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PF revela fraudes em empresas de limpeza

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JOELMIR TAVARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal e a Receita Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, nesta quinta-feira (1º), na Operação Descarte, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de serviços de limpeza que têm contratos públicos.

A ação dos dois órgãos é um desdobramento da Operação Lava Jato e teve a contribuição de informações obtidas nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e de seu ex-sócio Leonardo Meirelles. Dados fornecidos por Youssef e pelo empresário foram cruzados com levantamentos que já vinham sendo feitos pela Receita.

Agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em casas e empresas nas cidades de São Paulo, Santos, Paulínia, Belo Horizonte e Lamim (MG).

Segundo a Receita, as investigações de auditores do órgão chegaram a um esquema de lavagem de dinheiro formado por uma rede de empresas de fachada que tinham "laranjas" como proprietários. A organização emitiu mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude.

No esquema, um grupo de 14 empresas (organizadas em seis "células", segundo a investigação) simulavam a venda de mercadorias ao cliente do serviço de lavagem, que pagava por produtos inexistentes via transferências bancárias ou boletos, para dar aparência de legalidade à aquisição.

"O prejuízo aos cofres públicos pelo não recolhimento dos tributos devidos pode chegar a centenas de milhões de reais", afirmou a Receita em nota.

A PF e a Receita concentraram a maior parte das investigações, até o momento, no Consórcio Soma, associação de empresas que presta serviços para a Prefeitura de São Paulo desde 2011.

O grupo, segundo a apuração, é um cliente do conjunto de empresas que operavam a fraude com notas frias.

O Soma é controlado pela Estre Ambiental, gigante do ramo da limpeza pública que tem o empresário Wilson Quintella como acionista. Ele também é citado na Operação Descarte e aparece em delações da Lava Jato.

De acordo com a Polícia Federal, o consórcio emitiu R$ 200 milhões em notas fraudulentas.

Não há indícios de que a prefeitura tenha sido lesada ou que houve participação de funcionários públicos no esquema, mas a PF ainda irá apurar as hipóteses a fundo.

O Consórcio Soma diz, via assessoria de imprensa, "que cumpre todas as exigências legais e que está prestando todas as informações solicitadas pela Polícia Federal".

A prefeitura diz, por meio da assessoria, que não ter nada a comentar porque a operação não envolve a gestão municipal.

EM MINAS

Em outra ponta da apuração, a PF e a Receita chegaram até um empresário em Belo Horizonte que, segundo os investigadores, é o principal braço do esquema em Minas Gerais.

Foram feitas buscas em endereços de Atila Reys Silva tanto na capital mineira quanto na cidade de Lamim (a 153 km de Belo Horizonte). Procurada pela reportagem, a defesa dele não se manifestou.

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