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'Eles devem propor políticas públicas', diz padre Lancellotti após vereadores ensaiarem CPI

O padre Júlio Lancellotti, de 75 anos, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de São Paulo, começou 2024 lidando com o anúncio de que seria um dos principais investigados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal

Samuel Lima (via Agência Estado)

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Escrito por Samuel Lima (via Agência Estado)
Publicado em 05.01.2024, 20:04:00 Editado em 05.01.2024, 20:11:13
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O padre Júlio Lancellotti, de 75 anos, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de São Paulo, começou 2024 lidando com o anúncio de que seria um dos principais investigados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Paulo. A ideia era envolvê-lo em uma apuração sobre o trabalho de organizações não governamentais (ONGs) que atuam na região da Cracolândia em parceria com a Prefeitura e que, diante da repercussão negativa, agora parece estar mais longe de sair do papel. O padre alega que sequer faz parte hoje das entidades citadas pelo autor do requerimento, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil). Seu trabalho na pastoral, segundo ele, é feito com recursos da Arquidiocese e por meio de doações da comunidade na Paróquia de São Miguel de Arcanjo, no bairro da Mooca. "É uma coisa um tanto desconjuntada, sem nexo", afirma, em entrevista ao

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Estadão

, o padre, que costuma ser chamado de "esquerdista" por opositores. Em menos de uma semana, o que prometia ser uma CPI para investigar ONGs na Câmara se transformou em dor de cabeça para os parlamentares que ajudaram a protocolar o documento. Ao menos quatro deles voltaram atrás dizendo que o pedido de CPI não tinha o nome do padre e que foram enganados. Rubinho não atendeu a reportagem para comentar o caso. O religioso não descarta ser uma vítima de perseguição política. Confira a entrevista completa abaixo.

Como foi receber a notícia de que poderia ser alvo de uma CPI?

É uma coisa um tanto desconjuntada. Ser alvo de uma CPI sobre a atuação na Cracolândia é um pouco sem nexo.

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O senhor entende que está sendo vítima de perseguição política?

Olha, é difícil definir qual a motivação, mas tudo é possível neste momento que a gente vive.

Por conta do ano eleitoral?

Sim.

Ficou surpreso com a repercussão e do apoio recebido?

Teve muito apoio realmente, e acho que isso é importante porque não é uma coisa pessoal. É para a pastoral, para a Arquidiocese e para a população de rua. Acha que sai com a imagem e com o trabalho fortalecidos de alguma forma? Não é que fortaleça, mas dá força para a gente continuar na luta.

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De que forma os vereadores podem ajudar a solucionar o problema da Cracolândia?

Eles têm que discutir políticas públicas, métodos e elaborar uma política de Estado, e não de governo.

Faz sentido investigar as ONGs?

Eles podem investigar. Acho que isso não é um problema. Eles podem investigar as ONGs para saber qual o programa de cada uma, o que elas estão fazendo com os recursos que têm, se os recursos são suficientes. Hoje, grande parte dos trabalhos da Prefeitura na saúde e na assistência social são feitos com parcerias.

Faltam recursos hoje para atender a população de rua?

Às vezes, falta. Há pessoas que querem ser libertadas e que não conseguem.

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O autor do pedido de CPI usa o termo 'máfia da miséria' para se referir ao trabalho das ONGs...

Precisa clarear o que isso quer dizer. São figuras de linguagem, dentro da liberdade de expressão de cada um, e não sei a que ele está se referindo.

Seria uma crítica à política de redução de danos que não retiraria as pessoas da dependência química.

A política de redução de danos é uma política da Organização Mundial da Saúde (OMS), exercida em vários países. Agora, ela tem limitações. Nenhuma técnica é infalível. Algumas pessoas respondem, outras não. Depende da situação de cada um.

Como o senhor pretende se posicionar daqui para a frente?

Vou continuar fazendo o meu trabalho pastoral. Eu não sou de nenhum partido político. E não sou cabo eleitoral de ninguém.

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