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PF descobre fraudes de empresas de limpeza em desdobramento da Lava Jato

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal e a Receita Federal começaram a cumprir mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, na manhã desta quinta-feira (1º), na Operação Descarte, que investiga um esquema criminoso envolvendo empresas de serviços de limpeza.

A ação é um desdobramento da Operação Lava Jato e teve início em informações obtidas com delações premiadas.

Segundo a Receita, as investigações chegaram a um esquema de lavagem de dinheiro formado por uma rede de empresas de fachada que tinham "laranjas" como proprietários.

Agentes cumprem 15 mandados de busca e apreensão em casas e escritórios nas cidades de São Paulo, Santos, Paulínia, Belo Horizonte e Lamim (MG). As decisões que autorizam a busca de provas foram expedidas pela 2ª Vara Criminal Federal.

De acordo com a Receita, a organização emitiu mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude. Os envolvidos desviavam recursos pagos por prefeituras municipais pela limpeza urbana.

No esquema, empresas simulavam a venda de mercadorias ao cliente do serviço de lavagem, que pagava por produtos inexistentes via transferências bancárias ou boletos, para dar aparência de legalidade à aquisição.

As quantias recebidas, segundo a investigação, eram transferidas para diversas outras empresas de fachada, que remetiam os valores para o exterior ou faziam transferências para pessoas ligadas ao cliente inicial.

"O prejuízo aos cofres públicos pelo não recolhimento dos tributos devidos pode chegar a centenas de milhões de reais", diz a Receita.

Consta nas apurações que membros do grupo compraram veículos de luxo, de marcas como Ferrari, Maserati e BMW, todos registrados em nome de "laranjas".

A investigação descobriu que uma das empresas envolvidas é uma concessionária de serviços públicos de limpeza no município de São Paulo, que usou os serviços ilícitos da rede de lavagem de dinheiro simulando a compra de produtos como detergentes, sacos de lixo e uniformes entre os anos de 2012 e 2017.

O nome da empresa ainda não foi divulgado, mas ela seria a maior cliente da rede criminosa.

Parte do valor era enviada para o exterior, em operações que favoreceram um "funcionário público argentino e em conluio com operadores financeiros que vieram a ser presos posteriormente" na Lava Jato.

Além do crime de lavagem de dinheiro, a PF e a Receita investigam suspeitas de evasão de divisas, sonegação tributária, falsidade ideológica e associação criminosa.

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Edhucca

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