Esquema na assistência social do Rio tinha Cristiane Brasil 'fada madrinha' - TNOnline
Mais lidas
Ver todos

Política

Esquema na assistência social do Rio tinha Cristiane Brasil 'fada madrinha'

Escrito por Da Redação
Publicado em Editado em
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, .

Para determinar a abertura da segunda fase da Operação Catarata e mandar prender cinco pessoas, entre elas a ex-deputada e candidata à prefeitura do Rio Cristiane Brasil e o secretário de Educação do Estado, Pedro Fernandes, a juíza Ana Helena Mota Lima Valle, da 26ª Vara Criminal da Capital, levou em consideração os detalhes das imputações feitas aos denunciados pelo Ministério Público do Estado, como a tamanha influência que os ex-secretários detinham, de modo que receberam propinas mesmo sem ocupar cargos estratégicos no governo para beneficiar a organização criminosa.

Segundo a Promotoria, Cristiane Brasil era fada madrinha de uma empresa vencedora das licitações direcionadas. Já Pedro Fernandes, era tratado como chefe por outros integrantes do esquema investigado. Além deles, o MP do Rio classificou como protagonista de um dos núcleos do grupo criminoso o empresário Marcus Vinicius Azevedo da Silva - ao mesmo tempo servidor lotado no gabinete do governador em exercício Claudio Castro à época em que era vereador e sócio de empresas ligadas a esquema que fraudou certames de quase R$ 120 milhões.

"É necessário se resguardar a ordem pública, interrompendo as práticas criminosas. O Estado do Rio de Janeiro vem sendo protagonista de desmandos e descasos, não demonstrando os referidos denunciados nenhum temor na prática dos ilícitos, ao contrário, os indícios são que acreditam na impunidade. Os crimes em apuração são graves, o desvio de verba pública em proveito próprio e de terceiros, apesar de não ser cometido com grave ameaça ou violência à pessoa, afeta toda a população: a parte que consegue pagar seus impostos, que cada dia é mais onerada, e a parte que luta para sobreviver, para ter saúde, educação, comida. É notório que a sociedade fluminense clama por uma resposta imediata dos Poderes Constituídos e, no caso em tela, necessita-se acautelar o meio social e a própria credibilidade da justiça em face da gravidade dos crimes em apuração", escreveu Ana Helena ao decretar as preventivas de na Catarata 2.

As ordens atingiram Cristiane Brasil, Pedro Fernandes, o empresário Flavio Salomão Chadud, seu pai, o delegado da PCERJ Mario Jamil Chadud e o ex-diretor de administração financeira (DAF) da Fundação Leão XIII, João Marcos Borges Mattos.

Na mesma decisão em que mandou deflagrar a Catarata 2, Ana Helena aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual contra 25 pessoas - entre os alvos da ofensiva e outros investigados - por crimes de organização criminosa, fraudes licitatórias, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e embaraço à investigação. Entre os acusados estão os ex-presidentes da Fundação Leão XIII Sergio Fernandes e Erika Yukiko Muraoka, o sócio da Rio Mix Marcus Vinicius Azevedo da Silva, além de servidores públicos e representantes de empresas e organizações sociais.

A magistrada indicou que a acusação era denúncia é minuciosa e exaustiva na explanação dos fatos . "As provas carreadas aos autos são estarrecedoras quanto à corrupção ´pandêmica´ que assola o Estado do Rio de Janeiro em diversas frentes", ponderou.

A Promotoria apontou que a organização criminosa era composta por três núcleos - empresarial, político e administrativo - e atuava no direcionamento de licitações visando à contratação fraudulenta das empresas Servlog Rio e Rio Mix 10, controladas por Flavio Salomão Chadud e Marcus Vinicius Azevedo da Silva.

Para isso, o grupo pagava propinas a servidores públicos e a agentes políticos que eram responsáveis pelas Secretarias Municipais e pela Fundação Estadual Leão XIII. Os valores eram entregues em dinheiro no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, local apontado pela promotoria, como QG da organização criminosa.

O núcleo político da organização criminosa era composto por Cristiane Brasil, Pedro Fernandes, Sergio Fernandes e João Marcos Borges Mattos, segundo o MP do Rio. Tal grupo era responsável por viabilizar fraudes em suas respectivas pastas e prorrogar contratos fraudulentos mediante recebimento de propina, que variava de 5% a 25% do valor pago pelo contrato.

O MP apontou ainda que duas outras denunciadas eram responsáveis em receber os valores ilícitos devidos à filha do ex-deputado Roberto Jefferson. " Há noticias de pagamento em euros recebidos pela denunciada", registra a decisão da Catarata 2.

"Verifica-se que os denunciados Pedro Fernandes e Cristiane Brasil, se utilizando de articulações políticas, teriam implementado e gerido um verdadeiro esquema criminoso, com apoio de empresários, assessores, administradores e funcionários que, em troca de um emprego/função com remuneração e bônus, alimentavam o desvio de verbas públicas destinada a pessoas de baixa renda e a idosos. A suposta OCRIM teria tido sua origem, ainda no ano de 2013, no âmbito da Secretária Municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio de Janeiro, sob a influência da então vereadora e Secretária Cristiane Brasil", registro Ana Helena em sua decisão.

A magistrada ainda destacou a influência da organização criminosa indicando que na primeira fase da Operação Catarata, em julho de 2019, o delegado Mario Jamil Chadud foi até a sede da Servlog Rio, no Shopping Downtown e retirou do local uma série de documentos, computadores, dinheiro em espécie, procurando obstruir a investigação. Segundo a decisão de Ana Helena tal retirada se deu uma hora antes de os policiais chegarem ao local, sendo que a ofensiva foi atrasada pelo mesmo período, havendo indícios de que houve vazamento de informação.

Com a palavra, o secretario de Educação do Rio

"Pedro Fernandes ficou indignado com a ordem de prisão. O advogado dele vinha pedindo acesso ao processo desde o final de julho, mas não conseguiu. A defesa colocou Pedro à disposição das autoridades para esclarecimentos na oportunidade. No entanto, Pedro nunca foi ouvido e só soube pela imprensa de que estava sendo investigado por algo que ainda não tem certeza do que é. Pedro confia que tudo será esclarecido o mais rápido possível e a inocência dele provada."

Com a palavra, a ex-deputada Cristiane Brasil

"Tiveram oito anos para investigar essa denúncia sem fundamento, feita em 2012 contra mim, e não fizeram pois não quiseram. Mas aparecem agora que sou pré-candidata a prefeita numa tentativa clara de me perseguir politicamente, a mim e ao meu pai. Em menos de uma semana, Eduardo Paes, Crivella e eu viramos alvos. Basta um pingo de racionalidade para se ver que a busca contra mim é desproporcional. Isso deve ter dedo da candidata Martha Rocha, do Cowitzel e do André Ceciliano. Vingança e política não são papel do Ministério Público nem da Polícia Civil."

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do governo do Rio e com os investigados. O espaço está aberto para manifestações.

Gostou desta matéria? Compartilhe!

Deixe seu comentário sobre: "Esquema na assistência social do Rio tinha Cristiane Brasil 'fada madrinha'"

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.