Política

Saída de Alckmin do PSDB projeta disputa em SP em quatro campos

Da Redação ·

A declaração do ex-governador Geraldo Alckmin, na terça-feira, 10, admitindo pela primeira vez que vai deixar o PSDB para disputar o Palácio dos Bandeirantes por outro partido em 2022, mexeu com o xadrez político em São Paulo. No comando do Estado há 27 anos, o PSDB deverá enfrentar nas urnas pela primeira vez um dos seus fundadores, também o chefe do Executivo mais longevo desde a redemocratização.

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O atual vice-governador, Rodrigo Garcia, que recentemente trocou o DEM pelo PSDB, é o "herdeiro político" do governador João Doria, que planeja disputar a Presidência. Garcia deve assumir o cargo em abril, quando vence o prazo de desincompatibilização de Doria, mas já está viajando pelo interior.

Garcia terá retaguarda da máquina estadual na disputa com Alckmin pelo apoio dos partidos do centro e Centrão. O Progressistas comanda a secretaria de Transportes Metropolitanos, o Republicanos o Esporte, o PL tem a vice liderança do governo na Assembleia Legislativa, e o MDB, a Agricultura. Segundo tucanos ouvidos pela reportagem, essa seria hoje a base de lançamento de Garcia para entrar na disputa com um bom tempo de TV, recursos do Fundo Eleitoral e capilaridade no interior. Além disso, Doria e o seu secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, presidente do PSDB paulista, estão promovendo filiações em massa de prefeitos no partido.

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Já Alckmin, que deve se filiar ao PSD, está conversando com PSB. Esse grupo está em tratativas com o PV, Podemos, Avante, Solidariedade e outras siglas menores. Com isso, Alckmin e Garcia teriam os maiores espaços da propaganda eleitoral.

Enquanto no plano nacional o PT e o PSOL devem estar no mesmo palanque, em São Paulo seguem com projetos distintos. Fortalecido pelo resultado da eleição na capital, quando chegou ao 2° turno, Guilherme Boulos tem feito agendas no interior e é colocado como pré-candidato pelo PSOL. Seu desafio é tornar-se conhecido onde o eleitorado é mais conservador.

Já o ex-prefeito Fernando Haddad tornou-se o candidato natural do PT ao Palácio dos Bandeirantes após Lula recuperar seus direitos políticos. Há nos dois partidos defensores da tese de unidade entre eles. Se ocorrer, dizem especialistas, dificilmente a esquerda ficaria fora do 2° turno. Com o centro e o Centrão obstruídos por Alckmin e Garcia, resta a Boulos e Haddad disputar o apoio de siglas de esquerda, como o PCdoB e o PDT.

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O presidente Jair Bolsonaro, que ainda busca um palanque paulista, chegou a lançar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, mas ainda falta um partido que acolha o projeto bolsonarista no Estado. O PTB já abriu as portas. Sob o comando do empresário Otávio Fakhoury, investigado no inquérito das fake news, a sigla busca filiar os ex-ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), além do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança - apontados como potenciais candidatos bolsonaristas.

Na ala da direita que faz oposição a Bolsonaro, o Novo já lançou o deputado federal Vinicius Poit. Outro nome apresentado é o do deputado estadual Arthur do Val. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.