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É preciso ter jornalista alfabetizado, diz Gilmar Mendes

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na mesa que encerrou o primeiro dia do 2º Encontro Folha de Jornalismo, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, defendeu que os jornalistas que fazem cobertura de Justiça se preparem melhor.

"Leiam antes, se informem antes, peguem os documentos. É preciso ter jornalista alfabetizado", afirmou o ministro, ao comentar a divulgação pelo juiz Sergio Moro, em 2016, da gravação de uma conversa entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Para Gilmar, "se fez um pouco de pilhéria com aquilo, mas estávamos falando de uma fraude", afirmou, referindo-se à posse, barrada pela Justiça, de Lula como ministro da Casa Civil. "Era disso que se tratava, um desvio para dizer: 'Moro não pode prendê-lo'."

O ex-ministro do Supremo Teori  Zavascki, segundo ele, "depois disse que a gravação é ilegal porque ocorreu minutos depois do fim da autorização".

Com mediação de Maria Cristina Frias, colunista da Folha de S.Paulo, o debate sobre "O que é correto na relação fonte-jornalismo" reuniu também o advogado Luís Francisco Carvalho Filho e o diretor de Redação da revista "Veja", André Petry.

ABUSO

Mendes defendeu também a criação de uma Lei de Abuso de Autoridade que combata os vazamentos à imprensa. "As autoridades enfeixam-se de poderes e fazem vazamento seletivo", justificou, acrescentando que "não é uma proposta de restrição da liberdade de imprensa".

Em sua apresentação, o ministro elogiou coluna da ombudsman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, que tratou das coletivas em "off", confidenciais, realizadas no âmbito da Operação Lava Jato.

Citando "uma pessoa muito próxima" da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que "o doutor Janot [Rodrigo Janot, ex-procurador-geral] tinha 11 jornalistas para vazar informações". Segundo ele, "a manipulação disso causa danos graves" e "a relação da fonte com o jornalista está pervertida".

Em contraponto, Luís Francisco Carvalho Filho, também colunista da Folha de S.Paulo, defendeu que a relação entre fonte e jornalista deve se basear "sempre na credibilidade", inclusive quando se trata de fonte interessada.

"Não estamos falando de uma relação épica e bonita", afirmou. "É complicada. O jornalista tem que investigar se a fonte quer prejudicar alguém. E aplicar as regras do manual, como ouvir o outro lado."

CRIMINALIZAÇÃO

André Petry lembrou um episódio de "tentativa de criminalização" da relação entre fonte e jornalista, em telefonemas gravados do empresário Carlos Cachoeira com o repórter Policarpo Jr.

"Deu-se uma campanha para criminalizar o jornalista", afirmou. "Se tivesse um deslize, seria o suficiente para transformar essa campanha num sucesso.".

Petry defende cinco "nuncas" para o jornalismo, no trato com a fonte: nunca se tornar amigo; nunca prometer o que não deve; nunca deixar a fonte esquecer que seu papel é informar o público; nunca mentir; e nunca acreditar fielmente na fonte.

Gilmar Mendes voltou a afirmar, posteriormente, que "não é um problema da imprensa" e sim das autoridades que vazam. Mas questionou tratar-se de "um sistema muito viciado", em que, por deter o poder sobre a informação, ocorre "um fenômeno de corrupção da mídia".

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