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Flávio Bolsonaro exibe dados de favoritismo da escala 5x2 em reunião, mas aponta ressalvas

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reuniu parlamentares da sigla nesta terça-feira, 19, para alinhar a comunicação em sua defesa no caso Vorcaro e exigiu dados que mostram o apelo popular do fim da escala 6x1.

O encontro foi convocado para que o senador pudesse prestar contas de sua versão no escândalo eclodido a partir da reportagem do Intercept Brasil divulgada na semana passada. O site mostrou que Flávio pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", que retrata a vida e eleição a presidente de Jair Bolsonaro.

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Os dados apresentados na reunião, tirados de uma pesquisa interna encomendada pela sigla, mostram um favoritismo da escala 5x2: 49,2% das pessoas optaram pelo formato quando perguntadas qual é a melhor escala de trabalho, segundo apresentação feita pelo partido.

Outras 14,3% escolheram a escala 6x1; 13,8%, uma "jornada flexível"; e também 13,8% responderam que preferem receber por horas trabalhadas. A preferência pela escala 4x3 ficou com 7,8% dos respondentes, e 1,3% responderam que não sabiam.

Quando há um recorte de ideologia política, as proporções passam por grande variação. Entre pessoas de direita, a preferência pela escala 5x2 cai para 26,3%, ainda assim maior que a 6x1 (23,7%). Quem prefere receber por horas trabalhadas (21,8%) e jornada flexível (23,2%) também têm aumentos. Já na esquerda, a escala 5x2 chega a 75,6% de preferência.

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Flávio afirmou que o debate do fim da escala 6x1 é válido, mas insuficiente, e que o partido deve ir além da iniciativa encampada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que visa a redução da carga horária de 44 horas para 40 horas e cinco dias de trabalho com dois de descanso, sem redução salarial.

O PL vai defender uma proposta que foque a seguinte tríade: hora trabalhada, livre negociação e preservação de direitos trabalhistas, como o 13º salário, férias e FGTS, por exemplo.

A estratégia é mirar no público-alvo que o projeto do governo Lula não atinge: cerca de 28% defendem receber por hora trabalhada e jornada flexível, enquanto outros 14% são simpáticos à escala 6x1, hoje em vigor em alguns setores, como o comércio.

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O discurso alinhado pelos bolsonaristas foca na flexibilidade e numa suposta maior empregabilidade do modelo, escalas decididas por empresas, garantia do negociado sobre o legislado e a tese "mais oportunidades, com mais produtividade".

O partido avalia que vai atender a 45 milhões de informais ou autônomos e a 66,5 milhões de pessoas fora da força de trabalho. Entre os exemplos citados de público-alvo estão mães com filhos na creche de meio período; um jovem que queira fazer o próprio "pé de meia"; e o celetista procurando por um "bico".

O cálculo do PL é que, se 5% desse público for beneficiado, haverá 5,5 milhões a mais de trabalhadores formais, gerando mais consumo, maior arrecadação e maior crescimento, segundo essa visão.

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Na 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, conhecida como Marcha dos Prefeitos, Flávio repetiu o discurso usado na reunião fechada ao tratar do fim da escala 6x1.

"O Brasil se atualizou. O mundo que nós vivemos hoje não é mais o de 1943, na época da CLT. Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais. Todos nós queremos isso para as nossas vidas. Só que é uma legislação que está atrasada, engessada, que vai causar um impacto nos municípios de R$ 50 bilhões por ano se for aprovada dessa forma", afirmou, em referência ao projeto do governo Lula.

"Temos que apresentar uma proposta melhor. O trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha, e não o governo. E como vamos propor isso? O salário mínimo será por hora trabalhada, com todos os direitos garantidos. Essa PEC pode engessar quem quer trabalhar mais", declarou.

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Bolsonaristas vêm evitando se colocar contra a medida, diante da popularidade da pauta. Num café da manhã oferecido para jornalistas na semana passada, o líder da oposição na Câmara, Gilberto Silva (PL-PB), admitiu que a bancada bolsonarista não será contra o fim da escala 6x1.

"Não posso votar algo contra o Brasil, que vai melhorar a vida das pessoas, só porque veio do Lula. Mas a gente não aceita a proposta do governo. Está jogando para a galera. Por que não foi feito antes?", afirmou o deputado na ocasião.

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