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França chama Russomanno para vice e admite disputar com PSDB

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JOELMIR TAVARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Prestes a oferecer uma "amostra grátis", como chamou o período em que assumirá o governo de São Paulo após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sair para disputar a Presidência, o vice-governador do Estado, Márcio França (PSB), admitiu nesta segunda-feira (12) que concorrerá com algum candidato tucano em outubro.

"Aqui em São Paulo nós temos uma candidatura do PT, que ainda não está decidida entre Luiz Marinho e Elói Pietá [...]. Nós temos uma candidatura do PMDB, que é o Paulo Skaf [...]. Teremos um candidato do PSDB. Qualquer nome que saia de lá é sempre um nome forte, porque são nomes preparados também. E teremos o nosso", afirmou o pré-candidato a governador.

França tinha a intenção de contar com o PSDB em sua campanha e trabalhava com a possibilidade de oferecer ao partido a vaga de vice. No entanto, deve prevalecer entre os tucanos a decisão de ter candidatura própria -a legenda tem hoje três pré-candidatos oficiais. O prefeito da capital, João Doria, também é apontado como alternativa.

Alckmin, que no passado chegou a sinalizar que seu partido deveria estar disposto a abrir mão de ter nome na próxima eleição, afirmou na sexta-feira (16) que apoiará o candidato do PSDB à sua sucessão, em detrimento de França.

O socialista diz que a participação de sua sigla na campanha presidencial de Alckmin independe de aliança no Estado. "O governador é a pessoa pública mais preparada para ser presidente da República", disse. Com esse desenho, o tucano deve contar com mais de um palanque em São Paulo se deixar o cargo em abril para concorrer ao Planalto, conforme planeja hoje.

Fechado com Alckmin e querendo passar ao largo das rusgas tucanas, França anunciou nesta segunda a entrada do PSC (Partido Social Cristão) no grupo de legendas que irá apoiá-lo na disputa pelo governo.

O evento, na sede da sigla aliada, no Jardim Paulista (zona oeste), teve a presença do presidente estadual do partido, o deputado federal Gilberto Nascimento, e a ausência do nome mais conhecido da agremiação, o também deputado Marco Feliciano (que estaria de saída, a caminho do Podemos).

O vice-governador já conta também com a adesão de PR, PROS e SD, o que lhe garante, de acordo com seus cálculos, 18 minutos de tempo de propaganda na TV e no rádio. PV, PPS, PCdoB, PHS, PTC e PSD estão na lista de siglas que ele ainda tenta atrair.

Ao PRB, outro partido em seu radar, ele acenou na sexta-feira (16) com um convite a Celso Russomanno para ser seu vice. O deputado federal é hoje o líder das pesquisas para a sucessão de Alckmin -alcança de 25% a 32% no Datafolha.

"Quando você agrega alguém conhecido, você supre um problema que eu tenho, que é o desconhecimento", afirmou França, que vai intensificar a agenda nos próximos meses para tentar aumentar a popularidade.

Russomanno confirmou à reportagem ter recebido o convite, mas disse que a ideia será submetida ao PRB. "Na minha vida as decisões nunca foram individuais, são sempre partidárias", afirmou o parlamentar.

A hipótese é vista como remota dentro da sigla, que tem como plano lançar Russomanno à Câmara dos Deputados, na tentativa de buscar sua reeleição e tentar fazer com que ele "puxe" outros candidatos, num esforço para ampliar a bancada federal da sigla.

'VOTO EM TRAIDOR'

França discursou que os próximos meses não serão "uma tarefa fácil", numa alusão à campanha. "Mas também, vamos ser francos, não existe tarefa tão fácil quanto você pegar um governo do Alckmin e ao mesmo tempo você estar sentado no exercício do cargo de governador", analisou.

"Eu posso garantir: nós vamos ter o apoio de mais de 450 prefeitos. Quando eles [adversários], acordarem, a vaca já foi pro brejo", afirmou, sob aplausos.

Em meio a elogios a seus aliados, França falou sobre a "importância de honrar a palavra" e disse reiteradas vezes que "ninguém vota em traidor".

No fim do evento, questionado pela reportagem, afirmou que não dirigia a provocação a ninguém especificamente.

No palco, o vice-governador exaltou a classe política. "A cidade, ou o Estado, nenhum lugar precisa apenas de um gestor. Um gestor é importante, claro, mas se fosse assim era mais fácil fazer um concurso público", disse.

Depois, falando aos jornalistas, minimizou as frases e negou que estivesse se referindo ao prefeito João Doria, que se elegeu com o discurso de que não é um político, mas um gestor.

"Não estou fazendo uma crítica, ao contrário", afirmou França. "Eu confio nele [Doria], é uma pessoa de palavra. Tudo que ele falou comigo até hoje ele está cumprindo. [...] Se ele renunciar [à prefeitura para se candidatar], aí ele descumpriu. E não é comigo, é com a população de São Paulo, as pessoas que votaram nele."

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