Política

Correção: Enviado de Biden questiona ministro da Defesa sobre eleições no Brasil

Felipe Frazão (via Agência Estado) ·
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Diferentemente do que informou a primeira versão deste texto, o ministério da Defesa assinou uma carta que é resultado da Conferência de ministros das Américas.

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O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, foi questionado sobre as eleições de outubro pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, general Lloyd Austin, durante reunião reservada à margem da Conferência de Ministros de Defesa das Américas (CMDA). O enviado do governo Joe Biden abordou o assunto e manifestou mais uma vez que os EUA têm confiança que o Brasil vai promover eleições livres e justas. Nesta quinta-feira, dia 28, Paulo Sérgio deu garantias de compromisso com a democracia, como reiterando o que havia afirmado a Austin na reunião cara a cara.

"O compromisso dos nossos países com a democracia e com a liberdade é outro importante aspecto que deve, permanentemente, nortear as conversações no âmbito da CMDA", afirmou o ministro da Defesa, um dia depois da audiência com Austin, no encerramento da 15ª edição da conferência.

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O secretário de Defesa, um general aposentado escolhido por Biden, cobrou responsabilidade dos militares brasileiros, em declaração dada a jornalistas norte-americanos que acompanharam sua comitiva.

"Gostaria apenas de ressaltar que é especialmente vital que os militares desempenhem seus papéis com responsabilidade durante as eleições", disse ele, conforme a agência Reuters.

Ao ministro, Austin reiterou a posição explícita do governo Joe Biden de confiança nas instituições brasileiras e na confiabilidade do sistema eleitoral. A reunião ocorrida na quarta-feira, dia 27, durou cerca de uma hora - dos quais cerca de 5 minutos foram dedicados ao tema.

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Fontes diplomáticas dos Estados Unidos que testemunharam o diálogo reservado afirmam que a pauta foi ampla, por causa do leque de cooperação militar entre os países, e não poderia se resumir às eleições. A conversa paralela passou por saúde, treinamento e operações conjuntas.

O secretário Austin disse que confia das Forças Armadas do Brasil e que eleições livres e transparentes são o fundamento da democracia. Ele disse confiar que o Brasil promoverá, como no passado, eleição "limpas e justas".

Austin deixou em Brasília a impressão de que veio de Washington especialmente para dar o recado do governo Joe Biden e cobrar a "devoção à democracia" no País e o "firme controle civil" sobre das Forças Armadas, além de transparência.

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Conforme auxiliares da Defesa, Paulo Sérgio explicou ao secretário de Biden que as Forças Armadas passaram a questionar a segurança das urnas eletrônicas, a sugerir mudanças de procedimentos e indicaram uma equipe de fiscalização das eleições a convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele afirmou que a postura dos militares é de contribuir com a segurança e com o "aperfeiçoamento" do pleito.

Segundo pessoas que acompanharam a conversa, Paulo Sérgio assegurou a Lloyd Austin que o governo defende valores democráticos e que as eleições no Brasil serão "transparentes, seguras e auditáveis". A efetividade da auditoria é justamente um ponto de divergência entre militares e a corte eleitoral. A Defesa quer alterar o teste de integridade e promover auditorias independentes, feitas por entidades privadas e partidos políticos. A cúpula do TSE diz que o sistema já possui diversas oportunidades de auditoria e fiscalização e que nunca houve divergências de contagem de votos nos testes realizados no dia da votação. Mas Bolsonaro segue dizendo o contrário sobre as urnas eletrônicas.

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Os militares brasileiros da ativa escalados na equipe de fiscalização das eleições nomeada pelo ministro da Defesa dizem que ainda existem possíveis vulnerabilidades no sistema eletrônico de votação e insistem em alterações para as eleições de outubro. O Palácio do Planalto deflagrou uma operação de bastidores com ministros civis e de perfil político para tentar convencer o TSE a acatar alguma das propostas da Defesa, a fim de baixar a temperatura e evitar contestações por parte do presidente Jair Bolsonaro e de eventuais reações violentas de seus apoiadores.

Defensor do voto impresso, o presidente promove uma campanha de desconfiança sobre as urnas eletrônicas e indica a possibilidade de não reconhecer uma derrota para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), algo factível conforme pesquisas de intenção de voto. O governo Biden cobra que o presidente respeite o resultado das urnas e já manifestou por vias diplomáticas que o sistema brasileiro é "modelo" para o mundo.

Logo depois da reunião bilateral com o ministro Paulo Sérgio, Austin partiu do País e encarregou integrantes de segundo escalão do Departamento de Defesa para concluir as negociações sobre a Declaração de Brasília. O documento incluiu, por pressão dos norte-americanos e de canadenses, uma crítica à guerra na Ucrânia, embora tom mais brando do que o planejado e com oposição do Brasil, da Argentina e do México, três das principais economias da América Latina.

Na declaração final, os ministros reafirmaram o compromisso de respeitar a carta da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Carta Democrática Interamericana. Por padrão adotado nos últimos anos, esse mesmo compromisso é reiterado no preâmbulo de todas as declarações que encerram os encontros de ministros de Defesa.