Mensagens indicam que Moraes e Vorcaro discutiram operação da PF antes de prisão
Ex-dono do Banco Master questionou ministro do STF se deveria deixar o país a dois dias de ser alvo da Polícia Federal

Uma troca de mensagens revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, discutiram a iminência de uma operação da Polícia Federal (PF) contra o banqueiro dias antes de sua prisão. O conteúdo, divulgado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, aponta que Vorcaro chegou a questionar o magistrado sobre a necessidade de deixar o país às vésperas de ser alvo da ação policial.
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Os diálogos ocorreram no fim de semana que antecedeu a prisão do empresário, em novembro de 2025. No sábado, dia 15, Vorcaro perguntou a Moraes se o ministro achava que na segunda-feira ele já deveria "estar fora". Quarenta e oito horas depois da mensagem, na noite do dia 17, o banqueiro foi detido pela PF enquanto tentava embarcar em um jato particular. Um dia antes de ser preso, no domingo, Vorcaro voltou a acionar o ministro pelo WhatsApp para saber se existia chance de a operação ocorrer na manhã seguinte e sugeriu um encontro presencial, oferecendo ir à casa do magistrado ou recebê-lo em sua residência.
Nas mensagens, o ex-banqueiro demonstrou estar perplexo e indignado com a investigação. Ele afirmou que a operação destruiria seu negócio sem volta, cogitou que talvez fosse melhor encarar a situação de frente e apelou dizendo que precisavam encontrar uma forma de "desarmar" a investida policial. Vorcaro foi alvo de uma operação que investigava a venda de títulos de crédito falsos, na qual sua instituição emitia CDBs com promessas de retornos irreais, chegando a oferecer até 40% acima da taxa básica do mercado.
As conversas que detalham o contato direto entre o investigado e o ministro do STF constam em um relatório elaborado pela própria Polícia Federal e enviado ao Supremo. O documento teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça e, na sequência, o material foi encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
