Região

Construção de usinas mobiliza Vale do Ivaí

Da Redação ·
Promotor Robertson: comunidade deve estar mobilizada
fonte: Blog do Berimbau
Promotor Robertson: comunidade deve estar mobilizada

Cerca de 100 pessoas entre pescadores, ambientalistas, representantes de promotoria do meio ambiente, de igrejas e de instituições de ensino, participaram recentemente, no Distrito de Porto Ubá, em Lidianópolis, de reunião para debater um projeto de construção de usinas de energia elétrica no Rio Ivaí. O projeto é de um consórcio de empresas que estaria interessado em instalar em torno de 20 pequenos empreendimentos desta natureza ao logo do manancial, desde Grandes Rios até à região de Querência do Norte e Icaraíma, onde o rio desemboca no Paranazão.

O promotor de Meio Ambiente da Comarca de Maringá, Robertson Fonseca de Azevedo, que é categoricamente contra a instalação de qualquer usina hidrelétrica no Rio Ivaí, pediu aos pescadores e moradores de Lidianópolis e municípios vizinhos para que procurem, de forma legal, impedir que isto aconteça. Ele orientou as lideranças políticas e comunitárias do Vale do Ivaí para que encaminhem ofícios às promotorias de meio ambiente de seus respectivos municípios no sentido de que barrem qualquer projeto de hidrelétrica no manancial ou ainda que haja mais transparência nesta proposta de iniciativa privada.

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Para o promotor Azevedo, “o Paraná já contribui e muito para a geração de energia elétrica para o País e, por isso, deve preservar suas terras e seus mananciais”. Segundo ele, caso as barragens sejam instaladas, essas vão acabar com as espécies nativas de peixes e, ainda, poderão inviabilizar o plantio de cana de açúcar e outras culturas na região.


O padre Zenildo Megiatto, representante da Caritas do Paraná, destacou a importância de toda a população de municípios banhados pelo Rio Ivaí ficar atenta contra o que ele considera uma destruição da vida. “Temos que ficar alertas e nos mobilizar para evitarmos surpresas desagradáveis no futuro”, disse ele, preocupado com o impacto ambiental que usinas hidrelétricas poderão causar no Paraná. Padre Zenildo observa que muitos peixes que povoam o Rio Paraná utilizam o Rio Ivaí para a desova e as barragens poderão impedir que as espécies se reproduzam, entre elas, o dourado.

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Para o prefeito em exercício de Lidianópolis, Celso Antônio Barbosa (PP), popular Magrelo, o momento atual é de buscar informações mais precisas junto ao consórcio sobre a proposta de construção de usinas no Rio Ivaí. Segundo ele, até agora tudo está obscuro, porém a Prefeitura está acompanhando o caso para que o pior não aconteça para os moradores da região. “Se acontecer algo que possa prejudicar a colônia de pescadores de Porto Ubá, o município vai procurar interferir para que as famílias não saiam no prejuízo”, garantiu.


A Câmara de Vereadores de Lidianópolis já aprovou um projeto de lei considerando o Rio Ivaí um patrimônio cultural do município e da região. Isto, no entender do Legislativo, dificultaria a ação de usineiros.



Peixes nativos poderão desaparecer

Segundo o secretário da Associação dos Pescadores Profissionais de Porto Ubá, Marildo Oliveira, a construção de usinas no Rio Ivaí vai extinguir mais de 20 espécies de peixes nativos do manancial, como dourado, cascudo, Piracanjuba, corimba e outros. Esses terão que dar lugar a outras espécies cultivadas em represas de água parada. “Desde 1995 já soltamos no Ivaí cerca de 4 milhões de alevinos para repovoação do Ivaí, pensando na renda e no sustento de nossos pescadores. Tudo isso irá de água abaixo”, lamenta.

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A reunião realizada sábado em Porto Ubá foi a terceira de uma série que está acontecendo nos municípios banhados pelo Rio Ivaí, numa bobilização contra a construção de usinas no manancial. A primeira aconteceu em São Pedro do Ivaí e a segunda em Fênix. As próximas serão no dia 18 de agosto em Kaloré e Ivaiporã.