Região

Cartaz da Parada Gay com a Catedral causa polêmica em Maringá

Da Redação ·
 Capa do disco The Dark Side Moon, do Pink Floyd; inspiração usada na criação do cartaz
fonte: Reprodução
Capa do disco The Dark Side Moon, do Pink Floyd; inspiração usada na criação do cartaz

Um cartaz informando da realização da parada de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT), que acontecerá no dia 20 de maio em Maringá, está causando polêmica. Há diversas opiniões circulando na internet em torno do cartaz, que mostra a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória atingida por um raio de luz e "explodindo" em um arco-íris.

continua após publicidade

A assessoria de imprensa da Arquidiocese de Maringá informou, no final da manhã desta segunda-feira (16), que o departamento jurídico da cúria arquidiocesana foi acionado e vai tomar providências jurídicas sobre o caso. A Arquidiocese deve se pronunciar oficialmente ainda hoje (16).

De acordo com o editor do site Maringay, Luiz Modesto, a responsável pelo desenvolvimento foi uma das colunistas do site,  Elisa Riemer. "A ideia de fazer esse convite veio justamente, como se pode reparar na imagem, do conceito da catedral como um prisma em que, ao ser injetado um foco de luz solar de um lado, do outro desponta em todas as cores possíveis", diz. "Como a catedral é o primeiro simbolo de Maringá, é um convite a chamar para o diálogo todas as pessoas, para maior aceitação e respeito. Nós aprovamos e gostamos do conceito".


A inspiração veio da capa do álbum "The Dark Side of the Moon" da banda de rock britânica Pink Floyd. "Se alguém tomou como afronta, no fundo, foi uma relação com a mensagem do álbum do Pink Floyd. Se alguém se sentiu agredido, a gente pede desculpa. No entanto, a ideia é jogar luz em cima desse foco: de uma Maringá que cresce, aceita e quer trazer todas as pessoas para ajudar a construir essa cidade, com todo respeito nas relações pessoais", explica o editor do Maringay. "Particularmente, acho que a ideia foi muito feliz. Não é o cartaz oficial, mas teve meu voto favorável. Acho que faltou uma divulgação maior".

continua após publicidade

A ilustradora e designer Elisa Riemer conta que, durante seu processo de criação, costuma ouvir música e, por acaso, começou a tocar o "The Dark Side of the Moon", quando criava o convite da parada LGBT. "Foi daí que foi fluindo a ideia, junto com a simbologia da catedral (não por religião), mas sim pelo formato do prisma", explica. "Queria desenvolver algo criativo em cima do tema, não uma coisa que utilizasse só a tipografia e um fundo com a chamada, e sim algo que a gente consiga trabalhar com outro tipo de linguagem".


A escolha da catedral se deu pela similaridade com a forma geométrica, explana Elisa. "No trabalho da simbologia, nada melhor que esse símbolo para usar como se fosse o prisma. O prisma tem vários lados e jogando uma luz conseguimos ver todos os caminhos. As sete cores. Imagine que para cada problema você tem sete respostas ou caminhos a tomar e se um estiver bloqueado... Procure a outra cor que lhe indicará outra coisa", comenta.
 

continua após publicidade

"Acho que o impacto que as pessoas tiveram foi devido à falta de conhecimento que esse álbum causou na época", opina a ilustradora e designer. "Roger Waters – um dos fundadores da banda – disse: 'este disco era uma expressão de empatia política, filosófica e humanitária que estava louca pra sair'", diz Elisa.

A criadora do cartaz considera "desnecessária" a polêmica criada na sociedade maringaense em torno da obra. "Não estou ofendendo a religião de ninguém e jamais foi essa a intenção", coloca. "Que símbolo usar para definir Maringá? Poderia ter sido usado pra qualquer outra coisa, poderia ter sido usado pra uma campanha de alguma rádio, de alguma banda, de qualquer outro segmento. Mas o que pegou foi justamente isso, foi porque foi usada pra uma campanha LGBT. Não vejo problema algum, e muito menos falta de respeito".


Para Elisa, o uso do catedral foi exclusivamente pela similaridade com o prisma. . "Se as pessoas observassem bem, veriam o quanto escureci a catedral e retirei a cruz - para nada, exatamente nada, estar ligado à religião. Não tive a intenção de polemizar e sim de fazer as pessoas pensarem, refletirem".