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Ossada de Perus é de homem morto há 47 anos

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RUBENS VALENTE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Chama-se Dimas Antônio Casemiro, paulista de Votuporanga, morto aos 25 anos em abril de 1971 em São Paulo, o militante político de esquerda armada cuja ossada foi identificada pelo GTP (Grupo de Trabalho Perus).

Desde 1996 o Estado brasileiro reconhece a responsabilidade pela morte de Casemiro, mas não se sabia o destino da ossada.

Conforme a Folha de S.Paulo antecipou nesta terça-feira (20), é a primeira ossada identificada pelo GTP entre as cerca de mil localizadas nos anos 90 em Perus e que aguardam identificação. Desde os anos 90, é o quarto caso identificado na vala de Perus.

Instituído em 2014, o GTP é apoiado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Ministério dos Direitos Humanos, Secretaria Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e CEMDP (Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos).

"É como se achássemos uma agulha no palheiro, um caso entre mil. Isso motiva as famílias e a equipe do GTP a continuarem no trabalho", disse à reportagem o coordenador científico do GTP, Samuel Ferreira.

A presidente da CEMDP, a procuradora da República Eugênia Gonzaga, disse em nota que os familiares de Casemiro "poderão finalmente render-lhe honras funerárias e encerrar dignamente o seu processo de luto".

O trabalho de identificação da ossada teve apoio da ICMP (do inglês, Comissão Internacional Sobre Pessoas Desaparecidas), sediada em Haia, na Holanda, que examinou amostras de DNA do esqueleto encontrado na vala.

Segundo o GTP, o laudo genético definitivo foi entregue no último dia 16 a Samuel Ferreira e à equipe de peritos pelo diretor de ciência e tecnologia da ICMP, Thomas Parsons. A identificação de Casemiro foi feita num conjunto de cem amostras.

Ex-corretor de seguros, vendedor de carros e tipógrafo, segundo as investigações da CNV (Comissão Nacional da Verdade), Casemiro militou na VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) e no MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes).

De acordo com a CNV, em 1971 Casemiro foi acusado de ter comandado o assassinato do industrial Henning Albert Boilesen, presidente da companhia Ultragaz, que financiava a Oban (Operação Bandeirante). O grupo foi criado pela ditadura para combater militantes de esquerda e acusado de violações de direitos humanos, incluindo torturas e assassinatos.

Segundo a versão oficial espalhada pela ditadura, Casemiro morreu em 17 de abril de 1971 após ter resistido à voz de prisão.

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