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Jamais assinaria a 'Carta ao Povo Brasileiro', diz Ciro Gomes

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JOSÉ MARQUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta segunda-feira (12) que nunca assinaria um documento com compromissos ao mercado como a "Carta ao Povo Brasileiro", subscrita pelo então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

O pedetista diz, no entanto, prometer que num eventual governo seu não haverá sustos na área.

"Eu jamais assinaria aquela carta. Aquilo subalterniza a autoridade do presidente. Elege no lugar do povo uma força que não deveria prevalecer sobre o conjunto da população", disse, antes de debater com público na Casa do Saber, em São Paulo.

"Mas eu já disse que em meu governo não haverá susto. Ninguém precisa ter medo."

Nesta semana, o pedetista inicia agenda como pré-candidato. Ele passou mais de duas horas na noite desta segunda (12) respondendo aos participantes perguntas sobre economia e política.

Estava acompanhado do ex-ministro Mangabeira Unger (a quem cogita, segundo ele próprio, pôr no Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo) e o economista Nelson Marconi, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ainda aos jornalistas, voltou a avaliar o cenário político e afirmou que acredita que dividirá o segundo turno com o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) -já que Lula foi condenado e o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), segundo ele, tem "grave inconsistência".

"Eu tenho uma certa vivência na política, mas posso estar enganado. Hoje, inclusive aqui em São Paulo, está todo mundo se rendendo a uma evidência de que o Alckmin não cresce [nas intenções de voto]. Eu não vejo isso."

Ele diz que ter o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) como vice de chapa seria seu "dream team" (time dos sonhos) e a ex-ministra Marina Silva (Rede) o "dream team 2".

Aos participantes, Ciro prometeu, se eleito, tributar progressivamente lucros e dividendos e heranças, revisar o SUS e tornar mais rígida a legislação sobre o crime de lavagem de dinheiro.

Disse que faria os bancos estatais (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) competirem de forma mais acirrada com os privados. 

Se manifestou contra a autonomia do Banco Central, mas disse que tornaria o presidente "mandatado para perseguir a inflação e o pleno emprego".

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