Política

Em aceno a evangélicos, Bolsonaro critica descriminalização do aborto na Colômbia

Da Redação ·

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou nesta terça-feira, 22, nas redes sociais, a descriminalização do aborto até o sexto mês de gestação na Colômbia. Em ano de eleição, o chefe do Executivo tem apostado na pauta de costumes e tentado fidelizar o apoio dos evangélicos, uma de suas principais bases eleitorais.

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"Que Deus olhe pelas vidas inocentes das crianças colombianas, agora sujeitas a serem ceifadas com anuência do Estado no ventre de suas mães até o 6° mês de gestação, sem a menor chance de defesa", escreveu o presidente, no Twitter. "No que depender de mim, lutarei até o fim para proteger a vida de nossas crianças!", acrescentou.

Nesta segunda-feira, 21, um tribunal colombiano decidiu descriminalizar o aborto nas primeiras 24 semanas de gestação. Até então, a interrupção da gravidez só era permitida no país vizinho em casos de estupro, se a saúde da mãe estivesse em risco ou quando o feto apresentasse uma má-formação que comprometesse sua sobrevivência.

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Em países da América Latina como Argentina, Uruguai, Cuba e Guiana, o acesso ao aborto já foi flexibilizado. No México, a interrupção da gravidez é autorizada até 12 semanas em algumas regiões. No Brasil, o aborto é permitido apenas em caso de estupro, quando a mãe corre risco de morrer e se o feto for anencefálico.

Bolsonaro tem feito acenos ao eleitorado evangélico nos últimos meses. No ano passado, o presidente indicou o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele havia prometido nomear para a Corte um magistrado "terrivelmente evangélico", e Mendonça é pastor presbiteriano.

No último dia 16, com o objetivo de se aproximar ainda mais do Palácio do Planalto, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) abriu espaço em sua cúpula para os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Hélio Lopes (PSL-RJ), que assumiram na bancada os cargos de secretário e tesoureiro, respectivamente.

A entrada do filho "03" do chefe do Executivo e de um dos principais aliados de Bolsonaro na liderança da bancada evangélica foi articulada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que assumiu a presidência da Frente neste ano.