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Responsável por plano de atentado contra Moro e vigiar Lira é executado pelo PCC

O Primeiro Comando da Capital (PCC) executou na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, o homem que havia coordenado o plano para um atentado contra o senador Sérgio Moro. Integrante da chamada Sintonia Restrita

Marcelo Godoy (via Agência Estado)

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Escrito por Marcelo Godoy (via Agência Estado)
Publicado em 17.06.2024, 20:42:00 Editado em 17.06.2024, 20:47:30
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O Primeiro Comando da Capital (PCC) executou na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, o homem que havia coordenado o plano para um atentado contra o senador Sérgio Moro. Integrante da chamada Sintonia Restrita, Nefo havia sido preso em 22 de março de 2023 durante a Operação Sequaz, que desmantelou o grupo que planejava o crime.

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Além de Nefo, também foi morto Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê, integrante da Sintonia Final dos 14, o grupo responsável pelas ordens aos faccionados em liberdade. Rê também havia sido preso na Operação Sequaz. Ele era um conhecido assaltante de bancos, com "vasta ficha criminal, muitas delas ações violentas". Os federais interceptaram uma videoconferência de Nefo e Rê durante o planejamento do ataque a Moro na qual foram decididos detalhes do crime. Rê e Nefo foram assassinados durante o banho de sol no presídio.

De acordo com investigadores do caso, não há dúvidas que o crime foi cometido por determinação do comando do PCC. O que ainda não é certo é a motivação do delito. A principal hipótese seria um acerto de contas dentro da facção, em razão do fracasso do plano de resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e dos atentados contra autoridades planejados pelo PCC. Nefo, segundo um desses investigadores, era suspeito de ter "falado demais". Por isso, pagou com a vida.

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Quando Nefo foi preso, em 2023, havia seis meses que os bandidos comandados por ele haviam recebido a ordem para monitorar Moro. Alugaram chácaras na região de Curitiba - em uma delas foi construída uma parede falsa em um dos cômodos para esconder armas e dinheiro. Nefo também arrumou uma casa perto da residência da família do senador e uma sala comercial ao lado do escritório político de Moro, em Curitiba.

Os bandidos fotografaram o cotidiano do casal e de seus filhos. Escola, academia, compras e reuniões: tudo foi acompanhado pelos bandidos. O plano foi descoberto pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, que repassou as informações à Polícia Federal. Esta, após a quebra de sigilo dos celulares apreendidos com o grupo de Nefo, encontrou imagens, com comentários, capturadas na internet do dia 29 de novembro de 2022 feitas pelos criminosos que compunham a célula "Restrita" do PCC.

As imagens eram das residências oficiais dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), bem como uma pesquisa no site da Trovit sobre imóveis na "Península dos Ministros", Lago Sul, Brasília, demonstrando que houve determinação da cúpula para que esse setor realizasse esses levantamentos das referidas autoridades da República.

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Além disso, os federais descobriram todo o planejamento, preparação e execução de reiterados atos voltados à ação de atentado contra o senador Moro, cuja coordenação estava a cargo de Nefo. No dia 19 de setembro de 2023, os agentes apreenderam, no quintal do imóvel localizado na Rua Coronel José Ribeiro de Macedo Junior, 219, Curitiba, casa usada pelo grupo de Nefo, explosivos e materiais para acionamento dos artefatos, sendo 26 rompedores de rocha da marca Pyroblast de tamanhos variados, 31 iniciadores elétricos e uma maleta de acionamento eletrônico da mesma marca.

De acordo com os investigadores, o material poderia ser usado em um atentado a bomba contra o senador. Para essa ação, a facção mobilizou uma célula com três de seus integrantes e bancou seus custos - cerca de R$ 44 mil -, como estadia, celulares, aluguéis, seguro, IPTU, mobília, transporte e até compra de eletrodomésticos. Além de Moro, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, era outro alvo dos bandidos.

Os atentados contra autoridades e o promotor eram o chamado de Plano B na facção, porque o Plano A - o objetivo principal dos bandidos - era o resgate de Marcola, líder da facção. Havia mais de um ano, a inteligência do Departamento Penitenciário Federal (Depen) e a PF acompanhavam as movimentações e diálogos mantidos por Marcola e outros presos da facção na penitenciária federal de Brasília. O plano envolvia o treinamento de mercenários na Bolívia e arregimentação de integrantes do chamado Novo Cangaço para a invasão do presídio e resgate de Marcola. Mas as prisões que atingiram a Sintonia Restrita colocaram tudo a perder.

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