Região

Artista plástica paranaense vem se destacando em museus dos Estados Unidos 

Da Redação ·
Eva Rocha quase sempre faz reflexões sobre a objetificação das mulheres. Foto: Arquivo pessoal
Eva Rocha quase sempre faz reflexões sobre a objetificação das mulheres. Foto: Arquivo pessoal

A reflexão sobre a objetificação das mulheres, é o principal tema dos trabalhos da artista plástica multimídia Eva Rocha, nascida em Novo Itacolomi, no Paraná. Vivendo atualmente no estado da Virginia, nos Estados Unidos, quando tinha 14 anos Eva se mudou com a família para Apucarana. Ela, que durante a entrevista não quis revelar quantos anos tem, acredita que a idade é mais uma forma de rotular as pessoas. “Nunca falo minha idade para ninguém. Acho esse ponto irrelevante. O que importa? ”, ressalta.

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As obras de Eva têm despertado interesse nos últimos cinco anos. A princípio, ganhou destaque ao criar alguns bonecos carnavalescos para o Virginia Museum of Fine Arts (VMFA), que adquiriu para a exposição permanente de educação três dos cinco bonecos que criou. Dois são baseados na coleção de Arte Pré-Colombiana e um deles era baseado no quadro “After Velasquez”, do pintor Fernando Botero.

Pouco tempo depois, a artista criou uma instalação de arte inspirada nas procissões religiosas da América Latina durante os anos da ditadura militar, uma referência a uma memória de infância e também o movimento da “Mães da Praça de Maio”, na Argentina. “Fui chamada para mostrar este trabalho no Art Museum of Americas (AMA), em Washington.

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Durante os últimos dois anos, a artista fez mestrado em Arte e começou a usar projeção de vídeo. “Neste momento meu trabalho realmente se consolidou”, acredita. Eva fez uma instalação e filmou 16 mulheres, incluindo ela mesma, em caixotes e projetou o vídeo sobre caixotes. “Nesse trabalho, utilizei uma técnica chamada Project Mapping, quando o filme cabe perfeitamente na superfície dos caixotes, de forma que se tem a ilusão de que estas mulheres estão dentro desses caixotes”, explica.

Neste trabalho intitulado “Object Orientalis”, Eva faz uma reflexão sobre a objetificação de mulheres. “Quis mostrar como a mídia promove a mulher como um objeto de consumo e principalmente, fazer uma crítica de como isso incentiva o tráfico de mulheres”, acrescenta.

Este trabalho foi exibido no pátio do museu VMFA durante o Gallery1708 Inlight, que recebeu 21 mil pessoas. Após este evento, os trabalhos da artista foram exibidos em dois outros museus: Museum of Contemporary Art of Virginia (MOCA) e William King Museum.”

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Trajetória
Eva Rocha veio de Novo Itacolomi para Apucarana quando tinha 14 anos e frequentou os colégios Nilo Cairo e Colégio Canadá. Aos 17 anos, ingressou na escola de Comunicação Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas antes de terminar o curso, por seu interesse em teatro, mudou-se para São Paulo onde trabalhou com teatro por 8.

Durante este tempo, Eva conheceu seu futuro esposo, o norte-americano Spencer Turner, que depois de ter sido estudante de intercâmbio no Brasil durante sua adolescência, retornava ao Brasil a passeio. Após casar-se, mudou-se para o estado da Virginia, nos Estados Unidos. Em Richmond, capital deste estado, enquanto o esposo terminava seus estudos em Letras, ela recebeu seu diploma, mas desta vez em um estudo interdisciplinário de Antropologia e Artes Plásticas pela Virginia Commonwealth University (VCU).

Há 5 anos, após regressar ao Brasil e depois no Peru, onde ela e o esposo trabalharam como professores em escolas internacionais - Spencer, professor de literatura inglesa e ela, teatro. Nesse período, a artista frequentou uma Escola de Arte, e foi lá que decidiu que iria se dedicar às artes plásticas. Em maio deste ano, Eva terminou o mestrado em Artes Kinéticas e Escultura pela VCU School of Arts.