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'Outros também têm falado demais', diz Maia sobre queda de Segovia

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DANIEL CARVALHO E ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se disse surpreso com a troca do comando da Polícia Federal feita nesta terça-feira (27) pelo novo ministro da Segurança, Raul Jungmann.

O atual diretor-geral do órgão, Fernando Segovia, será trocado pelo delegado Rogério Galloro, que já havia sido cotado para substituir Leandro Daiello no comando da PF, no ano passado, conforme antecipou a Folha de S.Paulo.

"Me surpreendeu. Vamos esperar que o novo diretor tenha a mesma liberdade e independência para exercer o seu trabalho", disse Maia ao ser informado da queda por jornalistas.

Questionado sobre se Segovia havia sido trocado pelas declarações que deu sobre o inquérito que investiga o presidente Michel Temer, Maia discordou.

"Não acredito nisso. Se ele falou algo e falou demais, muitos outros têm falado demais também no Poder Judiciário, no Ministério Público. Não é uma prática dele falar demais. Falou uma vez. Talvez esteja pagando o preço por isso", disse Maia.

Em manifestação ao STF (Supremo Tribunal Federal) na segunda-feira (26), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, censurou as declarações de Segovia sobre o inquérito que investiga o presidente Michel Temer.

Ela havia pedido ao relator, ministro Luís Roberto Barroso, que expedisse uma ordem para que Segovia se abstenha de "qualquer ato de ingerência sobre a persecução penal em curso", inclusive de manifestações públicas a respeito das investigações, sob pena de afastamento do cargo.

A medida foi uma reação a uma entrevista de Segovia, no início de fevereiro, à agência Reuters em que disse que não há provas contra Temer no inquérito.

A declaração causou queixas de delegados da PF e de entidades sindicais, e o diretor-geral afirmou ter sido mal interpretado.

No dia 19, Segovia disse em audiência com Barroso que "se compromete a não fazer qualquer manifestação a respeito dos fatos objeto da apuração".

REPERCUSSÃO

A troca do diretor-geral da PF pegou os parlamentares de surpresa.

"Acabou falando o que não devia. Tentou se explicar e não conseguiu", disse o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

Para Júlio Delgado (PSB-MG), líder da sigla, a mudança no ministério pode "aumentar a blindagem" do presidente nas investigações referentes ao Porto de Santos.

"É trocar seis por meia dúzia", afirmou ele.

"A saída do Segovia e entrada de um nome que era seu subordinado, num novo ministério subordinado ao Jungmann, pode aumentar essa blindagem e evitar de uma vez por todas a investigação."

Já segundo o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), a troca de comando na PF era "previsível". "Ele [Segovia] não tinha mais nenhuma condição de permanecer no cargo", afirmou. 

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