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Bolsonaristas retornam ao Telegram e usam ato para espalhar desinformação

Apoiadores de Jair Bolsonaro têm aproveitado o ato convocado pelo ex-presidente na Avenida Paulista, no dia 25, para espalhar desinformação e teorias conspiratórias por meio do Telegram. Usuários da plataforma voltaram a compartilhar, por exemplo, mensage

Levy Teles, Pedro Augusto Figueiredo, Heitor Mazzoco, Rafaela Ferreira e Gabriel de Sousa (via Agência Estado)

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Escrito por Levy Teles, Pedro Augusto Figueiredo, Heitor Mazzoco, Rafaela Ferreira e Gabriel de Sousa (via Agência Estado)
Publicado em 16.02.2024, 07:31:00 Editado em 16.02.2024, 07:35:58
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Apoiadores de Jair Bolsonaro têm aproveitado o ato convocado pelo ex-presidente na Avenida Paulista, no dia 25, para espalhar desinformação e teorias conspiratórias por meio do Telegram. Usuários da plataforma voltaram a compartilhar, por exemplo, mensagem segundo a qual caminhoneiros, motociclistas e representantes do agronegócio vão promover uma paralisação geral caso Bolsonaro seja preso.

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"Assunto que está circulando nos bastidores. Que uma grande paralisação geral dos caminhoneiros e o agro estão articulando logo após a prisão do Bolsonaro", diz um dos posts que estão sendo distribuídos em canais bolsonaristas. "Pessoal, se preparem para o pior, porque irá haver desabastecimento nos mercados e postos de gasolina, em geral."

Levantamento do Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com apoio do InternetLab, contabilizou nos últimos dias 951 mensagens em 96 grupos e 113 canais do Telegram com menções relativas à manifestação na Paulista. O vídeo em que Bolsonaro faz a convocação foi divulgado nesta segunda-feira, 12.

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Entre as mensagens, Bolsonaro e sua família são mencionados 166 vezes, enquanto líderes religiosos e instituições são citados 35 vezes e o Supremo Tribunal Federal e ministros da Corte, 15 vezes. Torcidas de futebol organizadas aparecem 48 vezes. Rumores na internet diziam que a Gaviões da Fiel, do Corinthians, e a Mancha Verde, do Palmeiras, estavam convocando um ato no mesmo dia e no mesmo local da manifestação de desagravo a Bolsonaro, mas as organizadas negaram a iniciativa.

'Chamado'

"O presidente Bolsonaro está dando um recado. Estamos a 11 dias do maior evento de democracia e resgate aos movimentos patrióticos como os 70 dias nos quartéis. Eu estava lá e vocês?", afirma outra mensagem que circulou em 16 dos grupos monitorados pelo levantamento. "Vamos atender o chamado dele (Bolsonaro) para o dia 25/2/2024 às 15h na Avenida Paulista. Não esqueçam quem é o governador de SP que certamente o dará todo o apoio necessário."

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"Temos hoje, mesmo após a saída de Bolsonaro (do governo), um ecossistema multiplataforma de desinformação e mensagem de ódio que rapidamente recebeu esse chamamento do ex-presidente", disse o pesquisador Leonardo Nascimento, responsável pelo levantamento da UFBA. "Isso cria uma efervescência no grupo, de caráter conspiratório."

"Mensagens insinuando uma nova tentativa de golpe e uma possível tomada de poder pelos manifestantes durante o ato, bem como mensagens em defesa da suposta perseguição política sofrida por Bolsonaro, que agora também precisa combater o Centrão, são as mais difundidas para incentivar os apoiadores a irem às ruas", diz o relatório do Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Mensagens em tom radical estão "recirculando" nos grupos bolsonaristas. "Barulho, conservadores! Não é hora de aposentar os sinos. O Brasil patriota precisa despertar para a batalha!", afirma uma das mensagens. "O Brasil vai se levantar. Os motoclubes estão se levantando, o povo está se levantando, caminhoneiros vão se levantar", diz outro vídeo.

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'Ordeiro'

Nesta quinta-feira, 15, Bolsonaro se reuniu com o pastor Silas Malafaia na sede do PL, em Brasília, para tratar da manifestação na capital paulista. O líder evangélico alugou um trio elétrico para o ato. Segundo ele, o ato será "pacífico" e terá como mote a defesa do estado democrático de direito. "Isso vale para todo mundo", declarou.

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"Manifestações pacíficas são livres na nossa Nação e é isso que nós vamos fazer lá. Vamos fazer uma grande manifestação em favor da liberdade de todo o povo brasileiro. Vai muito mais além do que Bolsonaro", afirmou o pastor, na saída do encontro no PL. Participaram também da reunião o assessor e advogado do ex-presidente, Fábio Wajngarten, e o deputado Zucco (PL-RS). O parlamentar gaúcho disse que a intenção é promover "um evento ordeiro e com a presença de diversos parlamentares".

Apoiadores do ex-presidente já organizam caravanas para a capital paulista. Segundo mensagens trocadas nas redes, os carros partirão de cidades do interior de São Paulo, de Minas e do Rio. O valor da viagem chega a R$ 200.

O vídeo de Bolsonaro sobre o ato na Paulista - no qual ele pede que apoiadores não levem faixas contra ninguém - foi a 12.ª publicação do ex-presidente com mais engajamento no Instagram nos últimos 365 dias, segundo a agência Bites. A soma de curtidas, compartilhamentos e comentários resultou em 1,4 milhão de reações. O vídeo foi visto 14,4 milhões de vezes. "Isso mostra uma força do ex-presidente como há alguns meses não se via", disse o diretor adjunto da Bites, André Eler.

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Investigação

Bolsonaro convocou apoiadores para o ato na Paulista para se defender das suspeitas que o atingem. Na semana passada, a Polícia Federal cumpriu mais de 30 mandados de busca e apreensão na Tempus Veritatis, tendo como alvo, além do ex-presidente, aliados próximos. Ele teve de entregar seu passaporte às autoridades. A defesa tenta reverter a decisão na Justiça.

Uma prisão preventiva contra o ex-presidente é considerada difícil por juristas ouvidos pela reportagem. "Só pode ser preso se começar a destruir provas, combinar testemunhas, continuar a cometer crime ou tentar fugir. Ainda está na fase de inquérito. Nem a fase de ação penal começou", afirmou Antônio Carlos de Freitas Junior, mestre em Direito pela USP e especialista Direito Público e Eleitoral.

Apoio

Citado em mensagens bolsonaristas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que confirmou que irá participar do ato, defendeu ontem o ex-presidente. Ele, que foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, se candidatou e foi eleito com apoio do ex-presidente, disse manter relação fraterna com o ex-chefe do Executivo e ter gratidão por ele.

Para Tarcísio, não há elementos para responsabilizar o ex-presidente. "Sinceramente, não consigo ver - e essa não é uma opinião minha, tem muitos juristas divididos - nada que traga uma responsabilização. Acho que o pessoal está criando muita coisa. Com o tempo, tudo vai ser esclarecido."

As informações são do jornalO Estado de S. Paulo.

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