Região

Queimadas prejudicam serviços de energia elétrica no Paraná

Da Redação ·
No mês passado, o número de ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros foi duas vezes maior que no mesmo período de 2009
fonte: AEB
No mês passado, o número de ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros foi duas vezes maior que no mesmo período de 2009

Sem registro de chuvas significativas há mais de quatro semanas, o Paraná já vive as conseqüências do tempo excessivamente seco. O risco de incêndios é considerado extremo em quase todos os pontos de monitoramento do Instituto Simepar. No mês passado, o número de ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros foi duas vezes maior que no mesmo período de 2009.

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A situação já preocupa a Copel por causa da proliferação das queimadas e de focos de incêndio nas proximidades das linhas que transportam eletricidade e das subestações transformadoras. A Companhia tem registrado nos últimos dias um número crescente de desligamentos provocados por incêndios e queimadas, principalmente no Norte do Estado. Somente na última semana de agosto, a região teve 48 interrupções no fornecimento de energia provocadas pelo desligamento de linhas e subestações em razão do fogo. Em todo o Paraná, de janeiro a agosto foram registrados 269 desligamentos por queimadas, que prejudicaram o abastecimento de 140 mil domicílios.

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Entre os episódios recentes mais significativos está o desligamento da subestação urbana Jardim Bandeirantes, em Londrina, ocorrido no último dia 26. O fogo começou em um terreno baldio, passou por um bambuzal e atingiu um pinheiro, chegando próximo a uma linha que transporta energia elétrica na tensão de 138 mil volts. Cerca de 34 mil unidades consumidoras foram atingidas. Na segunda-feira (30), os municípios de Santo Antônio da Platina (por 2h30), Joaquim Távora e Carlópolis (por 10 minutos) ficaram sem eletricidade em decorrência de queimada num canavial próximo a Andirá. O fogo provocou o desligamento da linha de transmissão que alimenta as cargas dos três municípios, prejudicando o atendimento a 25 mil unidades consumidoras.

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Desde dia 25, as queimadas em atividades pastoris, agrícolas ou florestais no Estado estão proibidas por uma portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que prevê a aplicação de multas e até a prisão dos responsáveis por crime ambiental.

De acordo com a gerente do Centro de Operações do Sistema da Copel, Ana Rita Xavier Haj Mussi, o problema das queimadas e focos de incêndio nas proximidades de linhas de transmissão e redes elétricas é que o fogo e o calor provocam um fenômeno físico chamado “ionização do ar”. Em condições normais, o ar é um isolante elétrico – ou seja, um mau condutor de eletricidade, mas a elevação da temperatura e as partículas de material carbonizado alteram essa propriedade, reduzindo suas características isolantes. Nessas circunstâncias, a possibilidade de haver curtos-circuitos e formação de arcos elétricos entre elementos energizados é tremendamente maior. Para evitar danos maiores às linhas e subestações, seus equipamentos de proteção desligam-nas automaticamente, provocando interrupções na distribuição de eletricidade aos consumidores.

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Como forma de evitar o problema, a Copel periodicamente mobiliza seus técnicos com a finalidade de informar e orientar os agricultores para que não promovam queimadas. Além de empobrecer o solo por consumir seus nutrientes, o fogo é sempre uma séria ameaça à integridade das pessoas e ao patrimônio.

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RESERVATÓRIOS – Embora a estiagem represente um fator de risco à normalidade dos serviços elétricos em razão da probabilidade de incêndios e queimadas nas proximidades de linhas e subestações, a falta de chuvas significativas ainda está longe de causar preocupação para a geração de energia nas usinas hidrelétricas paranaenses.

Segundo informações da área de hidrologia da Copel, os reservatórios das cinco grandes centrais geradoras instaladas no curso do rio Iguaçu apresentam um preenchimento médio equivalente a perto de 80% da sua capacidade total. Essas cinco usinas (Foz do Areia, Segredo, Salto Santiago, Salto Osório e Salto Caxias) têm em conjunto 6.680 MW (megawatts) de potência instalada, ou quase metade dos 14 mil MW instalados na Usina de Itaipu.