Região

Cresce o número de assaltos contra idosos na região

Da Redação ·
 JOSÉ Teófilo da Cruz, 66 anos, teve a casa arrombada na madrugada por três homens encapuzados que o espancaram para roubar R$ 190
fonte: Sérgio Rodrigo
JOSÉ Teófilo da Cruz, 66 anos, teve a casa arrombada na madrugada por três homens encapuzados que o espancaram para roubar R$ 190

Mais frágeis e muitas vezes solitários, os idosos estão se tornando alvos fáceis para a criminalidade. Somente na região de Apucarana, nos últimos meses, foram registrados pelo menos oito casos graves de assaltos com saldo de dez feridos e três mortos. O alvo dos ladrões costuma ser um só: a minguada aposentadoria das vítimas.

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É justamente esta condição, a de presa fácil, que leva os bandidos a agirem contra casais de idosos ou velhos que moram sozinhos. E engana-se quem pensa que os casos envolvem apenas as cidades maiores. Pelo contrário, os casos mais graves ocorreram justamente em municípios pequenos.


Entre as ocorrências recentes está a de um casal de 78 e 80 anos, moradores na zona rural de São João do Ivaí. Na madrugada do dia 11 de junho, dois homens com idade entre 20 e 25 anos arrombaram a porta da casa onde dormia o casal. Assustado, o aposentado de 80 anos levantou e deparou-se com os ladrões no corredor e acabou morto com um tiro no coração.

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No início do ano, uma aposentada de 75 anos, moradora no distrito de Jussiara, zona rural de Kaloré, foi espancada, estuprada e morta dentro de sua casa – uma residência simples de madeira-, onde morava sozinha. O crime ocorreu na noite anterior à data dela receber a aposentadoria. Em maio, a Polícia Civil de Jandaia do Sul prendeu um sobrinho dela, de 32 anos, suspeito de ser o autor do crime.


Na madrugada do dia 16 de abril, em Ivaiporã, após forçarem um idoso de 66 anos a abrir a porta sob ameaça de incendiar a casa, ladrões o espancaram e roubaram R$ 350. Ele morreu dias depois no hospital. No mês passado, em Marilândia do Sul, a vítima foi um senhor de 66 anos, que foi também foi agredido pelos ladrões.
O registro mais recente de crimes violentos contra idosos aconteceu há cerca de 1duas semanas, em Jandaia do Sul. José Teófilo da Cruz, 66 anos, foi acordado na madrugada pelos visitantes inesperados. O agricultor, que não é aposentado, e tira seu sustento de uma pequena plantação de café e mamona e da confecção de vassouras artesanais está impossibilitado de trabalhar por conta dos ferimentos que recebeu dos ladrões.


Os bandidos levaram R$ 190 que ele juntou vendendo as vassouras de palha. “O dinheiro que consigo vem disso. Não sou aposentado. Há cerca de 10 anos trabalho todos os dias nesta pequena lavoura para sobreviver”, disse o idoso que deve ficar com o braço imobilizado por cerca de 40 dias.

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Segundo ele, três homens encapuzados o tiraram da cama às 2 horas da manhã. “Arrombaram a porta e eu levantei, sai do quarto e me acertaram uma paulada no braço. Já me bateram na cabeça e pediram o dinheiro. Minha carteira estava em cima da mesa; pegaram e reclamaram que era pouco dinheiro. Então levaram o cartão de poupança que eu tenho. Disseram que iam sacar mais na minha conta”, relatou.


O idoso disse ainda que foi humilhado. “Eles riscaram minha perna com faca; depois passaram um pano no meu pescoço e me arrastaram pelo quintal”. Depois disso os ladrões fugiram, levando ainda duas latas de óleo de soja e alguns alimentos. “Vi que foram num carro azul, que estava parado aqui perto. Então chamei pela vizinha, que me ajudou”, contou.


Com o trabalho em sua roça improvisada em um terreno perto de sua casa simples de três cômodos, Cruz conta que consegue obter até R$ 350 por mês. O dinheiro levado era destinado ao pagamento de contas. “Vou ter que vender a geladeira nova. Como não vou trabalhar, não conseguirei pagar as prestações e eu não aceito que meu nome vá para o Seproc (serviço de proteção ao crédito)”, preocupou-se o velhinho.

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Prevenção dentro e fora de casa

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Para se proteger, a recomendação inicial do Comandante do Policiamento de Apucarana (CPA) da Polícia Militar, tenente Éldison Martins do Prado é manter a desconfiança. “Desconfiar sempre e de todos os desconhecidos, principalmente. Porque uma pessoa desconfiada automaticamente vai estar se protegendo”, orienta.


Ele também afirma que a casa deve ser protegida. “Nunca devemos permitir que estranhos entrem em casa. Dê preferência que a casa seja visualizada pelos vizinhos; instalar grades nas janela”, alerta.


A falta de contato com a família e vizinhos também é um fator de risco para o idoso. Quem nunca recebe visitas é visto como um alvo mais fácil pelos bandidos. A rotina é outra inimiga da segurança dos idosos, afirma o policial. “O ideal é que pessoas de confiança acompanhem idosos aos bancos para receber a aposentadoria. Preferencialmente, altere o dia de ir ao banco e faça em horários alternados”, salienta. (E.S)

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DICAS PRÁTICAS DE SEGURANÇA EM CASA


Lembre sempre de trancar portas e janelas quando for sair e mantê-las fechadas e trancadas quando estiver em casa, mesmo de dia. É importante que a porta que dá para a rua possua visibilidade para identificarmos quem chega.

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Jamais abra a porta sem ter certeza de quem bate e nunca aceite serviços que não pediu, ainda que sejam de graça e quem o oferece seja muito gentil e simpático. Esteja sempre atento ao entrar e sair de sua residência. Muitos delinquentes abordam suas vítimas nesta hora porque estão distraídas.


CUIDADO COM O DINHEIRO


Guarde seu dinheiro em lugar seguro, isto é de difícil acesso para quem não é de casa e nunca guarde grandes quantias de dinheiro em casa.


Tome cuidado com empregados eventuais, que podem praticar delitos em sua residência ou obter informações e repassá-las para delinquentes. Obtenha referências com amigos ou vizinhos sobre as pessoas.


EM CASO DE EMERGÊNCIA


Procure manter contato regular com vizinhos em quem tenha confiança, estabelecendo com eles uma rede de ajuda de proteção recíproca. Assim, o vizinho pode identificar se algo de errado estiver acontecendo.
Se possível, tenha uma extensão do telefone no seu quarto ou um celular para os casos de precisar chamar a polícia pelo fone 190, caso sua residência seja invadida e mantenha em local certo telefones de emergência, de parentes ou pessoas a quem possa pedir ajuda, para dispor deles quando precisar.


Fonte: Cartilha de Segurança para Pessoas Idosas, de autoria do coronel Roberson Bondaruk, da Polícia Militar do Paraná.