Região

​Liberação do canabidiol traz esperança a famílias 

Da Redação ·
Lucas frequenta semanalmente aulas de equoterapia - Foto: Arquivo da família
Lucas frequenta semanalmente aulas de equoterapia - Foto: Arquivo da família

A liberação do uso medicinal do canabidiol (CBD) no Brasil trouxe esperança para muitas famílias que enxergam na substância extraída da maconha uma alternativa de tratamento para pacientes, principalmente com epilepsia e convulsões. 

É o caso da família do prefeito de Faxinal, Adilson Silva Lino. Ele e a esposa Milena acreditam que o canabidiol pode proporcionar mais qualidade de vida ao filho Lucas, de 4 anos. O garoto é portador da Síndrome de Angelman, doença rara caracterizada por atraso no desenvolvimento intelectual, dificuldades na fala, convulsões e movimentos desconexos.  Lucas foi diagnosticado com a doença quando tinha sete meses de vida.

Desde então, Adilson e Milena buscam formas de melhorar a qualidade de vida do filho, que frequenta sessões de equoterapia, fisioterapia e fonoaudiologia. “Qual é o pai que consegue ficar parado vendo o filho sofrer por causa de uma doença? Eu vou atrás de tudo para ver o Lucas bem”, assinala Silva Lino.  Desde que foi anunciada a liberação no Brasil, os pais de Lucas buscam o medicamento em grandes centros, mas ainda não obtiveram êxito.

O prefeito sempre está atento às novidades na área da Medicina e já tinha conhecimento do canabidiol. Ele espera conseguir logo as primeiras doses para Lucas. “Farei o possível para conseguir o melhor para o meu filho. Não importa que seja derivado da maconha ou se é uma substância nova. Eu quero ver o Lucas bem”, afirma. 

Na semana passada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) retirou o canabidiol da lista F2, composta por substâncias psicotrópicas de uso proscrito (proibido) no Brasil para fazer parte da C1, ou seja, que podem ser prescritas por médicos por meio de receita em duas vias. O CBD é uma das mais de 400 substâncias encontradas na maconha e já estava liberada em vários países da Europa e em boa parte dos Estados Unidos. O uso da substância visa tratar, além de convulsões, doenças como esclerose múltipla, Parkinson, entre outros. 

TRATAMENTO  “É uma droga recente no mercado e deverá ser usada com cautela pelos médicos”, afirma o neuropediatra Aparecido José Andrade, de Londrina. O especialista explica que uma das formas de como o CBD age é no córtex cerebral como um neuroregulador e seu único efeito colateral conhecido é o de causar sono. 

O médico explica que o remédio será usado em pacientes refratários, ou seja, aqueles que fizeram o uso de outros anticonvulsivos e não tiveram nenhum resultado significativo. “Eu não prescrevi para ninguém ainda, mas qualquer medicamento que possa trazer melhor qualidade de vida é bem-vindo”, ressalta. 

USO - De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a prescrição só pode ser feita por neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras. Os médicos autorizados a prescrever o canabidiol deverão ser previamente cadastrados em uma plataforma online. Já os pacientes serão acompanhados por meio de relatórios frequentes feitos pelos profissionais.

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