Região

Especial Antiga civilização do Vale do Ivaí: Vila Rica do Espírito Santo

Da Redação ·

O dia 19 de abril é a data que no Brasil comemoramos o Dia do Índio. Os indígenas foram os primeiros habitantes da América. Antes de qualquer homem branco pisar nessas terras, por aqui havia uma civilização de rigoroza organização que hoje constam poucos registros.

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Na área rural do município de Fênix, no ponto de encontro das águas do rio Ivaí com o rio Corumbataí, hoje existe o Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo. O parque é uma reserva ecológica e arqueológica, onde hoje existe um dos últimos remanescentes da floresta tropical e uma vasta fauna.
 
 
É no Parque Vila Rica onde também se encontram as ruínas de Vila Rica do Espírito Santo. Esta foi a primeira cidade que os jesuítas espanhóis construíram no sul do Brasil.
 
 
Nos idos do ano de 1500, na mesma localidade havia uma aldeia de índios Guarani. Esta aldeia ficava à beira do Caminho de Peabiru, uma estrada construída há mais de mil anos, que ligava o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico, da cidade de Cuzco, no Peru, ao litoral brasileiro de onde hoje são os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
 
 
Segundo estudos arqueológicos, esta estrada era usada pelos povos de toda a América do Sul, e fazia a interligação cultural, econômica e a comunicação entre as etnias. Uma espécie de globalização do mundo antigo.
 
 
O Caminho do Peabiru cortava o Vale do Ivaí, seguindo boa parte à margem do rio Ivaí. Possui 1,40 metros de largura e é revestido com um calçamento em pedras e uma espécie de grama, que evita que o mato cresça na estrada.
Hoje, o único trecho preservado possui cerca de 60 quilômetros, iniciando em Campo Mourão e terminando na entrada do Parque Vila Rica.
 
 
Os índios que habitavam e trafegavam por esta região eram vários, dentre eles, os Guaranis, Tupis, Caingangues e Tapajós. Dentro do parque existe um museu, onde encontramos alguns vestígios arqueólogicos dos índios guaranis.
 
 
Peças como pontas de flecha, panelas, utensílhos domésticos e até uma urna funerária estão expostas lá dentro. Nesta região existem muitos sítios arqueológicos, onde até hoje agricultores e habitantes da localidade encontram artefatos indígenas.
 
 
Pouca gente sabe o que aconteceu por essas terras. No ano de 1592 uma expedição jesuíta chegou à aldeia guarani através do Peabiru e ali fizeram contato pacífico e passaram a viver com os indígenas.
 
 
Alguns anos depois lá se estabelecia a cidade de Vila Rica do Espírito Santo. Uma área territorial de 300 mil metros quadrados ocupada por jesuítas espanhóis e índios guaranis. A primeira cidade espanhola fundada na área do atual estado do Paraná, conhecido na época como região do Guairá. Que foi concedida à Espanha com o Tratado de Tordesilhas, um pacto que dividia as terras brasileiras entre Espanha e Portugal.
 
 
A decadência da sociedade indígena se iniciava ali. Os espanhóis trouxeram aprosperidadedo mundo moderno para a aldeia. No ano de 1520, Vila Rica era o maior ponto estratégico do sul do brasil. Os índios já haviam sido catequizados, o que nos mostra isso são os artefatos encontrados no museu, como símbolos cristãos entalhados em pedra ou feitos em argila. Existiam muitas outras reduções jesuíticas entre o Paraguai e o sul so Brasil.
 
 
No ano de 1522, Portugal já havia rompido o tratado com a Espanha. E a coroa portuguesa passou a ver os povoados jesuíticos como ameaça política, já que em tão pouco tempo os jesuítas haviam estabelecido uma verdadeira revolução nas aldeias. Portugal coloca em cena os bandeirantes. Gigantescos grupos armados que combatiam os espanhóis e escravizavam os índios.
 
 
Ainda em 1522, uma bandeira liderada por Manoel Raposo Tavares localizou Vila Rica do Espírio Santo. Por durante três meses, o bando ficou de tocaia na região, analisando a vida dos habitantes de Vila Rica. No dia em que atacaram, Raposo Tavares comandava cerca de mil homens, que destruíram a aldeia, mataram os espanhóis e obrigaram os índios a fugir mata adentro.
 
 
Foi a última vez que os guaranis habitaram a região. Após o ocorrido, eles passaram a habitar as terras da outra margem do rio Iguaçu, atual território do Paraguai. A única etnia que prevaleceu na região foi a dos Caingangues, que hoje tem uma aldeia em Manoel Ribas e outra em Cândido de Abreu.
 
 
Onde hoje é o município de Fênix a história ainda é recente. Apenas em 1940, com a colonização do Norte do Paraná a região passou a ser habitada. O Museu Paranaense realizou diversas buscas arqueológicas na região, mas hoje não há nenhum projeto oficial de pesquisa nos sítios arqueólogicos, o que os deixa à mercê do tempo e da natureza.
 
 
Na próxima reportagem você irá conhecer mais sobre o Caminho do Peabiru, a estrada milenar que interligava a América do Sul e cortava o Vale do Ivaí.