Região

Corte de árvores pelo DER gera impasse em Novo Itacolomi

Da Redação ·
O técnico em agropecuária José Roberto Marzola, proprietário de uma granja, foi quem plantou as árvores
fonte: Sérgio Rodrigo
O técnico em agropecuária José Roberto Marzola, proprietário de uma granja, foi quem plantou as árvores

Um corte de árvores feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Novo Itacolomi tem causado polêmica. As árvores estavam plantadas em área de domínio do estado, às margens da PR-170, que dá acesso à cidade. O dono da propriedade rural em frente ao local, responsável pelo plantio, afirma ter direito à madeira. O DER nega.

O gerente do escritório do DER no Vale do Ivaí, Sérgio Selvatici, explica que o órgão tinha o direito de realizar o corte das árvores. “As árvores estavam dentro da faixa de domínio do estado. Ou seja, o plantio foi feito em local irregular. Nós tínhamos o direito de cortar, já que a área é do estado”.

A Lei Federal número 6.766, de 1979, tornou obrigatória a reserva de 15 metros de cada lado da rodovia, na qual não se pode construir. Tudo que encontra-se nessas faixas de terra pertence ao estado. Apesar disso, a prática de plantio de culturas até as margens das estradas é bastante comum na região, principalmente em relação a grãos.

Segundo o gerente do DER, a erradicação foi realizada para aumentar a segurança no local. “As árvores prejudicavam a visibilidade da rodovia, visto que ficavam em uma curva perigosa, na entrada da cidade, já em perímetro urbano”, justifica.

EUCALIPTOS
O técnico em agropecuária José Roberto Marzola, proprietário de uma granja, foi quem plantou as árvores. Ele afirma que não tinha conhecimento sobre a faixa de domínio e reconhece que o plantio foi feito em local indevido.
Os 21 pés de eucalipto foram plantados há sete anos e estariam prontos para o corte. Marzola não discute o corte das plantas. Mas, por conta do tempo de cultivo, ele entende que tem direito à madeira. “Tentei fazer um acordo com o DER, mas eles não querem nem conversar. Chegaram aqui, cortaram e largaram aí. Logo vão levar os troncos para um pátio para deixar apodrecendo”, reclama.

Ele afirma que já procurou o Ministério Público e que o órgão se mostrou otimista. “Pelo que a promotoria pública me disse, existe a chance de eu reaver esta madeira que, para mim, é de grande importância, mas que para o DER não fará diferença”, diz.

Segundo ele, o valor da madeira é de cerca de R$ 3 mil. Ela seria utilizada no sistema de aquecimento da sua granja. “Eu pago cerca de R$ 50 o metro de lenha para aquecer os frangos. Esta madeira terá utilidade pessoal, não plantei para vender”, ressalta ele.

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