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Planos de governo viram ativo para aspirante à Câmara

Escrito por Da Redação
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Candidato a vereador, Gabriel Cassiano (PDT), de 23 anos, preparou um programa de mandato mais detalhado do que o apresentado por alguns dos postulantes à Prefeitura. Com 133 páginas, o plano é resultado de cinco meses de estudos em parceria com nomes conhecidos da política, como os dos ex-ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira e Antônio Delfim Netto. Ana Mielke (PSOL), de 42, seguiu a mesma estratégia

"As pessoas querem saber as nossas opiniões e ideias sobre temas importantes da cidade", diz a jornalista, que concorre com outras 2 mil pessoas no próximo dia 15 às 55 vagas da Câmara.

Em ano de pandemia e com as campanhas quase que totalmente voltadas para as redes sociais, candidatos a vereador resolveram aproveitar o "espaço" da internet para discorrer não só sobre suas trajetórias política ou pessoal, mas também assumir compromissos caso ganhem voz e direito a voto no Palácio Anchieta.

"Vereador em São Paulo é uma espécie de deputado de um País. São 12 milhões de habitantes, o que torna fundamental a construção de um projeto de desenvolvimento", diz Cassiano, que se apresenta como "o candidato de Ciro Gomes" na capital e tem como foco projetos de geração de renda para a juventude. Apesar da idade, esta será sua segunda disputa. Em 2018, ele tentou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, assim como Ana Mielke. Não se elegeram. Ele teve 10.338 votos e ela, 26.582.

Jornalista e ativista política há 20 anos, Ana desenvolveu seu programa de governo a partir de encontros temáticos com especialistas e eleitores. "Fizemos rodas de conversa online para ouvir as demandas da população", afirma. O resultado foi um plano dividido em dez eixos, com 10 a 15 propostas em cada um.

Entre os vereadores que tentam mais um mandato neste ano, Police Neto (PSD) é um dos que apresentam suas propostas em diversas áreas, como sustentabilidade, emprego e saúde. Se vencer a quinta eleição consecutiva para a Câmara, o parlamentar de 47 anos diz que pretende trabalhar, por exemplo, para garantir a inclusão digital em todas as regiões da cidade, para "tornar permanentes os benefícios do home office".

Na lista de propostas apresentada em seu site estão ainda sugestões como "implantar o ônibus por aplicativo" e criar serviços veterinários de "teleconsulta", para evitar o estresse animal. O vereador afirma que a campanha mais digital permite a apresentação de mais conteúdo. "E, com isso, uma significativa qualificação na abordagem das propostas e, ao mesmo tempo, mais exigência por parte do eleitor." Segundo Police, é "absolutamente fundamental, e o mínimo que se espera de um candidato, ele elaborar e apresentar propostas consistentes para restabelecer a confiança dos eleitos em seus parlamentares", diz.

Soninha Francine (Cidadania) também deixa clara suas posições, especialmente sobre temas considerados polêmicos por outros parlamentares, como a defesa da população LGBT. A vereadora afirma que entre seus projetos prioritários está a destinação de emendas parlamentares (recursos do orçamento) para contratação, por exemplo, de vagas em hotéis para moradores de rua ou pagamento de cursos profissionalizantes para essa mesma população.

"Compreendo que é importante a candidata ou o candidato se manifestar sobre todos os temas de interesse da cidade, inclusive aqueles que estão fora do alcance do Legislativo municipal. Desde que fique claro para as pessoas que não é algo sujeito à autoridade do vereador, é bom saber o que se pensa sobre matérias nacionais, internacionais. Ajuda a prever sua postura nos debates futuros. Além disso, um mandato parlamentar tem a possibilidade de influenciar em assuntos diversos por meio de estudos, investigações e articulação", diz Soninha.

Coletivo

Representante da candidatura coletiva Todos pela Acessibilidade, Bruno Beraldin (PSDB), de 39 anos, contou com a experiência dos cinco integrantes do grupo para criar propostas que atendam às diversas necessidades das pessoas com deficiência. Mas não só: ouviu representantes de diversos setores para saber a viabilidade de cada ideia e colheu sugestões de eleitores. "É fundamental ter propostas claras e possíveis. Assim, você pode começar o mandato com um norte", diz o candidato.

O coletivo luta por uma cadeira no Legislativo paulistano, hoje sem nenhum representante da categoria. A ideia de unir cinco pessoas, todas com experiências de vida diferentes, é justamente ampliar as chances de vitória. "Nas eleições passadas, os partidos procuravam pessoas com deficiência, que tinham seus 3 mil votos, e esse montante ia para as lideranças partidárias. Unidos, temos um potencial de boa votação."

Quando foi vereador em Gália, 16 anos atrás, Beraldin conta que já trabalhava com propostas. Na ocasião, ele chegou a registrar o compromisso em cartório. "Eram 11 pontos, dos quais consegui cumprir sete. O legal de trabalhar com proposta pé no chão é poder falar quantas deram certo, quantas não deram. É realista."

Nestas eleições, ele vê a apresentação de planos de governo como tendência entre os vereadores. "É um trabalho que deve ser levado em consideração pelo eleitor na hora da tomada de decisão", afirma o candidato. Entre as ideias colocadas no site do coletivo está a substituição da frota atual de ônibus por veículos de piso baixo, para tornar o transporte mais acessível a pessoas com deficiência.

Cautela

O cientista político Humberto Dantas diz que a apresentação de planos de governo por parte de candidatos a vereador é uma iniciativa "interessante", mas requer cuidados por parte dos eleitores.

"O ideal é ver se as coisas em que esses candidatos acreditam fazem sentido com aquilo que o partido deles defende. E, além disso, compreender se estão fazendo promessas executivas ou, de fato, defesa de ideias", afirma o especialista.

A viabilidade das propostas e a competência são outros pontos a serem checados. "Alguns falam que vão construir ou entregar, o que é uma falácia", lembra Dantas.

Isso porque vereadores não têm competência, por exemplo, para propor leis que gerem custos ao município - podem, no máximo, autorizar a Prefeitura a fazê-lo.

Por isso, os candidatos a vereador ao prometer que vão "construir" hospitais, praças ou escolas estão tentando enganar o eleitor.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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