psicoterapia que vai atuar nessa área. “É um espaço de escuta que vai descobrir o que originou que a pessoa desenvolvesse o transtorno depressivo”, esclarece.
 

Para ficar longe da depressão nada melhor que viver um velho ditado popular quem canta seus males se espanta ou melhor, quem dança seus males se espanta.
 

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Bailes da Melhor Idade
 

Segundo o psicólogo Gleyson Reis, os bailes específicos para essa idade são recomendados por diversos fatores. “Conseguimos exercitar com esses bailes a socialização, o relacionamento interpessoal e a atividade física”, diz. Ele ressalta que toda a atividade física é um aliado muito grande na terceira idade, porque faz com que eles se sintam revigorados. “Também da aquela sensação que eles são bons pra alguma coisa ainda. E age diretamente na auto-estima da pessoa. Esses bailinhos da terceira idade ajuda a fazer um trabalho preventivo e até na recuperação do paciente”, avalia o profissional.
 

Os bailinhos da Terceira Idade têm se tornado cada vez mais comuns. E tem conquistado cada vez mais espaço na ala da Melhor Idade.


A aposentada Janina Vieira, 63 anos, é presença certa nesses eventos. “É a melhor coisa que existe. Eu adoro. Se tiver todos os dias eu vou,” garante.
 

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Janina garante que o motivo que a leva aos bailes é a amizade. Ela diz que não quer saber de um novo companheiro. “Se eu quisesse já tinha, mas eu não quero. Eu gosto mesmo é de dançar, divertir, fazer amizade”, assegura. Ela perdeu o marido há 10 anos.
 

Catarina Garuti, 67 anos, também é uma freqüentadora assídua dos encontros da Melhor Idade. “Gosto de dançar, toda vida eu gostei de dançar, de participar, de fazer amizade”, conta.


Outro bom exemplo de que a dança faz muito bem vem do casal Terezinha Maquias, 80 anos e Luís Coco, 67 anos.
 

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Ela conta que aprendeu a dançar quando conheceu Luís. Na época, Terezinha era viúva e Luís separado. “Nem imaginava que iria encontrar alguém, mas encontrei. Também aprendi a dançar com ele e estamos dançando juntos há 25 anos”, recorda.
 

Luís, que é professor de músicas gaúchas, diz que não se entristece com o passar dos anos. “Fico cada vez mais alegre, cada vez mais contente. Gosto de amizade com todo mundo e também danço com todo mundo. Não tem tristeza, quanto mais eu danço mais eu quero dançar e mais feliz fico”, afirma.
 

O Dia Nacional do Idoso é comemorado hoje, primeiro de Outubro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1982, e tem por finalidade qualificar a vida dos mais velhos, através da saúde e da integração social.