Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

Ex-juiz do TRE propõe nova classificação para fake news

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

A dificuldade em se definir juridicamente o que são fake news e deepfake foi o tema da mesa Desafios na segurança das redes digitais e infraestrutura das eleições de 2026, nesta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week (SPIW).

Mediado pela ex-senadora Kátia Abreu (PT-TO), o debate contou com as participações de Edilene Lobo, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e do professor Diogo Rais, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Também estiveram presentes o ex-presidente da OAB-SP, Luiz Flávio D'Urso, e Michael Mohallem, gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas do Google.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Rais criticou a perspectiva atual da Justiça Eleitoral de considerar como notícia falsa, ou notícia fraudulenta, como ele propõe chamar, fatos sabidamente inverídicos - isto é, que são comprovadamente mentirosos.

O especialista em direito eleitoral sugeriu a adoção de um novo entendimento, que defina fake news como conteúdos enganosos com potencial lesivo. Ou seja, bastaria o conteúdo gerar uma dúvida no eleitorado sobre se determinado fato é verdadeiro ou não, abrindo margem para danos a um candidato ou partido.

Ele usou como exemplo um caso real, da última eleição municipal, em que um candidato acusou o adversário de ter um filho fora do casamento. O acusado, então, acionou a Justiça Eleitoral e pediu a remoção do conteúdo. A juíza, porém, disse que sem um teste de DNA não seria possível determinar se a acusação era sabidamente inverídica - falsa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"É bizarro a Justiça Eleitoral determinar um exame de DNA. A Justiça Eleitoral tem esse nome porque cuida de eleições, não de família", diz ele. "Na prática, tratar fake news como fato sabidamente inverídico implica transformar a Justiça Eleitoral numa Justiça universal, sem paralelo no mundo."

Caso o entendimento fosse de conteúdo enganoso, a publicação seria retirada por haver dúvidas. Não estaria em debate a veracidade da afirmação.

"Para saber se o conteúdo é falso, eu preciso do DNA, mas para determinar se ele é enganoso, não. Por quê? Basta eu ter dúvidas sobre o conteúdo, não é necessário ter certeza", afirma Rais. "Se o filho não é reconhecido, não há nenhum material probatório, nenhuma certidão, aquele filho pode ser dele como qualquer outra pessoa poderia ser filha dele. Havendo dúvida, me parece que a afirmação de uma dúvida é enganosa por si, e aí caberiam a remoção do conteúdo e outras penalidades, sem precisar de DNA."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A ex-ministra do STJ Edilene Lobo traçou uma linha do tempo elogiosa da digitalização do processo eleitoral brasileiro, passando pelas urnas eletrônicas, mas manifestou preocupação com o que chamou de "digitalização extremada" que permitiu a "manipulação digital".

"No cerne da manipulação estão as fake news, que agora na versão repaginada se chamam deepfakes, que também enfrentam um problema de conceituação", afirma ela. "Por isso a necessidade de tratar cada caso com um termômetro na mão, com uma regra preexistente e com velocidade suficiente para evitar que a solução para uma lesão venha quando talvez não seja possível atalhar um dano."

A ex-ministra disse ainda que o sistema eleitoral brasileiro, com a urna eletrônica e outros processos digitalizados, é um exemplo para o mundo. Kátia Abreu também defendeu as urnas e criticou os ataques feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Já passei por 10 eleições, entre as minhas e dos meus filhos. Vencemos sete, perdemos três. Nunca questionei as urnas, nunca duvidei. Muito pelo contrário, em nenhuma dessas eleições fui surpreendida: a gente sabe, no fundo, quando vai perder", conta ela.

Ex-presidente da OAB-SP, Luiz DUrso lembrou que as mentiras sempre estiveram presentes nos processos eleitorais, mas que os avanços tecnológicos ampliaram o potencial de dano e, em muitos casos, tornaram o processo irreversível. "Diante da explosão daquela informação que não é verdadeira e é danosa ao candidato, não dá tempo de reverter, de desmentir."

Nesse sentido, uma das novidades na eleição deste ano é a proibição pelo TSE da circulação de conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial entre 72 horas antes e 24 horas depois do pleito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV