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Contrariados, PC do B, PSB e PDT ameaçam abandonar PT na Câmara

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CATIA SEABRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Incomodados com a hegemonia petista, PC do B, PSB e PDT ameaçam abandonar o PT na Câmara dos Deputados, onde hoje integram um bloco de oposição ao governo Temer. Os três partidos se reúnem nesta terça-feira (6) para decidir se compõem um outro bloco sem a participação do PT.

Juntos, eles somam 66 deputados federais. O PT conta com 57. Hoje, o PT detém a liderança da minoria, que é ocupada pelo petista José Guimarães (CE). Segundo acordo fechado no ano passado, a cadeira de líder da oposição estaria, em 2018, reservada ao PDT, do pré-candidato Ciro Gomes (CE). Mas o PT ainda não liberou esse assento.

"Hoje, PC do B, PDT e nós [PSB] temos maior afinidade. Existe um acordo dentro do bloco e esperamos que seja cumprido", diz o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG).

Além do descumprimento do revezamento na liderança, partidos divergem sobre a atuação do PT à frente do bloco. Queixam-se de falta de diálogo com os demais partidos da Câmara. E dizem que uma candidatura à Presidência não deve se sobrepor às demais.

Líder do PC do B, Orlando Silva (SP) afirma que o Congresso é o polo de oposição ao governo Temer.

"E, neste ano eleitoral, a oposição precisa se articular, independentemente das candidaturas à Presidência".

Atual líder da minoria na Casa, Guimarães lembra que haverá uma reunião na terça para definir a liderança.

"Não temos que inventar crise. O PT vai cumprir todos os acordos que são feitos com os partidos do campo da esquerda", escreveu Guimarães, em uma mensagem, sem explicar se o PT cederá a liderança ao PDT.

MAIA x PSDB

A reunião de PC do B, PDT e PSB nasceu a partir de uma movimentação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para deter o avanço do PSDB na Casa. No ano passado, os tucanos se aliaram ao PR para formar um bloco que lhes daria direito a ocupar a presidência da Comissão Mista de Orçamento.

Para impedir que o PSDB assumisse a vaga, Maia coordenou a composição de um bloco com MDB, DEM e PP. Dispostos a evitar um contra-ataque do PSDB, os patrocinadores desse acordo convidaram PC do B, PSB e PDT para a coalizão. Em troca, esses partidos assumirão funções de relevância na elabora do Orçamento do ano que vem.

Dirigentes de partidos de oposição esclarecem que esse bloco foi composto exclusivamente para definição de espaço na Comissão do Orçamento. Eles argumentam que esse acordo não prejudica o PT, partido que, em tese, teria direito à presidência da Comissão, caso não houvesse possibilidade de composição de blocos para a disputa de cargos.

Segundo eles, o PT não conseguiria costurar com demais partidos uma aliança capaz de levar o partido à presidência da comissão.  

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